06 setembro 2009

A INVEJA

Revista Espírita, julho de 1858

Dissertação moral ditada pelo Espírito de São Luís ao senhor D.....
São Luís nos havia prometido, em uma das sessões da Sociedade, uma dissertação sobre a Inveja. O senhor D..., que começava a se tornar médium, e que ainda duvidava um pouco, não da Doutrina da qual era um dos mais fervorosos adeptos, e que compreende em sua essência, quer dizer, do ponto de vista moral, mas da faculdade que nele se revelava, evocou São Luís, em seu nome particular, e lhe dirigiu a seguinte pergunta :
- Consentiríeis dissipar minhas dúvidas, minhas inquietações, sobre minha força medianímica, escrevendo, por meu intermédio, uma dissertação que havíeis prometido à Sociedade para a terça-feira, 1º de junho? - R. Sim; para tranqüilizá-lo, consinto.
Foi então que o trecho seguinte lhe foi ditado. Anotaremos que o senhor D... se dirigiu a São Luís com um coração puro e sincero, sem prevenção, condição indispensável para toda boa comunicação! Não era uma prova que fazia: ele não duvidava senão de si mesmo, e Deus permitiu que fosse atendido, a fim de lhe dar os meios de se tornar útil. O senhor D... é hoje um dos médiuns mais completos, não só por uma grande facilidade de execução, mas por sua aptidão para servir de intérprete a todos os Espíritos, mesmo aqueles de ordem mais elevada, que se exprimem fácil e voluntariamente por seu intermédio. Aí estão, sobretudo, as qualidades que se devem procurar num médium, e que este pode sempre adquirir com a paciência, a vontade e o exercício. O senhor D... não teve necessidade de muita paciência; ele tinha em si a vontade e o fervor unidos a uma aptidão natural. Alguns dias bastaram para levar sua faculdade ao mais alto grau. Eis o ditado que lhe foi feito sobre a Inveja:
"Vede este homem: seu Espírito está inquieto, sua infelicidade terrestre está em seu auge; ele inveja o ouro, o luxo, a felicidade aparente ou fictícia de seu semelhante; seu coração está destroçado, sua alma surdamente consumida por essa luta incessante do orgulho, da vaidade não satisfeita; ele carrega consigo, em todos os instantes de sua miserável existência, uma serpente que ele re-aquece, que lhe sugere, sem cessar, os mais fatais pensamentos: "Terei essa volúpia, essa felicidade? Isso me é devido, não obstante, como a estes; sou homem como eles; por que seria deserdado?" E se debate sob sua impotência, vítima dos horríveis suplícios da inveja. Feliz ainda se essas funestas idéias não o levarem para a beira de um abismo. Entrado nesse caminho, ele se pergunta se não deve obter pela violência o que acredita lhe ser devido; se não irá expor, a todos os olhos, o mal horrível que o devora. Se esse infeliz tivesse apenas olhado abaixo de sua posição, teria visto o número daqueles que sofrem sem se lamentar, ainda bendizendo o Criador; porque a infelicidade é um benefício do qual Deus se serve para fazer a pobre criatura avançar para o seu trono eterno.
Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro sobre a Terra em obras de caridade e de submissão, as únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de Deus; essas obras do bem farão vossa alegria e vossa felicidade eternas; a Inveja é uma das mais feias e das mais tristes misérias do vosso globo; a caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos esses males, que se irão um a um à medida que os homens de boa-vontade, que virão depois de vós, se multiplicarem. Amém."

2 comentários:

Jorge disse...

A própria inveja já é um tormento para aquele que a sente. Frequentemente inconsciente, se perde em si mesmo. É uma tortura difícil de curar porque é algo íntimo. E o sofrimento cada vez maior, quase sempre, acaba sendo o despertar do invejoso.

Um abraço,

JR disse...

Dalai, por coinscidência que não me parece tanta ,ontem no nosso trabalho espiritual ,veio um espirito amigo e pediu para que explícassemos a diferença do ciúme para a vaidade,dentro dos novos rumos da humanidade atual.
Bem dentro do meu pequeno entendimento de alguem que está a quinze anos tentando ser espírita e ainda está longe de conseguir ,expliquei ,mas senti que não agradei no resultado final.
O espirito pediu que eu fosse atras de mais material que ainda não estava completo meu conceito.
Lendo seu artigo ,quase cheguei lá ,mas me parece que falta algo.
Dá pra voce me tirar deste apuro e mandar algo assim profundo sobre o tema ciúme na atualidade.
Por favor me quebra este galho amigo ,que eu expliquei de diversas formas ,mas acho que ainda deixei a desejar.
Abraços e obrigada pelas matérias de reflexão profunda que apresenta neste teu artigo de luz.