08 março 2012

Cairbar Schutel, o homem cordial, o amigo dos pobres e dos enfermos

O sentimento e a sabedoria – assevera Emmanuel – são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita. No círculo acanhado do orbe terrestre, eles são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, ambos igualmente imprescindíveis ao progresso.
Como Cairbar Schutel se enquadra na definição citada?
No tocante à área do sentimento – ou do adiantamento moral – ninguém que acompanha o Movimento Espírita pode ignorar a estatura moral de Cairbar Schutel, o homem cordial, o amigo dos pobres e dos enfermos, a quem curava não somente as mazelas do corpo, mas as enfermidades da alma.
Amante da natureza, é conhecido o amor que Cairbar nutria pelos animais. Nhonhô, o gato que fora sacrificado por Cairbar após uma briga, olhava-o atentamente quando Cairbar escrevia.
Cabrito, seu último cavalo, aposentado por Cairbar quando comprou seu primeiro carro, recebia tanto carinho do dono que, momentos antes de morrer, veio despedir-se do protetor e amigo.
Os cães Rolf e Leão, dois espécimes dinamarqueses, sentavam-se à mesa e eram servidos em primeiro lugar por seu dono. Rolf, aliás, adorava pastéis e ovos cozidos, embora sua preferência fosse mesmo sorvete. E gostava também de passear de carro nas visitas que Cairbar fazia aos doentes, ocasião em que, sentado no banco traseiro, parecia um fidalgo.
Na assistência aos obsidiados e aos enfermos de toda ordem que chegavam a Matão, o zelo de Cairbar chegava a ponto de levá-los para a sua própria casa, onde construíra alguns quartos nos fundos do terreno, exatamente para poder acolhê-los e assisti-los.
No tocante à área da sabedoria – ou do adiantamento intelectual – existe uma faceta da obra de Cairbar que tem sido pouco enfatizada pelos biógrafos.
Evidentemente, ninguém desconhece o trabalho do Cairbar-jornalista, fundador d’ O Clarim e da Revista Internacional de Espiritismo e pioneiro da divulgação espírita por intermédio do rádio; do Cairbar-orador e polemista vibrante; do Cairbar-escritor, autor de 17 livros dentre os quais quem poderia ignorar “Parábolas e Ensinos de Jesus”, “Vida e Atos dos Apóstolos”, “O Espírito do Cristianismo”, “Espiritismo para as crianças” e tantos outros indispensáveis aos que pretendem ter uma sólida formação espírita? (A lista completa dos 17 livros de Cairbar figura na última página de “Médiuns e Mediunidade”.)
Pouco se fala, porém, da profundidade e mesmo do pioneirismo com que Cairbar examinou vários assuntos relacionados com a prática da mediunidade e as condições da vida no Outro Mundo, algo que era confinado a poucas pessoas antes da eclosão, na década de 40, da Série Nosso Lar. Como se sabe, Cairbar desencarnou em janeiro de 1938.
O confrade Antenor de Souza, recentemente falecido, diz que em 1944, quando foi lançada a 1a edição do livro Nosso Lar, de André Luiz, muitos confrades de relevo deste país, como Leopoldo Machado, tiveram muitas dúvidas pertinentes a aspectos da vida espiritual que lhes pareceram, naquele momento, algo absolutamente inédito na literatura espírita, embora Cairbar Schutel já houvesse tratado do assunto 12 anos antes.
Eis na seqüência alguns exemplos do que acabamos de relatar.
Observações pertinentes à prática mediúnica
Do livro “Médiuns e Mediunidade”:
Sobre a influência do meio na reunião mediúnica – As comunicações com os Espíritos exigem muito recato, muito respeito, muita civilidade e muito recolhimento. O meio exerce ação considerável para o bom êxito das sessões. Jesus estava acompanhado de três apóstolos no episódio do monte Tabor. Em Betsaida (Marcos, 8:22), ele conduziu o cego fora da aldeia antes de curá-lo. Fato idêntico ocorreu com o homem surdo e gago, que Jesus tirou da multidão e atendeu à parte (Marcos, 7:32), e com a filha de Jairo (Mateus, 9:18). (Médiuns e Mediunidade, pp. 73 e 74.)
Apelo à privacidade das sessões mediúnicas – As sessões práticas devem ser privativas, com número reduzido de assistentes convencionados e assíduos, porque elementos estranhos prejudicam o resultado dos trabalhos. Não se concebe, pois, a realização de sessões mediúnicas públicas, com portas abertas, sem circunspecção e critério exigidos para a prática mediúnica. (Obra citada, pp. 53 e 72.)
Deveres que competem aos médiuns – Primeiramente, estudar, porque o estudo preparatório dos médiuns é indispensável ao exercício da mediunidade. Os médiuns necessitam ter, ainda, muita persistência, muita paciência, muita perseverança nas reuniões e nos estudos, para melhor se relacionarem com o mundo invisível. (Obra citada, pp. 75 e 76.)
Uma advertência pertinente ao diálogo com os desencarnados – Convém deixar o Espírito comunicante falar. (Obra citada, p. 53.)
O recinto das sessões mediúnicas – As sessões requerem um ambiente de semi-obscuridade ou iluminado com uma lâmpada vermelha com luz fraca. (Obra citada, p. 51.) (N.R.: Ver Novo Tesouro da Juventude, vol. 1, pág. 167.)
Descrição sobre a vida no Outro Mundo
Do livro “A Vida no Outro Mundo”:
Os diversos planos do Mundo Espiritual – Há no Outro Mundo diversos planos de existência, e não poderia ser de outro modo, porque os Espíritos, revestidos de seu corpo espiritual, não podem viver num meio que não esteja de acordo com sua vestimenta espiritual, que vibra sempre ao ritmo da elevação de cada um, em sabedoria e moralidade. Uma região isenta de oxigênio seria hostil a Espíritos ainda necessitados de oxigênio. Os círculos que envolvem a Terra se diferenciam pela fluidez da matéria que os compõe. (A Vida no Outro Mundo, pp. 82, 83, 85 e 107.)
Semelhanças entre o nosso plano e o plano espiritual – O primeiro plano do Mundo Espiritual é bem parecido com o plano terráqueo. Pode-se dizer que o nosso plano aqui na Terra é uma cópia materializada desse plano, o que explica a existência ali de habitações semelhantes às nossas. (Obra citada, pp. 87 a 89.)
As obras e os estudiosos que tratam do assunto – Mais de um livro ou autor fala sobre a existência de cidades, casas, hospitais, templos e palácios no Outro Mundo. Conan Doyle menciona em seu livro “História do Espiritismo” vários casos, a exemplo de sir Oliver Lodge, Carl du Prel, Swedenborg, Winifred Moyes e Lilian Walbrook. (Obra citada, pp. 54, 56, 57, 78, 92, 95, 96, 97, 102 e 103.)
Os alimentos no plano espiritual – Nas mensagens transcritas por Conan Doyle, além da referência à existência de casas lindas e flores, um dos comunicantes fala do alimento utilizado no plano em que vivia, o qual não se parece com o nosso porque é muito mais agradável e delicado. (Obra citada, pp. 95 a 97.)
O que Swedenborg revelou – Nas obras do grande vidente sueco faz-se menção a casas, templos, salões, palácios. As crianças são bem recebidas no Outro Mundo, sejam ou não batizadas, e ali elas crescem cuidadas por mulheres jovens, até que lhes apareçam suas mães verdadeiras. (Obra citada, pp. 98 a 100.)
Como é o trabalho no plano espiritual – Extraída do livro “O Caso de Lester Coltman”, de Lilian Walbrook, eis parte da mensagem dada por Coltman: “Meu trabalho continua aqui como se iniciou na Terra, ou seja, no terreno científico. Para progredir em meus estudos, visito freqüentemente um laboratório, onde encontro facilidades tão completas como extraordinárias para a realização de experiências. Tenho casa própria, verdadeiramente bela, com uma grande biblioteca, na qual existe toda a classe de livros de consulta: históricos, científicos, de Medicina, e de todos os gêneros da Literatura. Para nós, estes livros são tão interessantes como para vós, os da Terra. Tenho uma sala de música com toda a sorte de instrumentos. Tenho quadros de rara beleza e móveis de gosto apurado.” Na seqüência, Lester Coltman refere-se a uma paisagem extraordinariamente bela que ele podia descortinar de suas janelas e diz haver ali magníficas escolas para instrução dos Espíritos de crianças. (Obra citada, pp. 93 a 95.)
O destino do homem além da morte – Eis o que Cairbar escreveu sobre o destino das criaturas humanas: “O túmulo não é o ponto final da existência. Nosso destino é grandioso. Existem mundos de luz, onde reina a verdade; mundos que serão nossas futuras moradas! Assim como o progresso caracteriza perfeitamente a evolução gradativa do nosso planeta, que será um dia paraíso terrenal, assim também essa Lei inflexível, que rege os mundos que se balouçam no Éter, nos prepara moradas felizes, dispersas na Casa de Deus, que é o Cosmo infinito.
“Tenhamos fé e estudemos! Ignoramos? Progridamos! Porque do estudo e da pesquisa vem a verdade que esclarece a inteligência, e, desta, a evolução espiritual, que nos guinda às alturas, para compreendermos as coisas do Espírito, coisas que Deus reserva para todos os que procuram crescer no Seu conhecimento e na Sua graça. Que as luzes da caridade, que vamos conquistando, nos ilumine toda a Ciência, toda a Religião, toda a Filosofia, para podermos, com justos títulos, observar as magnificências do Universo e cientificar-nos da imortalidade e da Eternidade da Vida.” (“A Vida no Outro Mundo”, de Cairbar Schutel, 5a edição, 1978, pág. 126.)
adiantamento moral, ajudar, Allan Kardec, Amar, animais, Astolfo O. de Oliveira Filho, Biografia, Cairbar Schutel, Caminhada, Caridade, Deus, doentes, Emmanuel, enfermos, Espírita, Espiritismo, espíritos, livros, Londrina - PR, Matão - SP, Moral Espírita, noticia, O Clarim, Reencarnação, RIE, Rio de Janeiro, sentimento e sabedoria, socorro, solidariedade, Trabalho, Vida
Fonte: http://visaoespiritabr.com.br/moral-crista/cairbar-schutel-o-homem-cordial-o-amigo-dos-pobres-e-dos-enfermos

01 março 2012

OS NAZISTAS DE BIAFRA

Pior, tragicamente pior que a do Vietnam é a guerra interna de Biafra, onde uma disputa fratricida pelo poder extermina diariamente milhares de criaturas absolutamente alheias ao processo político da Nigéria. São mães e crianças aparentemente inocentes que sofrem na carne a conseqüência da discórdia de seus lideres fanáticos, especialmente o diabólico general Ojkwo. Mas, então – é de se cogitar – onde está Deus? Como é possível explicar a hediondez que se vem praticando ali, num quadro incontestavelmente dantesco, contra populações civis inermes que só querem e só desejam a paz, não importa o governo que lhes dêem? Não consola a ninguém justificar tais atos de barbárie com os ignotos desígnios do Criador ou as origens pecaminosas dos seus ascendestes. Onde está a bondade de Deus? Onde, a justiça de Deus?

Meu caro leitor, somente o Espiritismo pode explicar a incongruência dessa cruel realidade. Somente a Doutrina de Allan Kardec consegue fazer luz nas trevas dessa incógnita, que, nos termos em que se nos oferece à razão, sem uma cabal explicação, resulta em desconsolo, desesperança e até revolta.

No “Grupo Ismael”, de que faço parte, na Federação Espírita Brasileira, em plena reunião, meu companheiro Francisco Thiesen interpreta para nós a mensagem do entendimento em torno do doloroso processo coletivo de Biafra. A ponderação é justa e precisa. Não há por que estranhá-la, tais os elementos de aclaramento que alinha.

Morrem em Biafra, sofrem ali os piores horrores duma guerra irracional, são torturados, queimados, dilacerados em Biafra, exatamente aqueles Espíritos que, há quase um quarto de século, integravam a horda nazista que tantas desgraças impuseram aos seus semelhantes! Repare-se que, essencialmente os jovens, as crianças acima de tudo, são as principais vitimas do abominável movimento separatista. Observe o leitor as imagens que as revistas nos transmitem: criaturas esquálidas, cadavéricas, morrendo de inanição no meio das ruas; esqueletos se arrastam nas sarjetas e a antropofagia começa a generalizar-se; os corpos se amontoam em tétricas pilhas, misturados aos quais há alguns que ainda se estertoram, mas para quem não há a mais mínima esperança de socorro; a cremação é a única solução e nela alguns mortos vivos vão gemer suas últimas dores. Outros, ainda respirando, acabam devorados pelos abutres, quando não são as formigas que lhes vêm assinalar as derradeiras torturas físicas e psicológicas. A loucura encontra muitos deles; a peste extermina milhares; o suicídio responde pelo desespero de mães que a ele recorrem antes de consumar a dramática e incoercível necessidade de devorar as carnes dos próprios filhos!

Onde foi, mesmo, que já vimos esse quadro aterrador? Certamente em Auschwitz, em Dachau, em Buchenwald, campos de concentração alemães, nos quais os sanguinários nazistas faziam sabão de judeus e “abat-jours” da pele dos prisioneiros...

Não há por que por em duvida: alguns desumanos nazistas já voltaram e resgatam na própria carne os seus repulsivos crimes. É essa dura mas justa resposta que o Espiritismo oferece e que, antes de macular a perfeição de Deus, dá-lhe configuração equânime e sábia. O Cristo fora portador dessa implicação: “A cada um será dado segundo as suas obras”... A Lei da Reencarnação é a única justificativa honesta e sem rebuços, que o Espiritismo trouxe aos homens e que basta para coloca-los diante dos efeitos da alegria ou da dor, da tormenta ou da paz, conscientes da sua verdadeira causa. Isto vale dizer (e aqui entra o maior benefício que a Doutrina dos Espíritos legou ao mundo): devemos sopesar cada ato, cada palavra, cada pensamento nosso, pois em função deles faremos desenrolar o nosso amanhã, que bem poderá ocorrer na tranqüilidade e na despreocupação das areias de Copacabana, ou nas aquerônticas terras de Biafra...

E agora, se me perguntam, ainda, onde está Deus, posso responder conscientemente: Deus estava no Reich e não foi ouvido...

Autores : Luciano dos Anjos e Hermínio Correa de Miranda

Livro : Crônicas de um e de Outro
Fonte:http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-43.htm

26 fevereiro 2012

QUEM FOI ALLAN KARDEC?


Allan Kardec foi o criador (ou Codificador) do Espiritismo. Foi a partir de suas observações que surgiu a Doutrina Espírita, na França da século 19. Nasceu Hippolyte Léon-Denizard Rivail, em 03 de Outubro de 1804 em Lyon, França, no seio de uma antiga família de magistrados e advogados. Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum, Suíça, tornou-se um de seus discípulos mais eminentes.
Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado. Aplicou-se, de todo o coração, à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Muitíssimas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos governos, um pouco de todos os lados, para fundar institutos semelhantes ao de Yverdun, confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. O discípulo tornado mestre tinha, além de tudo, com os mais legítimos direitos, a capacidade requerida para dar boa conta da tarefa que lhe era confiada. Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medicina, tendo feito todos os estudos médicos e defendido brilhantemente sua tese.4 Lingüista insigne, conhecia a fundo e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.(Henri Sausse)
Foi membro de várias sociedades sábias, entre as quais a Academie Royale d'Arras. De 1835 à 1840, fundou em seu domicílio cursos gratuitos, onde ensinava química, física, anatomia comparada, astronomia, etc.
Dentre suas inúmeras obras de educação, podemos citar: "Plano proposto para a melhoria da instrução pública" (1828); "Curso prático e teórico de aritmética (Segundo o método de Pestalozzi)", para uso dos professores primários e mães de família (1829); "Gramática Francesa Clássica" (1831); "Programa de cursos usuais de química, física, astronomia, fisiologia"(LYCÉE POLYMATIQUE); "Ditado normal dos exames da Prefeitura e da Sorbonne", acompanhado de "Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849).
Por volta de 1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, e, se empenhou principalmente em deduzir-lhe as conseqüências filosóficas.
Nele entreviu, desde o início, o princípio de novas leis naturais; as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso.
As suas principais obras espíritas são: "O Livro dos Espíritos", para a parte filosófica, e cuja primeira edição surgiu em 18 de Abril de 1857; "O Livro dos Médiuns", para a parte experimental e científica (Janeiro de 1861); "O Evangelho Segundo o Espiritismo", para a parte moral (Abril de 1864); "O Céu e o Inferno", ou "A Justiça de Deus segundo o Espiritismo" (Agosto de 1865); "A Gênese, os Milagres e as Predições (Janeiro de 1868); "A Revista Espírita", jornal de estudos psicológicos.
Allan Kardec fundou em Paris, a 1º de Abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob o nome de "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas".
Casado com Amélie Gabrielle Boudet, não teve filhos.
Trabalhador infatigável, desencarnou no dia 31 de março de 1869, em Paris, da maneira como sempre viveu: trabalhando.
(Retirado de "Obras Póstumas", Biografia de Allan Kardec, edição IDE, e organizado por Instituto André Luiz)

21 fevereiro 2012

ANNA SHARP E OSCAR QUIROGA

O QUE É O AMOR?




Após a Introdução de O Livro dos Espíritos, o leitor atento encontra matéria com o título Prolegômenos que significa exposição preliminar dos princípios gerais de qualquer ciência ou arte, introdução expositiva de algum tratado científico. Ela vem assinada por diversos sábios da Humanidade e entre tais assinaturas destaca-se a de Vicente de Paulo (1576-1660), um sacerdote francês que em 1633 fundou a Congregação das Irmãs de Caridade com o objetivo de atender os pobres e os enfermos.

Quando morreu Vicente, já havia 40 casas das Irmãs de Caridade, que depois se espalharam pelo mundo e chegaram ao Brasil em 1849. Hoje, inspiradas por tal obra, distribuem-se pelo mundo através de hospitais, ambulatórios médicos, dentários, enfermagens, sendo mais conhecido por aqui através das Associações Vicentinas ou Casas de São Vicente de Paulo.

Por que falamos de Vicente de Paulo? Justamente para falar do amor... O que é o amor? Seria a afeição entre homem e mulher? ou o amor de mãe? Todas são expressões do amor, mas gostaríamos de comentar o amor vivido e demonstrado por Vicente, assim como também por Jesus, Francisco de Assis e tantos outros importantes nomes da história humana, inclusive na atualidade como Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá ou Chico Xavier...

A Doutrina de Jesus, por exemplo, é a mais alta expressão do amor. Ele já ensinava que o maior mandamento é o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo... A própria Parábola do bom samaritano já indica isso. O Livro dos Espíritos em sua questão 888 traz resposta de Vicente e também em O Evangelho Segundo o Espiritismo a presença de Vicente é marcante na exaltação do amor ao próximo, através da caridade.

Nossa ausência de autoridade para falar do assunto, face à fragilidade na vivência espontânea do amor ao próximo não nos tira, entretanto, o entusiasmo de falar sobre o amor. Toca-nos o coração ver nossos irmãos carentes entregues ao relento, passando imensas dificuldades na própria sobrevivência, sofrendo a humilhação do desprezo social. Quantos irmãos nossos não vemos pelas ruas, no trânsito, carregando caixas de papelão ou coletando latinhas de refrigerantes, crianças em semáforos, velhos abandonados, enfermos entregues à própria sorte em hospitais...

A mensagem de Vicente de Paulo, entre tantos vultos inspirados pela mensagem do Evangelho, convida-nos a essa face real do amor. Deixemo-nos impregnar por tais exemplos e verdadeiros convites para o bem. É claro que ainda não somos capazes de agir como eles, nem ter a espontaneidade com que viveram, mas pelo menos pensemos nos exemplos que deram diante de nossos irmãos em dificuldade que encontremos pelo caminho, mesmo que for apenas para oferecer-lhes um sorriso e um minuto de atenção...

Autor: Orson Peter Carrara