03 agosto 2010

SANTO CAPITALISTA ?

Kleber Matias


Os três movimentos sociais mais importantes do Brasil, o messianismo, o banditismo e o fanatismo, coincidentemente, tiveram à sua frente, pessoas polêmicas. E porque não dizer, extremamente polêmicas. O primeiro é representado por Antônio Conselheiro, da guerra de Canudos (revolucionário ou louco?). O segundo, tem como figura mais expressiva, Lampião (herói ou bandido?) e o terceiro, o Padre Cícero (embusteiro ou santo?). Esses três personagens, que por sinal, foram contemporâneos, dominam até hoje o imaginário do povo nordestino.
Li e reli dezenas de livros sobre a história brasileira dessa época, (1844-1944), que me deram o prazer de conhecer o Padre Ibiapina, o beato José Lourenço, líder do Caldeirão e ainda, entender melhor, mais claramente, a importância político-social da Coluna Prestes, da guerra do Paraguai e do Contestado. Li, sobretudo, vários livros sobre o Padre Cícero. Dentre estes, apenas um me pareceu equilibrado: Milagre em Joazeiro, justamente a tese de pós-graduação em história latino- americana, do historiador Ralph Della Cava da Universidade de Columbia (EUA). Os demais, que me perdoem os autores, são de uma ingenuidade impressionante. Uma metade foi escrita por fanáticos ou apaniguados. A outra, por inimigos declarados do padre; que por sinal, comemora-se hoje, a data dos 76 anos de sua morte.
A meu ver, o grande problema da vida do Padre Cícero, foi sem dúvida acreditar piamente na beata Maria de Araújo. A sua crença no chamado Milagre da Hóstia acabou por levá-lo à presença dos Cardeais Inquisidores em Roma. Estes, por sua vez, impuseram-lhe uma mordaça. Não podia mais rezar missas, batizar, casar. Com a perda do poder eclesiástico, o padre partiu em busca do poder econômico e político. Alicerçado no passado, ostentando a imagem do homem bom e decente que fora até então, não teve dificuldades em subjugar e fanatizar o povo alienado, analfabeto, necessitado. Ao longo dos anos, com a ajuda de doações em nome da Igreja, conseguiu acumular uma verdadeira fortuna. Em 1910 era um homem rico. Possuía inúmeras fazendas, gado, imóveis e até uma mina de cobre.
Mas o padre Cícero não se satisfazia. Nesse mesmo ano, com sua anuência, a vila de Joazeiro tornou-se independente do Crato e proclamou-se cidade. Começa sua escalada política. Foi seu prefeito durante onze anos, depois deputado federal e vice-presidente da província do Ceará. Considerado um dos latifundiários mais influentes daquele estado, não tardou a aparar as arestas dos políticos locais. Propôs o célebre Pacto dos Coronéis e conseguiu apaziguar o cenário político durante vários anos.
Por volta de 1926, “Pade Ciço” era mais político que religioso, posicionando-se como um anticomunista ferrenho. Aproveitando a fidelidade de Lampião à sua pessoa, o pároco juntou-se a amigos fazendeiros e doaram-lhe armas e munições para que atacasse o revoltoso Luiz Carlos Prestes e sua famosa “Coluna”. Para tanto, por sua articulação, o bandoleiro recebeu também a patente de Capitão das Forças Patrióticas.
Recentemente foi lançada uma biografia extensa e minuciosa sobre o Patriarca do Ceará, do jornalista Lira Neto: Poder, Fé e Guerra no Sertão. O livro chega no momento em que o Vaticano se apressa em anistiar o padre Cícero e está em vias de canonizá-lo. O processo está sendo conduzido pessoalmente pelo papa Bento XVI com o objetivo claro de deter o avanço das igrejas evangélicas no Brasil. Para isto não podia contar com aliado melhor, um ícone popular que até hoje leva mais de 2,5 milhões de peregrinos todos os anos ao Joazeiro do Norte.
Ora, convenhamos! Não é necessário ser religioso para perceber que esse perfil não corresponde exatamente àquele de um santo. Por que não viabilizar a canonização de pessoas sabidamente corretas, íntegras, ilibadas, como Dom Helder Camara, Irmã Dulce ou Chico Xavier; que apesar de não ser padre (condição sine qua non), era um cristão fervoroso. Pensem sobre isso!

Um comentário:

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
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