"De essência divina, a prece será sempre o reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros de que possa dispor." André Luiz
Observamos em todos os momentos da alma, seja no repouso, seja na atividade, o reflexo condicionado (ou ação independente da vontade que se segue, imediatamente, a uma excitação externa) na base das operações da mente, objetivando esse ou aquele gênero de serviço.
Daí resulta o impositivo da vigilância sobre nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta sustenta o reto pensamento e, de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão com as Esferas Superiores.
De essência divina, a prece será sempre o reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros de que possa dispor.
No reconhecimento ou na petição, na diligência ou no êxtase, na alegria ou na dor, na tranqüilidade ou na aflição, ei-la exteriorizando a consciência que a formula, em efusões indescritíveis, sobre as quais as ondulações do Céu corrigem o magnetismo torturado da criatura, insulada no sofrimento educativo da Terra, recompondo-lhe as faculdades profundas.
A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o Infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz.
Aliada à higiene do espírito, a prece representa o comutador das correntes mentais, arrojando-as à sublimação.
(Mecanismos da Mediunidade, XXV, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
Um blog onde se respeita a diversidade religiosa,
o livre pensamento e o direito à expressão.
13 maio 2010
12 maio 2010
DELÍRIOS DA FANTASIA
O Código Que Da Vinci Não Conheceu e O Evangelho
Que Judas Não Escreveu
Parece que vem ocorrendo um processo de comprometimento da integridade moral de Jesus e Madalena. O Código Da Vinci, obra do escritor Dan Brown, seria um exemplo vivo dessa situação. Afirmar, como o Código afirma, que Jesus e Madalena tiveram vários filhos é um absurdo. É claro que houve algo entre os dois, ambos mantiveram um romance; entretanto, não chegou ao ponto em que se refere o autor supracitado. Na verdade, o que se relata no livro e no próprio filme não tem nenhuma procedência. Tudo foi inventado, até mesmo o túmulo de Madalena. Esperamos que essa onda de desmoralização de Jesus passe e se retome a verdadeira história do Mestre de Nazaré.
Quanto ao Priorado de Sião, ligado delirantemente aos Templários, é, na verdade, uma invenção. Afirmam que Da Vinci e o físico Isaac Newton teriam sido seus grãos-mestres. Ora, o que consta é que esse priorado teria surgido na França, na região de Sion, na década de 1950. Será que Da Vinci e o “descobridor” da teoria da gravitação teriam se materializado para assumirem a direção desse priorado? É impressionante!
Por outro lado, dir-se-ia uma coincidência o aparecimento de um evangelho atribuído a Judas no momento em que são lançados o livro e o filme O Código Da Vinci. Tanto o Evangelho Segundo Judas como o referido livro tem o objetivo de obscurecer a importância histórica espiritual de Jesus. Esse evangelho é ainda pior que O Código Da Vinci, porque apresenta um Jesus covarde, que quer sair da vida, mas não tem coragem, solicitando, então, ao apóstolo Judas que o denuncie às autoridades romanas e judaicas, sabendo que ele poderia ser condenado à pena capital. Não parece uma espécie de suicídio? Se esse evangelho for verdadeiro cai por terra toda a grandiosa postura de Jesus sobre a sua missão, a sua vida e a sua morte. Assim, ele não se sacrificou pela humanidade (o que é uma deslavada bobagem), mas se sacrificou em função do seu desejo de se livrar de um corpo grosseiro que o incomodava. Isso quer dizer, em outras palavras, que ele só pensou nele mesmo. Pode? O certo é que querem, a todo custo, denegrir a imagem de Jesus, transformando-o, primeiro, numa espécie de libertino, em que se junta (não há notícia de seu casamento oficial) com Madalena e, depois, numa espécie de suicida. Daí, e conforme os trâmites de sua morte, há de se pensar que ele provocou tudo (independentemente da atitude de Judas) no intuito de que lhe tirassem a vida.
Vejam, queridos internautas, em que palcos de aranha meteram Jesus. Ademais, e diante desses dois monstrengos dos delírios humanos, que virá depois? É capaz de surgir um livro que venderá milhões de exemplares afirmando que Jesus foi um dos maiores trapalhões da História, ou então que ele nunca existiu. O problema é que a Humanidade adora cultuar os medíocres. Pensávamos que isso só acontecesse no Brasil, mas, na verdade, é uma preferência internacional. Como se já não bastassem os coelhos, as capivaras, os tatus, as pacas, as lagartixas e os tamanduás brasileiros, todos acadêmicos, ainda importamos animais de outras plagas (ou pragas?) alienígenas faturando em cima dos adoradores zoológicos milhões de dólares ou euros. Esperamos novos lançamentos sobre as diatribes de Jesus e seus ingênuos apóstolos.
Aguarde os programas Encontro Com a Cultura Espírita dos dias 03 e 10 de junho, quando serão analisadas as questões ligadas ao Código Da Vinci e o pseudo Evangelho segundo Judas.
E também no dia 03 de junho, participe do Encontro de Médiuns, que se realizará no TELMA a partir das 16 horas e onde se discutirá mais aprofundadamente O Código Da Vinci.
Carlos Bernardo Loureiro
Que Judas Não Escreveu
Parece que vem ocorrendo um processo de comprometimento da integridade moral de Jesus e Madalena. O Código Da Vinci, obra do escritor Dan Brown, seria um exemplo vivo dessa situação. Afirmar, como o Código afirma, que Jesus e Madalena tiveram vários filhos é um absurdo. É claro que houve algo entre os dois, ambos mantiveram um romance; entretanto, não chegou ao ponto em que se refere o autor supracitado. Na verdade, o que se relata no livro e no próprio filme não tem nenhuma procedência. Tudo foi inventado, até mesmo o túmulo de Madalena. Esperamos que essa onda de desmoralização de Jesus passe e se retome a verdadeira história do Mestre de Nazaré.
Quanto ao Priorado de Sião, ligado delirantemente aos Templários, é, na verdade, uma invenção. Afirmam que Da Vinci e o físico Isaac Newton teriam sido seus grãos-mestres. Ora, o que consta é que esse priorado teria surgido na França, na região de Sion, na década de 1950. Será que Da Vinci e o “descobridor” da teoria da gravitação teriam se materializado para assumirem a direção desse priorado? É impressionante!
Por outro lado, dir-se-ia uma coincidência o aparecimento de um evangelho atribuído a Judas no momento em que são lançados o livro e o filme O Código Da Vinci. Tanto o Evangelho Segundo Judas como o referido livro tem o objetivo de obscurecer a importância histórica espiritual de Jesus. Esse evangelho é ainda pior que O Código Da Vinci, porque apresenta um Jesus covarde, que quer sair da vida, mas não tem coragem, solicitando, então, ao apóstolo Judas que o denuncie às autoridades romanas e judaicas, sabendo que ele poderia ser condenado à pena capital. Não parece uma espécie de suicídio? Se esse evangelho for verdadeiro cai por terra toda a grandiosa postura de Jesus sobre a sua missão, a sua vida e a sua morte. Assim, ele não se sacrificou pela humanidade (o que é uma deslavada bobagem), mas se sacrificou em função do seu desejo de se livrar de um corpo grosseiro que o incomodava. Isso quer dizer, em outras palavras, que ele só pensou nele mesmo. Pode? O certo é que querem, a todo custo, denegrir a imagem de Jesus, transformando-o, primeiro, numa espécie de libertino, em que se junta (não há notícia de seu casamento oficial) com Madalena e, depois, numa espécie de suicida. Daí, e conforme os trâmites de sua morte, há de se pensar que ele provocou tudo (independentemente da atitude de Judas) no intuito de que lhe tirassem a vida.
Vejam, queridos internautas, em que palcos de aranha meteram Jesus. Ademais, e diante desses dois monstrengos dos delírios humanos, que virá depois? É capaz de surgir um livro que venderá milhões de exemplares afirmando que Jesus foi um dos maiores trapalhões da História, ou então que ele nunca existiu. O problema é que a Humanidade adora cultuar os medíocres. Pensávamos que isso só acontecesse no Brasil, mas, na verdade, é uma preferência internacional. Como se já não bastassem os coelhos, as capivaras, os tatus, as pacas, as lagartixas e os tamanduás brasileiros, todos acadêmicos, ainda importamos animais de outras plagas (ou pragas?) alienígenas faturando em cima dos adoradores zoológicos milhões de dólares ou euros. Esperamos novos lançamentos sobre as diatribes de Jesus e seus ingênuos apóstolos.
Aguarde os programas Encontro Com a Cultura Espírita dos dias 03 e 10 de junho, quando serão analisadas as questões ligadas ao Código Da Vinci e o pseudo Evangelho segundo Judas.
E também no dia 03 de junho, participe do Encontro de Médiuns, que se realizará no TELMA a partir das 16 horas e onde se discutirá mais aprofundadamente O Código Da Vinci.
Carlos Bernardo Loureiro
10 maio 2010
MECANISMOS DA MENTE
ALMA E CORPO - Aclarando os problemas complexos da alienação mental na maioria dos espíritos desencarnados, pelo menos durante algum tempo, além da morte, vale comentar, ainda que superficialmente, alguns dos experimentos efetuados pela ciência terrestre nos mecanismos nervosos, para que possamos ajuizar da importância da harmonia entre a mente e seu veículo fisiopsicossomático, no plano físico ou extrafísico.
Assemelhando-se no conjunto ao musicista e seu instrumento, alma e corpo hão-de conjugar-se profundamente um com o outro para a execução do trabalho que a vida lhe reserva.
E, sabendo-se que a alma é direção e o corpo obediência, é da Lei Divina que o homem receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou, visto que, nos órgãos de sua manifestação, recolhe as maiores concessões do Criador para que efetive o seu aperfeiçoamento na Criação.
Assim sendo, de seu próprio comportamento retira, nos vastos setores em que se lhe processa a evolução, o bem ou o mal que, lançado ao caminho, estará impondo a si mesmo.
SECÇÃO DA MEDULA - Através de experimentação positiva, conhece a Ciência de hoje a inalienável correlação entre o cérebro e todas as províncias celulares do mundo corpóreo.
Tomando, pois, em nossas anotações, o sistema cerebral por gabinete administrativo da mente, reconheceremos sempre que a conduta do corpo físico está invariavelmente condicionada à conduta do corpo espiritual, como a orientação do corpo espiritual está submetida ao governo de nossa vontade.
Sabemos, assim, que depois de seccionada a medula de um paciente se observa, de imediato, a insensibilidade completa, o relaxamento muscular, a paralisia e a eliminação dos reflexos somáticos e viscerais, em todas as partes que recebem os nervos nascidos abaixo do ponto em que se verifica o prejuízo.
A insensibilidade e a paralisia são decisivas, porquanto procedem da secção dos feixes ascendentes e do feixe piramidal, ou seja, do desligamento das regiões do corpo espiritual correspondentes aos tecidos orgânicos e no cérebro, qual se desse a retirada da força elétrica de determinado setor num campo extenso de ação.
Semelhante desligamento, porém, não se verifica de todo, o que acarretaria, quando em níveis altos, , irreversivelmente, o processo liberatório da alma com a desencarnação. Junções fluídicas sutis permanecem, ativas, entre as células dos implementos físicos e espirituais, como recursos fisiopsicossomático, em ajustes possíveis de emergência. Em razão disso, não obstante a insensibilidade a que nos reportamos, comparável ao "silêncio orgânico", deixado pela execução de uma neurotomia, muitos pacientes se queixam de dor em zonas localizadas para baixo do nível em que se expressou o corte, fenômeno esse perfeitamente atribuível ao contato das células do corpo espiritual com as fibras aferentes que vibram na cadeia simpática, penetrando a medula, acima do ponto molestado.
RECUPERAÇÃO DOS REFLEXOS - Devido, ainda, a esse reajustamento organizado instintivamente entre a alma e o corpo, os reflexos são gradativamente recuperados.
Em condições muito especiais de equilíbrio fisiopsicossomático do enfermo, os reflexos superficiais ressurgem quase sempre em vinte e quatro horas, depois do insulto sofrido, embora os reflexos anal e cremasteriano jamais se percam, insulto esse em que o sinal de Babinski ou extensão dos pedartículos, principalmente do primeiro, não raro acompanhada por determinado grau de contração dos músculos dos joelhos, denuncia a violação do feixe piramidal, equivalente à rutura de ligação das células do corpo espiritual nos implementos nervosos da veste física, assemelhando-se ao curto-circuito da energia elétrica nos condutores ininterruptos que lhe atendem à necessária circulação.
Na generalidade dos casos, porém, os reflexos em pacientes dessa espécie apenas reaparecem com mais vagar, no curso de semanas, tempo indispensável para que as células do corpo espiritual, vencendo as resistências do corpo físico, a ele se reimponham, quanto possível.
MECANISMO DO MONOIDEÍSMO - Em vista disso, se a criatura encarnada pode cair em amnésia ou afasia pela oclusão dos núcleos da memória ou da fala, se desequilíbrio integral da inteligência, a criatura desencarnada pode arrojar-se a frustrações semelhantes, sem perturbação total do pensamento, enquanto se lhe mantenha a distonia.
Segundo critério idêntico, se a habilidade de um homem para manobrar determinado idioma pode cessar numa das subdivisões do núcleo da fala, no córtex, persistindo a habilidade para lidar com idiomas outros, assim também o núcleo da visão profunda, no centro coronário, pode sofrer disfunção específica pela qual um espírito desencarnado contemplará tão somente, por tempo equivalente à perturbação em se encontre, os quadros terríveis que lhe digam respeito 1as culpas contraídas, sem capacidade para observar paisagens de outra espécie; escutará exclusivamente vozes acusadoras que lhe testemunhem os compromissos inconfessáveis, sem possibilidade de ouvir quaisquer outros valores sônicos, tanto quanto poderá recordar apenas acontecimentos que se lhe refiram aos padecimentos morais, com absoluto olvido dos fatos outros, até mesmo daqueles que se relacionem com a sua personalidade, motivo pelo qual se fazem tão raros os processos de perfeita identificação individual, na generalidade das comunicações mediúnicas, com entidades dementadas ou sofredoras, comumente estacionárias no monoideísmo que as isola em tipos exclusivos de recordação ou emoção, de vez que, nessas condições, o pensamento contínuo que lhes flui da mente, em circuito viciado sobre si mesmo, age coagulando ou materializando pesadelos fantásticos, em conexão com as lembranças que albergam.
E esses pesadelos não são realmente meras criações abstratas, porquanto, em fluxo constante, as imagens repetidas, formadas pelas partículas vivas de matéria mental, se articulam em quadros que obedecem também à vitalidade mais ou menos longa do pensamento, justapondo-se às criaturas desencarnadas que lhe dão forma e que, congregando criações do mesmo teor, de outros Espíritos afins, estabelecem, por associações espontâneas, os painéis apavorantes em que a consciência culpada expia, por tempo junto, as conseqüências dos crimes a que se empenhou, prejudicando a harmonia das Leis Divinas e conturbando, concomitantemente, a si mesma.
ZONAS PURGATORIAIS - Obliterando os núcleos energéticos da alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente, pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo, conforme os princípios de responsabilidade a se lhe delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração, em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica, o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa intervenção dos agentes do amor divino que, habitualmente, lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação necessária, pela qual retornará ao aprendizado prático das lições em que faliu.
É dessa forma que os suicidas, com agravantes à frente do Plano Espiritual, como também os delinqüentes de variada categoria, padecem por largo tempo a influência constante das aflitivas criações mentais deles mesmos, a elas aprisionados, pela fixação monoidéica de certos núcleos do corpo espiritual, em detrimento de outros que se mantêm malbaratados e oclusos.
E porque o pensamento é força criativa e aglutinante na criatura consciente em plena Criação, as imagens plasmadas pelo mal, à custa da energia inestancável que lhe constitui atributo inalienável e imanente, servem para a formação das paisagens regenerativas em que a alma alucinada pelos próprios remorsos é detida em sua marcha, ilhando-se nas conseqüências dos próprios delitos, em lugares que, retendo a associação de centenas e milhares de transviados, se transformam em verdadeiros continentes de angústias, filtros de aflição e de dor, em que a loucura ou a crueldade, juguladas pelo sofrimento que geram para si mesmas, se rendem lentamente ao raciocínio equilibrado, para a readmissão indispensável ao trabalho remissor.
(Evolução em Dois Mundos, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, cap. XVI, FEB)
Assemelhando-se no conjunto ao musicista e seu instrumento, alma e corpo hão-de conjugar-se profundamente um com o outro para a execução do trabalho que a vida lhe reserva.
E, sabendo-se que a alma é direção e o corpo obediência, é da Lei Divina que o homem receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou, visto que, nos órgãos de sua manifestação, recolhe as maiores concessões do Criador para que efetive o seu aperfeiçoamento na Criação.
Assim sendo, de seu próprio comportamento retira, nos vastos setores em que se lhe processa a evolução, o bem ou o mal que, lançado ao caminho, estará impondo a si mesmo.
SECÇÃO DA MEDULA - Através de experimentação positiva, conhece a Ciência de hoje a inalienável correlação entre o cérebro e todas as províncias celulares do mundo corpóreo.
Tomando, pois, em nossas anotações, o sistema cerebral por gabinete administrativo da mente, reconheceremos sempre que a conduta do corpo físico está invariavelmente condicionada à conduta do corpo espiritual, como a orientação do corpo espiritual está submetida ao governo de nossa vontade.
Sabemos, assim, que depois de seccionada a medula de um paciente se observa, de imediato, a insensibilidade completa, o relaxamento muscular, a paralisia e a eliminação dos reflexos somáticos e viscerais, em todas as partes que recebem os nervos nascidos abaixo do ponto em que se verifica o prejuízo.
A insensibilidade e a paralisia são decisivas, porquanto procedem da secção dos feixes ascendentes e do feixe piramidal, ou seja, do desligamento das regiões do corpo espiritual correspondentes aos tecidos orgânicos e no cérebro, qual se desse a retirada da força elétrica de determinado setor num campo extenso de ação.
Semelhante desligamento, porém, não se verifica de todo, o que acarretaria, quando em níveis altos, , irreversivelmente, o processo liberatório da alma com a desencarnação. Junções fluídicas sutis permanecem, ativas, entre as células dos implementos físicos e espirituais, como recursos fisiopsicossomático, em ajustes possíveis de emergência. Em razão disso, não obstante a insensibilidade a que nos reportamos, comparável ao "silêncio orgânico", deixado pela execução de uma neurotomia, muitos pacientes se queixam de dor em zonas localizadas para baixo do nível em que se expressou o corte, fenômeno esse perfeitamente atribuível ao contato das células do corpo espiritual com as fibras aferentes que vibram na cadeia simpática, penetrando a medula, acima do ponto molestado.
RECUPERAÇÃO DOS REFLEXOS - Devido, ainda, a esse reajustamento organizado instintivamente entre a alma e o corpo, os reflexos são gradativamente recuperados.
Em condições muito especiais de equilíbrio fisiopsicossomático do enfermo, os reflexos superficiais ressurgem quase sempre em vinte e quatro horas, depois do insulto sofrido, embora os reflexos anal e cremasteriano jamais se percam, insulto esse em que o sinal de Babinski ou extensão dos pedartículos, principalmente do primeiro, não raro acompanhada por determinado grau de contração dos músculos dos joelhos, denuncia a violação do feixe piramidal, equivalente à rutura de ligação das células do corpo espiritual nos implementos nervosos da veste física, assemelhando-se ao curto-circuito da energia elétrica nos condutores ininterruptos que lhe atendem à necessária circulação.
Na generalidade dos casos, porém, os reflexos em pacientes dessa espécie apenas reaparecem com mais vagar, no curso de semanas, tempo indispensável para que as células do corpo espiritual, vencendo as resistências do corpo físico, a ele se reimponham, quanto possível.
MECANISMO DO MONOIDEÍSMO - Em vista disso, se a criatura encarnada pode cair em amnésia ou afasia pela oclusão dos núcleos da memória ou da fala, se desequilíbrio integral da inteligência, a criatura desencarnada pode arrojar-se a frustrações semelhantes, sem perturbação total do pensamento, enquanto se lhe mantenha a distonia.
Segundo critério idêntico, se a habilidade de um homem para manobrar determinado idioma pode cessar numa das subdivisões do núcleo da fala, no córtex, persistindo a habilidade para lidar com idiomas outros, assim também o núcleo da visão profunda, no centro coronário, pode sofrer disfunção específica pela qual um espírito desencarnado contemplará tão somente, por tempo equivalente à perturbação em se encontre, os quadros terríveis que lhe digam respeito 1as culpas contraídas, sem capacidade para observar paisagens de outra espécie; escutará exclusivamente vozes acusadoras que lhe testemunhem os compromissos inconfessáveis, sem possibilidade de ouvir quaisquer outros valores sônicos, tanto quanto poderá recordar apenas acontecimentos que se lhe refiram aos padecimentos morais, com absoluto olvido dos fatos outros, até mesmo daqueles que se relacionem com a sua personalidade, motivo pelo qual se fazem tão raros os processos de perfeita identificação individual, na generalidade das comunicações mediúnicas, com entidades dementadas ou sofredoras, comumente estacionárias no monoideísmo que as isola em tipos exclusivos de recordação ou emoção, de vez que, nessas condições, o pensamento contínuo que lhes flui da mente, em circuito viciado sobre si mesmo, age coagulando ou materializando pesadelos fantásticos, em conexão com as lembranças que albergam.
E esses pesadelos não são realmente meras criações abstratas, porquanto, em fluxo constante, as imagens repetidas, formadas pelas partículas vivas de matéria mental, se articulam em quadros que obedecem também à vitalidade mais ou menos longa do pensamento, justapondo-se às criaturas desencarnadas que lhe dão forma e que, congregando criações do mesmo teor, de outros Espíritos afins, estabelecem, por associações espontâneas, os painéis apavorantes em que a consciência culpada expia, por tempo junto, as conseqüências dos crimes a que se empenhou, prejudicando a harmonia das Leis Divinas e conturbando, concomitantemente, a si mesma.
ZONAS PURGATORIAIS - Obliterando os núcleos energéticos da alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente, pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo, conforme os princípios de responsabilidade a se lhe delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração, em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica, o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa intervenção dos agentes do amor divino que, habitualmente, lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação necessária, pela qual retornará ao aprendizado prático das lições em que faliu.
É dessa forma que os suicidas, com agravantes à frente do Plano Espiritual, como também os delinqüentes de variada categoria, padecem por largo tempo a influência constante das aflitivas criações mentais deles mesmos, a elas aprisionados, pela fixação monoidéica de certos núcleos do corpo espiritual, em detrimento de outros que se mantêm malbaratados e oclusos.
E porque o pensamento é força criativa e aglutinante na criatura consciente em plena Criação, as imagens plasmadas pelo mal, à custa da energia inestancável que lhe constitui atributo inalienável e imanente, servem para a formação das paisagens regenerativas em que a alma alucinada pelos próprios remorsos é detida em sua marcha, ilhando-se nas conseqüências dos próprios delitos, em lugares que, retendo a associação de centenas e milhares de transviados, se transformam em verdadeiros continentes de angústias, filtros de aflição e de dor, em que a loucura ou a crueldade, juguladas pelo sofrimento que geram para si mesmas, se rendem lentamente ao raciocínio equilibrado, para a readmissão indispensável ao trabalho remissor.
(Evolução em Dois Mundos, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, cap. XVI, FEB)
08 maio 2010
O UMBRAL
"O Umbral começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos."
Narra André Luiz: "Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo, dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas, a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.
Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:
- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?
Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.
- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede, sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha
essa bênção indefinidamente adiada.
Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:
- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.
A imagem não podia ser mais clara, mais convincente. Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:
- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos
gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma
sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e vagabundos de várias categorias. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.
Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei, impressionado:
- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização?
Sorriu o interlocutor, esclarecendo:
- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe: - não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário. Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.
- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a esfera dos homens.
- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si. O plano está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está
fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas
e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece.
Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:
- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes o pão espiritual do esclarecimento!
O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:
- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante serviço?"
(Nosso Lar, cap. 12, André Luiz/Chico Xavier, FEB)
Narra André Luiz: "Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo, dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas, a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.
Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:
- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?
Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.
- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede, sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha
essa bênção indefinidamente adiada.
Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:
- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.
A imagem não podia ser mais clara, mais convincente. Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:
- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos
gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma
sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e vagabundos de várias categorias. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.
Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei, impressionado:
- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização?
Sorriu o interlocutor, esclarecendo:
- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe: - não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário. Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.
- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a esfera dos homens.
- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si. O plano está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está
fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas
e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece.
Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:
- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes o pão espiritual do esclarecimento!
O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:
- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante serviço?"
(Nosso Lar, cap. 12, André Luiz/Chico Xavier, FEB)
07 maio 2010
A ARTE LITERÁRIA
Carlos Bernardo Loureiro
Duas eras estabeleceram os fundamentos da Arte Literária, conforme o Prof. Soares Amora (“Teoria da literatura”), citado por Hênio Tavares em sua obra “Teoria Literária”, Editora Bernardo Alvares S/A: a clássica e a moderna. A primeira vai dos sofistas ao século XVIII, e a Segunda do romantismo à atualidade.
Os componentes conceituais da era clássica têm um caráter amplo e são identificados nas obras de Empédocles, Platão, Aristóteles, Plotino, Cícero, Horácio, Sêneca, Quintiliano, Tácito, Longino, Scaligero, Castel-Vetro, Patrizzi, Boileau.
Modernamente, destacam-se os teóricos e críticos literários – Vico, Baum-Garten, Kant, Hegel, De Sanctis, Taine, Bergson e B. Croce.
Eis os conceitos propostos na era clássica:
a)amplo: “A arte literária consiste na realização dos preceitos estéticos da invenção, da disposição e da elocução”.
Essas três operações clássicas da arte de escrever – informa Hênio Tavares – foram criadas pelos sofistas: a invenção trata da escolha do assunto; a disposição encarrega-se de coordená-la numa ordem lógica e atraente, dando ao trabalho movimento de unidade; a elocução prendendo-se à correção, clareza e harmonia de língua, estiliza a obra, proporcionando-lhe forma externa. Destarte, qualquer obra que perfi-lhe tais processos será considerada Literatura seja um livro de poesia ou de filosofia. Depreende-se que esse conceito peca por unilateralidade, omitindo o conteúdo da obra.
b)restrito: “A arte literária é a arte que cria, pela palavra, uma imitação da realidade”. Neste caso, não é a forma, mas a natureza do conteúdo da obra que identifica a arte literária. “A imitação em arte – elucida Hênio Tavares – deriva de atitudes como o Realismo e o Idealismo. O Realismo procura imitar diretamente a natureza, não raro caindo no Naturalismo. Já o Idealismo serve-se da natureza indiretamente, na qual a realidade da natureza contingencial da vida é deformada para melhor ou pior”.
Concluindo
“A arte é portanto imitação, porém recriação da natureza em qualquer sentido”.
Aristóteles já lançava luz sobre o assunto:
“... Aqueles que expõem, através do verso, assuntos de medicina, ou de física, são comumente denominados poetas; entretanto, nada há de comum entre Homero e Empédocles, senão o terem ambos escrito em verso. Desse modo, converia denominar a um, poeta, e a outro, naturalista”.
Na era moderna são propostos os seguintes conceitos:
a)em sentido lato: “A literatura é o conjunto da produção escrita”. O conceito é vago. É, na concepção de alguns críticos, “um vaguíssimo conceito cultural, através do qual todo o conhecimento fosse qual fosse a sua natureza – científica, filosófica ou espiritual -, seria literária”.
Destarte, literatura seria, no sentido amplo (lato sensu), toda e qualquer manifestação do sentimento ou do pensamento por meio da palavra, dando ensejo a que De Bonald a chamasse de “expressão da sociedade “. Depreende-se, desse modo, diz Hênio Tavares, que “qualquer obra em prosa e verso, de conteúdo artístico ou científico, que envolva conhecimento da vida e dos homens, será literatura. Isto explica – conclui – a extensão de certas obras como a histórias da literatura portuguesa e da literatura brasileira, de Teófilo Braga e Silvo Romero, respectivamente”.
A propósito, Wellek e Warren, dão-nos um exemplo na “Introduction to the Literary History of the Fifiteenth, Sixteenth and Seventeenth Centuries”, de Henry Hallam, que consubstancia livros de teologia, de lógica, de jurisprudência, de matemática.
No sentido restrito: “A arte literária é, verdadeiramente, a ficção, a criação de uma supra-realidade com os dados profundos, singulares da intuição do artista”.
A arte é ficção, que pode ser verossímil e inverossímil. A ficção se encontra nos cernes das mais importantes obras literárias. E se constata que a realidade sensível e racional.
“A intuição artística – afirma Soares Amora -, no campo da imaginação, da idealização, dos símbolos, do “supra-realismo”, tem criado obras inteiramente falsas se as quisermos identificar com a realidade sensível e racional, mas verdadeiras como obras de emoção e beleza”.
Cita, à guisa de exemplo, o romance “IRACEMA”, de José de Alencar, “obra falsa do ponto de vista científico (etnográfico), filosófico, histórico; no entanto, profundamente verdadeira do ponto de vista estético, porque comovente e bela”.
O que realmente distingui uma obra de arte é a sua realidade estética, sempre atrelada à concepção de escola: clássica, romântica, realista, simbolista etc.
Dizia, então, Alceu Amororo Lima (“A Estética Literária e o Crítico, 1954). “A palavra, em literatura, não tem o nosso valor da palavra na vida corrente. A palavra, na vida cotidiana ou nas atividades não-literárias (mesmo quando artísticas, de outro gênero) tem valor utilitário. Na literatura tem valor ontológico, se pudermos assim dizer. Sendo arte-de-palavra, faz a literatura de seu meio de expansão seu próprio fim. Quando se abusa desse processo, caímos na má literatura, no verbalismo, simples objeto de uso, simples meio de comunicação”.
Conclui-se, então, que a literatura se baseará tanto no estudo do conteúdo (Gehalt) como nos problemas gerados pela forma (Gestalt).
“Arte literária, finaliza Hênio Tvares, é a ficção ou a criação de uma supra-realidade pela intuição do artista, mediante a palavra expressivamente estilizada”.
A Arte Literária Espírita pode perfeitamente adequar-se a esse processo, conquanto deva preservar as suas intrínsecas e peculiares implicações. O autor espiritual, permiti-nos deduzir, já vivencia, ele próprio, uma supra-realidade, entes jamais cogitada. Os conceitos e valores sofreram, pois, francas e profundas reavaliações. A sua visão de vida e dos problemas da vida é diferenciada, é mais ampla do que ele, por um determinado lapso de tempo vivenciou, e, aí, absorveu uma gama considerável de condicionamentos. A literatura como “ânsia de imortalidade” de Raul Castagnino-in – “qué es Literatura?” É aquele desejo insopitável que reside na ânsia da Espírito humano (ecos palingenésicos), de sobrevivência à morte. Em Arte, esse meio se consubstancia nas idéias de glória, de consagração, de imortalidade, de que dariam imorredouros exemplos um Horácio, um Camões e de tantos outros célebres cultores da Arte, como essência da vida...
Duas eras estabeleceram os fundamentos da Arte Literária, conforme o Prof. Soares Amora (“Teoria da literatura”), citado por Hênio Tavares em sua obra “Teoria Literária”, Editora Bernardo Alvares S/A: a clássica e a moderna. A primeira vai dos sofistas ao século XVIII, e a Segunda do romantismo à atualidade.
Os componentes conceituais da era clássica têm um caráter amplo e são identificados nas obras de Empédocles, Platão, Aristóteles, Plotino, Cícero, Horácio, Sêneca, Quintiliano, Tácito, Longino, Scaligero, Castel-Vetro, Patrizzi, Boileau.
Modernamente, destacam-se os teóricos e críticos literários – Vico, Baum-Garten, Kant, Hegel, De Sanctis, Taine, Bergson e B. Croce.
Eis os conceitos propostos na era clássica:
a)amplo: “A arte literária consiste na realização dos preceitos estéticos da invenção, da disposição e da elocução”.
Essas três operações clássicas da arte de escrever – informa Hênio Tavares – foram criadas pelos sofistas: a invenção trata da escolha do assunto; a disposição encarrega-se de coordená-la numa ordem lógica e atraente, dando ao trabalho movimento de unidade; a elocução prendendo-se à correção, clareza e harmonia de língua, estiliza a obra, proporcionando-lhe forma externa. Destarte, qualquer obra que perfi-lhe tais processos será considerada Literatura seja um livro de poesia ou de filosofia. Depreende-se que esse conceito peca por unilateralidade, omitindo o conteúdo da obra.
b)restrito: “A arte literária é a arte que cria, pela palavra, uma imitação da realidade”. Neste caso, não é a forma, mas a natureza do conteúdo da obra que identifica a arte literária. “A imitação em arte – elucida Hênio Tavares – deriva de atitudes como o Realismo e o Idealismo. O Realismo procura imitar diretamente a natureza, não raro caindo no Naturalismo. Já o Idealismo serve-se da natureza indiretamente, na qual a realidade da natureza contingencial da vida é deformada para melhor ou pior”.
Concluindo
“A arte é portanto imitação, porém recriação da natureza em qualquer sentido”.
Aristóteles já lançava luz sobre o assunto:
“... Aqueles que expõem, através do verso, assuntos de medicina, ou de física, são comumente denominados poetas; entretanto, nada há de comum entre Homero e Empédocles, senão o terem ambos escrito em verso. Desse modo, converia denominar a um, poeta, e a outro, naturalista”.
Na era moderna são propostos os seguintes conceitos:
a)em sentido lato: “A literatura é o conjunto da produção escrita”. O conceito é vago. É, na concepção de alguns críticos, “um vaguíssimo conceito cultural, através do qual todo o conhecimento fosse qual fosse a sua natureza – científica, filosófica ou espiritual -, seria literária”.
Destarte, literatura seria, no sentido amplo (lato sensu), toda e qualquer manifestação do sentimento ou do pensamento por meio da palavra, dando ensejo a que De Bonald a chamasse de “expressão da sociedade “. Depreende-se, desse modo, diz Hênio Tavares, que “qualquer obra em prosa e verso, de conteúdo artístico ou científico, que envolva conhecimento da vida e dos homens, será literatura. Isto explica – conclui – a extensão de certas obras como a histórias da literatura portuguesa e da literatura brasileira, de Teófilo Braga e Silvo Romero, respectivamente”.
A propósito, Wellek e Warren, dão-nos um exemplo na “Introduction to the Literary History of the Fifiteenth, Sixteenth and Seventeenth Centuries”, de Henry Hallam, que consubstancia livros de teologia, de lógica, de jurisprudência, de matemática.
No sentido restrito: “A arte literária é, verdadeiramente, a ficção, a criação de uma supra-realidade com os dados profundos, singulares da intuição do artista”.
A arte é ficção, que pode ser verossímil e inverossímil. A ficção se encontra nos cernes das mais importantes obras literárias. E se constata que a realidade sensível e racional.
“A intuição artística – afirma Soares Amora -, no campo da imaginação, da idealização, dos símbolos, do “supra-realismo”, tem criado obras inteiramente falsas se as quisermos identificar com a realidade sensível e racional, mas verdadeiras como obras de emoção e beleza”.
Cita, à guisa de exemplo, o romance “IRACEMA”, de José de Alencar, “obra falsa do ponto de vista científico (etnográfico), filosófico, histórico; no entanto, profundamente verdadeira do ponto de vista estético, porque comovente e bela”.
O que realmente distingui uma obra de arte é a sua realidade estética, sempre atrelada à concepção de escola: clássica, romântica, realista, simbolista etc.
Dizia, então, Alceu Amororo Lima (“A Estética Literária e o Crítico, 1954). “A palavra, em literatura, não tem o nosso valor da palavra na vida corrente. A palavra, na vida cotidiana ou nas atividades não-literárias (mesmo quando artísticas, de outro gênero) tem valor utilitário. Na literatura tem valor ontológico, se pudermos assim dizer. Sendo arte-de-palavra, faz a literatura de seu meio de expansão seu próprio fim. Quando se abusa desse processo, caímos na má literatura, no verbalismo, simples objeto de uso, simples meio de comunicação”.
Conclui-se, então, que a literatura se baseará tanto no estudo do conteúdo (Gehalt) como nos problemas gerados pela forma (Gestalt).
“Arte literária, finaliza Hênio Tvares, é a ficção ou a criação de uma supra-realidade pela intuição do artista, mediante a palavra expressivamente estilizada”.
A Arte Literária Espírita pode perfeitamente adequar-se a esse processo, conquanto deva preservar as suas intrínsecas e peculiares implicações. O autor espiritual, permiti-nos deduzir, já vivencia, ele próprio, uma supra-realidade, entes jamais cogitada. Os conceitos e valores sofreram, pois, francas e profundas reavaliações. A sua visão de vida e dos problemas da vida é diferenciada, é mais ampla do que ele, por um determinado lapso de tempo vivenciou, e, aí, absorveu uma gama considerável de condicionamentos. A literatura como “ânsia de imortalidade” de Raul Castagnino-in – “qué es Literatura?” É aquele desejo insopitável que reside na ânsia da Espírito humano (ecos palingenésicos), de sobrevivência à morte. Em Arte, esse meio se consubstancia nas idéias de glória, de consagração, de imortalidade, de que dariam imorredouros exemplos um Horácio, um Camões e de tantos outros célebres cultores da Arte, como essência da vida...
05 maio 2010
DESENCARNAÇÃO DO ESPÍRITO
"Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder
a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da
desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico." - André Luiz
Apenas quando os acontecimentos da morte se realizam, é que a criatura humana desencarnada, plenamente renovada em si mesma, abandona o veículo carnal a que se jungia; contudo, muitas vezes aprisionada ao casulo dos seus pensamentos dominantes, quando não trabalhou para renovar-se, nos recessos do espírito, passa a revela-se em novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos com que atender à própria alimentação, equivalentes às trompas fluidico-magnéticas de sucção, embora sem perder de modo algum o aparelho bucal que nos é característico, salientando-se, aliás, que semelhantes trompas ou antenas de matéria sutil estão patentes nas criaturas encarnadas, a se lhes expressarem na aura comum, como radículas alongadas de essência dinâmica, exteriorizando-lhes as radiações específicas, trompas ou antenas essas pelas quais assimilamos ou repelimos as emanações das coisas e dos seres que nos cercam, tanto quanto as irradiações de nós mesmos, uns para com os outros.
CONTINUAÇÃO DA EXISTÊNCIA - Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico.
Perceberemos, desse modo, que a existência da criatura, na reencarnação, substancializa-se não apenas na Terra, onde atende à plantação dos sentimentos, palavras, atitudes e ações com que se caracteriza, mas também no Mundo Espiritual, onde incorpora a si mesma a colheita da sementeira praticada no campo físico, pelo desdobramento do aprendizado com que entesoura as experiências necessárias à sublime ascensão a que se destina.
LEI DE CAUSA E EFEITO - Encetando, pois, a a sua iniciação no plano espiritual, de consciência desperta e responsável, o homem começa a penetrar na essência da lei de causa e efeito, encontrando em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimente das próprias ações.
Quando dilacerado e desditoso, grita a própria aflição, ao longo dos largos continentes do Espaço Cósmico, reunindo-se a outros culpados do mesmo jaez, com os quais permuta os quadros inquietantes da imaginação em desvario, tecendo, com o plasma sutil do pensamento contínuo e atormentado, as telas infernais em que as consequências de suas faltas se desenvolvem, mediante as profundas e estranhas fecundações de loucura e sofrimento que antecedem as reencarnações reparadoras; contudo, é também aí que começa, sobrepairando o inferno e o purgatório do remorso e da crueldade, da rebelião e da delinquência, o sublime apostolado dos seres que se colocam em harmonia com as Leis Divinas, almas elevadas e heróicas que, em se agrupando intimamente, tocas de compaixão pelos laços que deixaram no mundo físico, iniciam, com a inspiração das Potências Angélicas, o serviço de abnegação e renúncia, com que a glória e a divindade do amor edificam o império do Sumo Bem, no chamado Céu, de onde vertem mais ampla luz sobre a noite dos homens.
(Evolução em Dois Mundos, XII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da
desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico." - André Luiz
Apenas quando os acontecimentos da morte se realizam, é que a criatura humana desencarnada, plenamente renovada em si mesma, abandona o veículo carnal a que se jungia; contudo, muitas vezes aprisionada ao casulo dos seus pensamentos dominantes, quando não trabalhou para renovar-se, nos recessos do espírito, passa a revela-se em novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos com que atender à própria alimentação, equivalentes às trompas fluidico-magnéticas de sucção, embora sem perder de modo algum o aparelho bucal que nos é característico, salientando-se, aliás, que semelhantes trompas ou antenas de matéria sutil estão patentes nas criaturas encarnadas, a se lhes expressarem na aura comum, como radículas alongadas de essência dinâmica, exteriorizando-lhes as radiações específicas, trompas ou antenas essas pelas quais assimilamos ou repelimos as emanações das coisas e dos seres que nos cercam, tanto quanto as irradiações de nós mesmos, uns para com os outros.
CONTINUAÇÃO DA EXISTÊNCIA - Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico.
Perceberemos, desse modo, que a existência da criatura, na reencarnação, substancializa-se não apenas na Terra, onde atende à plantação dos sentimentos, palavras, atitudes e ações com que se caracteriza, mas também no Mundo Espiritual, onde incorpora a si mesma a colheita da sementeira praticada no campo físico, pelo desdobramento do aprendizado com que entesoura as experiências necessárias à sublime ascensão a que se destina.
LEI DE CAUSA E EFEITO - Encetando, pois, a a sua iniciação no plano espiritual, de consciência desperta e responsável, o homem começa a penetrar na essência da lei de causa e efeito, encontrando em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimente das próprias ações.
Quando dilacerado e desditoso, grita a própria aflição, ao longo dos largos continentes do Espaço Cósmico, reunindo-se a outros culpados do mesmo jaez, com os quais permuta os quadros inquietantes da imaginação em desvario, tecendo, com o plasma sutil do pensamento contínuo e atormentado, as telas infernais em que as consequências de suas faltas se desenvolvem, mediante as profundas e estranhas fecundações de loucura e sofrimento que antecedem as reencarnações reparadoras; contudo, é também aí que começa, sobrepairando o inferno e o purgatório do remorso e da crueldade, da rebelião e da delinquência, o sublime apostolado dos seres que se colocam em harmonia com as Leis Divinas, almas elevadas e heróicas que, em se agrupando intimamente, tocas de compaixão pelos laços que deixaram no mundo físico, iniciam, com a inspiração das Potências Angélicas, o serviço de abnegação e renúncia, com que a glória e a divindade do amor edificam o império do Sumo Bem, no chamado Céu, de onde vertem mais ampla luz sobre a noite dos homens.
(Evolução em Dois Mundos, XII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
04 maio 2010
INVASÃO MICROBIANA
A invasão microbiana está vinculada a causas espirituais?
Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de rutura na harmonia celular.
Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna passível de invasão microbiana, qual praça desguarnecida, porque as sentinelas naturais não dispõem de bases necessárias à ação regeneradora que lhes compete, permanecendo, muitas vezes, em derredor do ponto lesado, buscando delimitar-lhe a presença ou jugulhar-lhe a expansão.
Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que, nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios X ou de irradiações ultravioleta, em aplicações impróprias. Emerge, então, a moléstia por estado secundário, em largos processos de desgaste ou devastação, pela desarmonia a que compele a usina orgânica, a esgotar-se, debalde, na tarefa ingente da própria reabilitação, no plano carnal, quando o enfermo, sem atitude de renovação moral, sem humildade e paciência, espírito de serviço e devotamento ao bem, não consegue assimilar as correntes benéficas do Amor Divino que circulam, incessantes, em torno de todas as criaturas, por intermédio de agentes distintos e inumeráveis, a todas estimulando, para o máximo aproveitamento na Terra.
Quando o doente, porém, adota comportamento favorável a si mesmo, pela simpatia que instila no próximo, as forças físicas encontram sólido apoio nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo circunscrever a disfunção aos neoplasmas benignos, que ainda respondem à influência organizadora dos tecidos adjacentes.
Sob o mesmo princípio de relatividade, a funcionar, inequívoco, entre doença e doente, temos a incursão da tuberculose e da lepra, da brucelose e da amebíase, da endocardite bacteriana e da cardiopatia chagásica, e de muitas outras enfermidades, sem nos determos na discriminação de todos os processos morbosos, cuja relação nos levaria a longo estudo técnico.
É que, geralmente, quase todos eles surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem ruturas ou soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que sejamos mais particularmente inclinados pela natureza de nossas contas cármicas.
Consolidado o ataque, pela brecha de nossa vulnerabilidade, aparecem as moléstias sintomáticas ou assintomáticas, estabilizando-se ou irradiando-se, conforme as disposições da própria mente, que trabalha ou não para refazer a defensiva orgânica em supremo esforço de reajuste, ou que, por automatismo, admite ou recusa, segundo a posição em que se encontra no princípio de causa e efeito, a intromissão desse ou daquele fator patogênico, destinado a expungir dela, em forma de sofrimento, os resíduos do mal, correspondentes ao sofrimento por ela implantado na vida ou no corpo dos semelhantes.
Não será lícito, porém, esquecer que o bem constante gera o bem constante e, que, mantida a nossa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxilio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental.
Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo porque os princípios de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça, crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos o poder da mente na auto-defensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus.
(Evolução em Dois Mundos, parte II, cap. XX, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de rutura na harmonia celular.
Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna passível de invasão microbiana, qual praça desguarnecida, porque as sentinelas naturais não dispõem de bases necessárias à ação regeneradora que lhes compete, permanecendo, muitas vezes, em derredor do ponto lesado, buscando delimitar-lhe a presença ou jugulhar-lhe a expansão.
Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que, nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios X ou de irradiações ultravioleta, em aplicações impróprias. Emerge, então, a moléstia por estado secundário, em largos processos de desgaste ou devastação, pela desarmonia a que compele a usina orgânica, a esgotar-se, debalde, na tarefa ingente da própria reabilitação, no plano carnal, quando o enfermo, sem atitude de renovação moral, sem humildade e paciência, espírito de serviço e devotamento ao bem, não consegue assimilar as correntes benéficas do Amor Divino que circulam, incessantes, em torno de todas as criaturas, por intermédio de agentes distintos e inumeráveis, a todas estimulando, para o máximo aproveitamento na Terra.
Quando o doente, porém, adota comportamento favorável a si mesmo, pela simpatia que instila no próximo, as forças físicas encontram sólido apoio nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo circunscrever a disfunção aos neoplasmas benignos, que ainda respondem à influência organizadora dos tecidos adjacentes.
Sob o mesmo princípio de relatividade, a funcionar, inequívoco, entre doença e doente, temos a incursão da tuberculose e da lepra, da brucelose e da amebíase, da endocardite bacteriana e da cardiopatia chagásica, e de muitas outras enfermidades, sem nos determos na discriminação de todos os processos morbosos, cuja relação nos levaria a longo estudo técnico.
É que, geralmente, quase todos eles surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem ruturas ou soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que sejamos mais particularmente inclinados pela natureza de nossas contas cármicas.
Consolidado o ataque, pela brecha de nossa vulnerabilidade, aparecem as moléstias sintomáticas ou assintomáticas, estabilizando-se ou irradiando-se, conforme as disposições da própria mente, que trabalha ou não para refazer a defensiva orgânica em supremo esforço de reajuste, ou que, por automatismo, admite ou recusa, segundo a posição em que se encontra no princípio de causa e efeito, a intromissão desse ou daquele fator patogênico, destinado a expungir dela, em forma de sofrimento, os resíduos do mal, correspondentes ao sofrimento por ela implantado na vida ou no corpo dos semelhantes.
Não será lícito, porém, esquecer que o bem constante gera o bem constante e, que, mantida a nossa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxilio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental.
Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo porque os princípios de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça, crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos o poder da mente na auto-defensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus.
(Evolução em Dois Mundos, parte II, cap. XX, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
SEXO E CORPO ESPIRITUAL
"Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios." - André Luiz, sobre o capítulo em foco.
HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE - Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por milênios e milênios, 0 princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como, por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos.
Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozóides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.
Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica, entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos.
Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-Ihe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.
HERMAFRODITISMO POTENCIAL - Gradativamente, aparecem novos fatores de diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como podemos identificar, ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder.
Se extirparmos o testículo, ovário atrofiado começa a funcionar, por atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num ovário adulto.
ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento de galinhas adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se retirarmos o ovário esquerdo, também consideravelmente desenvolvido, o ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos estrogênios do ovário esquerdo.
Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.
Registramos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências psíquicas, nos domínios da reencarnação, apenas os caracteres morfológicos dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra bipotencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, Segundo as disposições psíquicas da personalidade.
AÇÃO DOS HORMÔNIOS - Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores até o homem, conforme a posição da mente a que serve, determina mais ampla riqueza hormonal.
As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue, hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da constituição química, em que se expressam, o núcleo ciclo-pentano-peridrofenantreno, filiando-se ao grupo dos esteróis.
Os hormônios estrogênios, oriundos do ovário, mantém os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina.
Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influencia de modo mais amplo.
Ainda em razão do mesmo principio que lhes vige na formação, pelo qual obedecem à vibrac5es incessantes do campo mental, os hormônios não se armazenam: transformam-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos movimentos excretórios.
Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e, mecanismos de que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas, sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades mais intimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios exibem efeitos relativamente específicos.
Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios que lhe correspondem.
Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual especifica do testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada, refletindo os estados da mente, herdeira direta de experiências inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se afirmem com atividade especifica intensa, em determinados acontecimentos realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto.
Esses são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos hormônios.
ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL - Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veiculo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.
E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nos ainda inabordáveis da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução, ao modo de núcleos e elétrons na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos da imensidade.
Por ele, as criaturas transitam de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito ou cumprindo instruções especiais com fins de trabalho justo.
O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consci6encias encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.
POLIGAMIA E MONOGAMIA - 0 instinto sexual, então, a desvairar-se na poligamia, traça para Si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos
Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos Superiores.
0 instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa senão em contacto com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo emotivo, solicita compensação de forca igual, na escala das vibrações magnéticas.
Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forcas, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.
ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL - As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro intimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom-senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito A face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem 0oprogresso no tempo.
Dai nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a "histeria de conversão", a "histeria de angustia", os "desvios da libido", a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.
Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicossomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a soluciona-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre as fronteiras domesticas, todos aqueles que constituímos credores do nosso amor e da nossa renuncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.
Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecera dele, desarmonizando-lhe as forcas, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.
(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE - Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por milênios e milênios, 0 princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como, por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos.
Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozóides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.
Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica, entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos.
Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-Ihe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.
HERMAFRODITISMO POTENCIAL - Gradativamente, aparecem novos fatores de diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como podemos identificar, ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder.
Se extirparmos o testículo, ovário atrofiado começa a funcionar, por atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num ovário adulto.
ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento de galinhas adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se retirarmos o ovário esquerdo, também consideravelmente desenvolvido, o ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos estrogênios do ovário esquerdo.
Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.
Registramos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências psíquicas, nos domínios da reencarnação, apenas os caracteres morfológicos dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra bipotencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, Segundo as disposições psíquicas da personalidade.
AÇÃO DOS HORMÔNIOS - Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores até o homem, conforme a posição da mente a que serve, determina mais ampla riqueza hormonal.
As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue, hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da constituição química, em que se expressam, o núcleo ciclo-pentano-peridrofenantreno, filiando-se ao grupo dos esteróis.
Os hormônios estrogênios, oriundos do ovário, mantém os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina.
Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influencia de modo mais amplo.
Ainda em razão do mesmo principio que lhes vige na formação, pelo qual obedecem à vibrac5es incessantes do campo mental, os hormônios não se armazenam: transformam-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos movimentos excretórios.
Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e, mecanismos de que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas, sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades mais intimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios exibem efeitos relativamente específicos.
Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios que lhe correspondem.
Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual especifica do testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada, refletindo os estados da mente, herdeira direta de experiências inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se afirmem com atividade especifica intensa, em determinados acontecimentos realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto.
Esses são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos hormônios.
ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL - Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veiculo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.
E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nos ainda inabordáveis da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução, ao modo de núcleos e elétrons na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos da imensidade.
Por ele, as criaturas transitam de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito ou cumprindo instruções especiais com fins de trabalho justo.
O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consci6encias encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.
POLIGAMIA E MONOGAMIA - 0 instinto sexual, então, a desvairar-se na poligamia, traça para Si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos
Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos Superiores.
0 instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa senão em contacto com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo emotivo, solicita compensação de forca igual, na escala das vibrações magnéticas.
Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forcas, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.
ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL - As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro intimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom-senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito A face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem 0oprogresso no tempo.
Dai nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a "histeria de conversão", a "histeria de angustia", os "desvios da libido", a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.
Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicossomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a soluciona-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre as fronteiras domesticas, todos aqueles que constituímos credores do nosso amor e da nossa renuncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.
Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecera dele, desarmonizando-lhe as forcas, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.
(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
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