21 junho 2011

A GRANDE CONTRIBUIÇÃO DE JAN HUSS


Jornal Mundo Espírita - Janeiro de 1999

Gravura de Jan Hus extraída da Enciclopédia Britânica Mirador InternacionalSegundo os anais espíritas fidedignos, Allan Kardec (1804 -1869), o Codificador do Espiritismo, foi a reencarnação de Jan Huss (1369 -1415).

Através dos grupos de estudos das sociedades espíritas e nos livros doutrinários, já sabemos alguma coisa sobre o mestre lyonês, que brilhantemente nos legou a veneranda Doutrina Espírita, juntamente com os Espíritos Superiores da Codificação. Mas quem foi Jan Huss? O que sabemos realmente dele? Quem foi aquele Espírito tão lutador que, de alguma maneira, não somente foi precursor da Reforma protestante, senão também foi precursor e modelador da personalidade do ínclito Allan Kardec, pseudônimo do insigne professor Hippolyte Léon Denizard Rivail? Qual a sua grande contribuição na História da Humanidade?

Nas próximas linhas procuraremos, sinteticamente, adentrar-nos na vida desse glorioso mártir, ainda que em poucas pinceladas extraídas de enciclopédias (1) e da literatura espírita doutrinária (2).

Jan Huss, ou Jean Hus foi sacerdote tcheco, mártir e precursor da Reforma protestante. Nasceu em Husinec (de onde tirou o seu nome), Boêmia, em 1369 (Allan Kardec desencarnou exatamente 500 anos após, em 1869) e morreu em Constança, em 6 de julho de 1415, queimado vivo pela «Santa Inquisição».

Filho de pais camponeses, completou o seu curso na Universidade de Praga, onde se formou como bacharel em Teologia (1394) e em Artes (1396).

Assinava Jan de Husinec, e por abreviatura, Hus, que em tcheco quer dizer ganso ou pato.

Trabalhou na fixação da ortografia e na reforma da língua literária tcheca (lembremos, por um instante, do trabalho pedagógico e educativo desenvolvido pelo emérito professor Hippolyte Léon Denizard Rivail).

Em 1400 foi ordenado sacerdote e no ano seguinte passou a ocupar o cargo de Reitor da Universidade, quando se aproximou da obra do reformador inglês John Wycliffe, passando a considerar-se teologicamente seu discípulo. No ano seguinte (1401), tornou-se pregador da Capela de Belém, em Praga, capital da Boêmia, e tinha o apoio do Arcebispo.

DOUTRINA - Como Wycliffe, Huss não aceitava a supremacia papal, mas a doutrina de que o Cristo e não Pedro era o chefe e cabeça da Igreja, considerando o Evangelho como «única Lei». Seu pensamento sobre a Igreja era influenciado fortemente por Agostinho.

DISCÍPULO DE WYCLIFFE - Foi dito, há pouco, que Huss considerava-se teologicamente discípulo de Wycliffe. Mas, quem foi Wycliffe? John Wycliffe era professor da Universidade de Oxford, e atualmente é considerado um dos grandes sábios de sua época; foi discípulo de Ockham, adversário da supremacia do Papa.

Ele aproveitava habilmente as fraquezas do clero para ridicularizá-las. Apoiou o Parlamento, que recusou o tributo ao Papa, e a Lancastre, que propunha se retirassem os benefícios dos Bispos. Escreveu a obra De Domínio Divino, onde provava que a autoridade é Deus. Entre seus princípios estabelecia que as relações de Deus para com os homens eram diretas: não eram necessários os intermediários, e isso era um golpe contra Roma. Foi trazido à corte eclesiástica de S. Paulo e teve Lancastre a seu lado, como defensor. Achava mais, que os eclesiásticos deviam ser submetidos ao tribunal civil.

Atacou e ironizou os perdões, indulgências, absolvições, peregrinações, cultos de santos, etc. Mais hábil que João Huss, não se deixou apanhar em qualquer armadilha, e por isso Roma teve o desgosto de não o poder levar a fogueira. Morreu tranqüilamente, depois de um ataque de paralisia.

A luta pela liberdade religiosa

A Capela de Belém, onde Jan Huss pregava, fora fundada para que nela se falasse em tcheco. Antes disso somente podia falar-se em latim. A Igreja, então, ocupava lugar excepcional na Boêmia; a sua opulência e os privilégios de que gozava produziram o enfraquecimento das regras canônicas e da moral. Praga revoltou-se contra os abusos eclesiásticos. Destarte, as preocupações de uma reforma religiosa juntaram-se às reivindicações nacionais. Até na doutrina religiosa havia hostilidade entre alemães e boêmios.

Huss era francamente pela reforma e pela preponderância nacional da Boêmia, embora sem entrar em conflito com as autoridades eclesiásticas. Chegou, mesmo, a ser nomeado pregador sinodal, com o mandato de protestar contra os desregramentos do clero.

Mais tarde, ele desmascarava a velhacaria dos que atraiam a Wilsnack numerosos peregrinos, e, de acordo com o Arcebispo, publicou um tratado, onde desenvolvia a tese de que um cristão não deve correr atrás de milagres.

Pouco depois, suas relações com o Arcebispo começam a esfriar; o clero irritava-se contra as suas acusações e, afinal, retiraram-lhe o cargo de pregador sinodal.

A rainha Sofia, entretanto, gostava de ouvi-lo. Surge dai um conflito político e religioso, e João Huss aparece como o chefe do partido nacional.

Aos poucos, suas críticas ao clero foram evidenciando suas simpatias para com a doutrina de Wycliffe, e a oposição cresceu contra ele, sendo excomungado em 1410. O resultado disso foi um grande tumulto popular em Praga, quando Huss, com o apoio do rei Venceslau, foi festejado como herói nacional.

O rei Vaclav, filho de Carlos IV, decidira-se pela neutralidade entre os dois papas que, na época, pretendiam chefiar o mundo cristão. Pediu à Universidade uma decisão a respeito. Os alemães eram partidários de Gregório XII e possuíam três votos, como representantes de três nações polonesas, e a Tcheca um voto só. Por instigação de Huss, o rei modificou os Estatutos, ficando a Tcheca com os três votos e os outros com um. Mas, cerca de 5.000 alemães, professores e alunos, deixaram Praga. Huss foi, então, nomeado Reitor da Universidade, que se tornou inteiramente eslava.

Ora, o Arcebispo, que era por Gregório XII, acusou Huss de heresia wyclifita e transmitiu sua queixa a Alexandre II, eleito pelo Concílio de Pisa. O Papa, então, pela bula de 1409, exigiu a retratação dos erros wyclifitas, a apreensão dos livros de Wycliffe e a interdição de se pregar em igrejas que não fossem as antigas.

Huss apelou, mas o Arcebispo fez queimar os escritos de Wycliffe e excomungou os seus partidários. Mas o clero inferior, a Universidade, o povo e o rei ficaram com João Huss. Continuaram as prédicas na Capela de Belém, apesar da bula, e ninguém se incomodou com o interdito contra Praga. Numa segunda fase da luta, entra diretamente em cena o Papa João XXIII, que sucedeu a Alexandre V.

O tráfico das indulgências e a política guerreira do Papa escandalizaram Huss e seus partidários, embora alguns recuassem, com receio da autoridade papal. Huss, porém, sustentava que o perdão dos pecados só se poderia obter por contrição e penitência sincera, e nunca por dinheiro; que nem o Papa, nem qualquer sacerdote, poderiam levantar a espada em nome da Igreja; que a infalibilidade do Papa era uma blasfêmia.

Houve o discurso inflamado de Jerônimo de Praga, cortejos satíricos, onde se ridicularizava a Igreja Oficial. O rei de Nápoles estabeleceu a pena de morte para quem ofendesse o Papa, e logo três moços foram decapitados. Os hussitas os enterraram solenemente e Huss lhes fez o necrológio.

O Papa ameaçou a Boêmia de excomunhão, e Venceslau aconselhou Huss, novamente excomungado, a deixar a capital em 1412, ao que Huss obedeceu. Entrementes, o imperador Sigismundo, irmão de Venceslau, da Boêmia, entendia-se com João XXIII, para convocar o Concílio de Constança, de cujo programa constava a pacificação religiosa da Boêmia.

Sigismundo prometeu a Huss um salvo-conduto, se consentisse em comparecer ao Concílio de Constança (1414). Huss acedeu. Diante da promessa veio a Praga e se pôs em caminho. Em Constança recebeu o dito salvo-conduto onde se dizia que ele podia transire, stare, morari et redire libere.

Mas, com o pretexto de que ele queria retirar-se, prenderam-no e internaram-no no Convento dos Dominicanos, em infecto recinto. Instauraram-lhe um processo; o ato da acusação coube a Etienne Palec. Começara a sua via-crucis.

Ficou sob a guarda do Bispo de Constança, e o transferiram, como medida de maior segurança, para o torreão do Castelo de Gottlieben, onde foi encadeado, e assim perma-neceu dia e noite. Daí vai para o Convento dos Franciscanos.

O Concílio condena as teorias de Wycliffe. Depois, apresentam a Huss o seu tratado De Ecclesia; ele nem pode defender-se, porque vozes exasperadas o interrompem e abafam a sua.

Voltou-se ao exame do tratado De Ecclesia; Huss, porém, manteve a doutrina de que apenas o Cristo e não Pedro era o chefe da Igreja, e resistiu às promessas e ameaças que lhe fizeram. Logo João Huss percebeu a sorte que o aguardava; cheio de pena pelos inimigos, escreve cartas de reconhecimento pela amizade que lhe devotaram, e aos amigos, animando-os, por se terem conservado fiéis à verdade.

A 6 de julho de 1415 é proclamada a condenação de João Huss e logo executada. Foi degradado e lhe fizeram um chapéu de papel, onde se lia esta inscrição: Hic est hoere siarcha (Eis o herege). Conduzido a um terreno vazio, despiram-no, amarraram-no a um poste, ajuntaram lenha em torno e lhe puseram fogo. Ouviram-no cantar a litania -Christo, Fili Dei vivi, miserere nobis.

Quando ia entoar a segunda linha - pai natas es ex Maria -, foi envolvido inteiramente pelas chamas e pela fumaça e a voz morreu-lhe na garganta. Suas cinzas foram lançadas ao Reno.

E assim pereceu queimado, aos 46 anos, quem pregou contra a injustiça, a venalidade e a insinceridade, tendo enfrentado a morte com grande coragem.

Dizem os historiadores que ele era uma alma sensível, piedosa, pura, honesta, só se deixando dominar pelo que lhe parecia justo e verdadeiro. E, ainda, que sua vida anuncia uma era nova, onde se imporão os direitos religiosos da consciência individual.

Dava grande importância à lei do Cristo, pregando que a verdadeira Igreja era aquela de que o Cristo era o chefe autêntico. Como pregador, a clareza de sua inteligência e a lógica de sua argumentação (Allan Kardec tinha essas virtudes bem ressaltadas, sendo chamado, por Camille Flammarion, o bom senso encarnado) produziam uma forte impressão em todos os que o ouviam.

Um ano após o martírio de Jan Huss, um discípulo seu também era imolado na fogueira da Inquisição: Jerônimo de Praga (1416).

Para concluir, lembramo-nos, emocionados, duma passagem contada pelo prestigioso médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco, sobre a morte de Jan Huss, extraída da sua conferência «Deus tem pressa», dizendo que, enquanto seu corpo queimava na fogueira, Jan Huss teria proferido a seguinte frase, antes de morrer cantando:«Hoje vós assais um pato, mas dia virá em que o cisne de luz voará tão alto, que as vossas labaredas não mais alcançarão. Séculos depois Jan Huss volta como Allan Kardec...»

Fontes:

1 - «Enciclopédia Britânica Mirador Internacional» e «Grande Enciclopédia Larousse Cultural».

2 - «A Missão de Allan Kardec», de Carlos Imbassahy, edição da FEP.

* FOTO - Gravura de Jan Hus extraída da Enciclopédia Britânica Mirador Internacional.

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1999)

18 junho 2011

O CÉU E O INFERNO



Allan Kardec apresenta a verdadeira face do desejado Céu, do temido Inferno, como também do chamado Purgatório. Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo no universo evolui.

Lendo-se este livro com atenção vê-se que a sua estrutura corresponde a um verdadeiro processo de julgamento. Na primeira parte temos a exposição dos fatos que o motivaram e a apreciação judiciosa, sempre serena, dos seus vários aspectos, com a devida acentuação dos casos de infração da lei. Na segunda parte o depoimento das testemunhas. Cada uma delas caracteriza-se por sua posição no contexto processual. E diante dos confrontos necessários o juiz pronuncia a sua sentença definitiva, ao mesmo tempo enérgica e tocada de misericórdia. Estamos ante um tribunal divino.

Os homens e suas instituições são acusados e pagam pelo que devem, mas agravantes e atenuantes são levados em consideração à luz de um critério superior.

A 30 de Setembro de 1863, como se pode ver em Obras Póstumas, Kardec recebeu dos Espíritos Superiores este aviso: "Chegou a hora de a Igreja prestar contas do depósito que lhe foi confiado, da maneira como praticou os ensinamentos do Cristo, do uso que fez de sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade a que conduziu os espíritos". Esse julgamento começava com a preliminar constituída pelo Evangelho Segundo o Espiritismo e devia continuar com O Céu e o Inferno. Dentro de dois anos, em seu número de Setembro de 1865, a Revista Espírita publicaria em sua seção bibliográfica a notícia do lançamento do quarto livro de Codificação Espírita: O Céu e o Inferno. Faltava apenas A Gênese para completar a obra da Codificação da III Revelação.

Dois capítulos de O Céu e o Inferno foram publicados antecipadamente na Revista: o capítulo intitulado Da apreensão da morte, vigorosa peça de acusação, no número de Janeiro de 1865, e o capítulo Onde é o Céu, no número de Março do mesmo ano. Apareceram ambos como se fossem simples artigos para a Revista, mas o último trazia uma nota final anunciando que ambos pertenciam a uma "nova obra que o Sr. Allan Kardec publicará proximamente". Em Setembro a obra já aparece anunciada como à venda.

Kardec declara que, não podendo elogiá-la nem criticá-la, a Revista se limitava a publicar um resumo do seu prefácio, revelando o seu conteúdo. Os capítulos antecipadamente publicados aparecem, o primeiro com o mesmo título com que saíra e o segundo com o título reduzido para O Céu.

Estava dado o golpe de misericórdia nos dogmas fundamentais da teologia do cristianismo formalista, tipo inegável de sincretismo religioso com que o Cristianismo verdadeiro, essencial e não formal conseguira penetrar na massa impura do mundo e levedá-la à custa de enormes sacrifícios. Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo. Como ciência de observação a nova doutrina enfrenta o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

A comparação do inferno pagão com o inferno cristão é um dos mais eficazes trabalhos de mitologia comparada que se conhece. A mitologia cristã se revela mais grosseira e cruel que a pagã. Bastaria isso para justificar o Renascimento. O mergulho da humanidade no sorvedouro medieval levou a natureza humana a um retrocesso histórico só comparável ao do nazi-fascismo em nosso tempo. Os intelectuais materialistas assustaram-se com o retrocesso do homem nos anos 40 do nosso século e puseram em dúvida a teoria da evolução. Se houvessem lido este livro de Kardec,

saberiam que a evolução não se processa em linha reta; mas em ascensão espiralada.

Vemos assim que este livro de Kardec tem muito para ensinar, não só aos espíritas, mas também aos luminares da inteligência néo-pagã que perdem o seu tempo combatendo o Espiritismo, como gregos e romanos combateram inutilmente o Cristianismo. O processo espírita se desenvolve na linha de sequência do processo cristão. A conversão do mundo ainda não se completou. Cabe ao Espiritismo dar-lhe a última demão, como desenvolvimento natural, histórico e profético do Cristianismo em nosso tempo.

A leitura e o estudo sistemático deste livro se impõem a espíritas e não-espíritas, a todos os que realmente desejam compreender o sentido da vida humana na Terra. Mesmo entre os espíritas este livro é quase desconhecido. A maioria dos que o conhecem nunca se inteirou do seu verdadeiro significado. Kardec nos dá nas suas páginas o balanço da evolução moral e espiritual da humanidade terrena até os nossos dias. Mas ao mesmo tempo estabelece as coordenadas da evolução futura. As penas e recompensas de após a morte saem do plano obscuro das superstições e do misticismo dogmático para a luz viva da análise racional e da pesquisa

científica. É evidente que essa pesquisa não pode seguir o método das ciências de mensuração, pois o seu objetivo não é material, mas segue rigorosamente as exigências do espírito científico moderno e contemporâneo.

O grave problema da continuidade da vida após a morte despe-se dos aparatos mitológicos para mostrar-se com a nudez da verdade à luz da razão esclarecida.

José Herculano Pires

(José Herculano Pires, na introdução de O Céu e o Inferno)

16 junho 2011

LINGUAGEM DOS DESENCARNADOS

"Como se caracteriza a linguagem entre os Espíritos?"

Incontestavelmente, a linguagem do Espírito é, acima de tudo, a imagem que exterioriza de si próprio.
Isso ocorre mesmo no plano físico, em que alguém, sabendo refletir-se, necessitará poucas palavras para definir a largueza de seus planos e sentimentos, acomodando-se à síntese que lhe angaria maior cabedal de tempo e influência.
Círculos espirituais existem, em planos de grande sublimação, nos quais os desencarnados, sustentando consigo mais elevados recursos de riqueza interior, pela cultura e pela grandeza moral, conseguem plasmar, com as próprias idéias, quadros vivos que lhes confirmem a mensagem ou o ensinamento, seja em silêncio, seja com a despesa mínima de suprimento verbal, em livres circuitos mentais de arte e beleza, tanto quanto muitas inteligências infelizes, treinadas na ciência da reflexão, conseguem formar telas aflitivas em circuitos mentais fechados e obsessivos, sobre as mentes que magneticamente jugulam.
De acordo com o mesmo princípio, Espíritos desencarnados, em muitos casos, quando controlam as personalidades mediúnicas que lhes oferecem sintonia, operam sobre elas à base das imagens positivas com que as envolvem no transe, compelindo-as a lhes expedir os conceitos.
Nessas circunstâncias, expressa-se a mensagem pelo sistema de reflexão, em que o médium, embora guardando o córtex encefálico anestesiado por ação magnética do comunicante, lhe recebe os ideogramas e os transmite com as palavras que lhe são próprias. Todavia, não obstante reconhecermos que a imagem está na base de todo intercâmbio entre as criaturas encarnadas ou não, é forçoso observar que a linguagem articulada, no chamado espaço das nações, ainda possui fundamental importância nas regiões a que o homem comum será transferido imediatamente após desligar-se do corpo físico.

(Do livro "Evolução em Dois Mundos", André Luiz/Chico Xavier, 2a. Parte, cap. II, FEB).

13 junho 2011

ZONAS PURGATORIAS

"A alma alucinada pelos próprios remorsos é detida em sua marcha, ilhando-se nas conseqüências dos próprios delitos, em lugares que, retendo a associação de centenas e milhares de transviados, se transformam em verdadeiros continentes de angústias, filtros de aflição e de dor..."

ZONAS PURGATORIAIS - Obliterando os núcleos energéticos da alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente, pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo, conforme os princípios de responsabilidade a se lhe delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração, em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica, o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa intervenção dos agentes do amor divino que, habitualmente, lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação necessária, pela qual retornará ao aprendizado prático das lições em que faliu.
É dessa forma que os suicidas
, com agravantes à frente do Plano Espiritual, como também os delinqüentes de variada categoria, padecem por largo tempo a influência constante das aflitivas criações mentais deles mesmos, a elas aprisionados, pela fixação monoidéica de certos núcleos do corpo espiritual, em detrimento de outros que se mantêm malbaratados e oclusos.
E porque o pensamento é força criativa e aglutinante na criatura consciente em plena Criação, as imagens plasmadas pelo mal, à custa da energia inestancável que lhe constitui atributo inalienável e imanente, servem para a formação das paisagens regenerativas em que a alma alucinada pelos próprios remorsos é detida em sua marcha, ilhando-se nas conseqüências dos próprios delitos, em lugares que, retendo a associação de centenas e milhares de transviados, se transformam em verdadeiros continentes de angústias, filtros de aflição e de dor, em que a loucura ou a crueldade, juguladas pelo sofrimentoque geram para si mesmas, se rendem lentamente ao raciocínio equilibrado, para a readmissão indispensável ao trabalho remissor.

(Cap. completo em "Evolução em Dois Mundos",
André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, cap. XVI, FEB)

CONCEITO DE INFERNO - O inferno das várias religiões, nesse aspecto, existe perfeitamente como órgão controlador do equilíbrio moral nos reinos do Espírito, assim como a penitenciária e o hospital se levantam na Terra, como retortas de recuperação e auxílio.
Além-túmulo, no entanto, o estabelecimento depurativo como que reúne em si os órgãos de repressão e de cura, porquanto as consciências empedernidas aí se congregam às consciências enfermas, na comunhão dolorosa, mas necessária, em que o mal é defrontado pelo próprio mal, a fim de que, em se examinando nos semelhantes, esmoreça por si na faina destruidora em que se desmanda.
É assim que as Inteligências ainda perversas se transformam em instrumentos reeducativos daquelas que começam a despertar, pela dor do arrependimento, para a imprescindível restauração.
O inferno, dessa maneira, no clima espiritual das várias nações do Globo, pode ser tido na conta de imenso cárcere-hospital, em que a diagnose terrestre encontrará realmente todas as doenças catalogadas na patologia comum, inclusive outras muitas, desconhecidas do homem, não propriamente oriundas ou sustentadas pela fauna microbiana do ambiente carnal, mas nascidas de profundas disfunções do corpo espiritual e, muitas vezes, nutridas pelas formas-pensamentos em torturado desequilíbrio, classificáveis por larvas mentais, de extremo poder corrosivo e alucinatório, não obstante a fugaz duração com que se articulam, quando não obedecem às idéias infelizes, longamente recapituladas no tempo.

(Cap. completo em "Evolução em Dois Mundos",
André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, cap. XIX, FEB)


10 junho 2011

A INVASÃO MICROBIANA ESTÁ VINCULADA A CAUSAS ESPIRITUAIS ?

Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de rutura na harmonia celular.
Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna passível de invasão microbiana, qual praça desguarnecida, porque as sentinelas naturais não dispõem de bases necessárias à ação regeneradora que lhes compete, permanecendo, muitas vezes, em derredor do ponto lesado, buscando delimitar-lhe a presença ou jugulhar-lhe a expansão.
Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que, nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios X ou de irradiações ultravioleta, em aplicações impróprias. Emerge, então, a moléstia por estado secundário, em largos processos de desgaste ou devastação, pela desarmonia a que compele a usina orgânica, a esgotar-se, debalde, na tarefa ingente da própria reabilitação, no plano carnal, quando o enfermo, sem atitude de renovação moral, sem humildade e paciência, espírito de serviço e devotamento ao bem, não consegue assimilar as correntes benéficas do Amor Divino que circulam, incessantes, em torno de todas as criaturas, por intermédio de agentes distintos e inumeráveis, a todas estimulando, para o máximo aproveitamento na Terra.
Quando o doente, porém, adota comportamento favorável a si mesmo, pela simpatia que instila no próximo, as forças físicas encontram sólido apoio nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo circunscrever a disfunção aos neoplasmas benignos, que ainda respondem à influência organizadora dos tecidos adjacentes.
Sob o mesmo princípio de relatividade, a funcionar, inequívoco, entre doença e doente, temos a incursão da tuberculose e da lepra, da brucelose e da amebíase, da endocardite bacteriana e da cardiopatia chagásica, e de muitas outras enfermidades, sem nos determos na discriminação de todos os processos morbosos, cuja relação nos levaria a longo estudo técnico.
É que, geralmente, quase todos eles surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem ruturas ou soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que sejamos mais particularmente inclinados pela natureza de nossas contas cármicas.
Consolidado o ataque, pela brecha de nossa vulnerabilidade, aparecem as moléstias sintomáticas ou assintomáticas, estabilizando-se ou irradiando-se, conforme as disposições da própria mente, que trabalha ou não para refazer a defensiva orgânica em supremo esforço de reajuste, ou que, por automatismo, admite ou recusa, segundo a posição em que se encontra no princípio de causa e efeito, a intromissão desse ou daquele fator patogênico, destinado a expungir dela, em forma de sofrimento, os resíduos do mal, correspondentes ao sofrimento por ela implantado na vida ou no corpo dos semelhantes.
Não será lícito, porém, esquecer que o bem constante gera o bem constante e, que, mantida a nossa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxilio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental.
Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo porque os princípios de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça, crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos o poder da mente na auto-defensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus.


(Evolução em Dois Mundos, parte II, cap. XX, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

05 junho 2011

O QUE É A TEOSOFIA?

H.P.BLAVATSKY


Artigo publicado por Helena Petrovna Blavatsky no primeiro número do “The Theosophist”(outubro de 1879).

A pergunta tem sido formulada tantas vezes, e o assunto vem sendo de um modo geral tão mal interpretado que os editores de uma publicação devotada à exposição da Teosofia sentir-se-iam culpados se este seu primeiro número fosse publicado sem que chegassem a um perfeito entendimento com seus leitores. No entanto, nosso título abrange duas perguntas: O Que é a Sociedade Teosófica? E o que são os Teosofistas? Vamos respondê-las.

Segundo os lexicógrafos, o termo Theosophia compõe-se de duas palavras gregas - Theos, “deus”, eSophos, “sábio”. Até aí, muito bem. Mas, as explicações que dão a seguir estão muito longe de oferecer uma noção suficientemente clara sobre a Teosofia. Webster, de um modo muito original, define-a como sendo “uma pretensa comunicação com Deus e com os espíritos superiores, e a conseqüente conquista de um conhecimento superhumano tanto por processos físicos como pelas operações teúrgicas de certos platônicos antigos ou, ainda, pelos processos químicos dos filósofos alemães do fogo”.

Essa definição, em última análise, não passa de uma pobre e irreverente explicação. Atribuir idéias dessa natureza a homens como Amônio Saccas, Plotino, Jâmblico, Porfírio, Proclo e outros, demonstra ou uma deformação intencional ou ignorância de Webster no tocante à Filosofia e aos objetivos dos maiores gênios da Escola Neoplatônica de Alexandria. Imputar àqueles e a quem tanto os coevos quanto a posteridade chamaram de “Theodidaktoi”- instruídos por Deus - a intenção de desenvolver sua percepção psicológica e espiritual por “processos físicos” eqüivale a apresentá-los como materialistas. E quanto à alusão final aos filósofos do fogo, é o mesmo que situá-los entre os nossos mais eminentes e modernos cientistas, aqueles em cujos lábios o Rev. James Martineau põe a seguinte fanfarronada: “A Matéria é tudo que desejamos; dêem-nos apenas átomos e nós explicaremos o Universo”.

Vaughan, porém, oferece uma definição muito melhor e mais filosófica: “Um teosofista”- observa - “é aquele que propõe uma teoria de Deus ou das obras de Deus, que não pretende dispor de uma revelação mas, sim, de uma inspiração pessoal como base dessa teoria”. De acordo com essa opinião, todo grande pensador e filósofo, especialmente cada fundador de uma nova religião, de uma nova escola filosófica ou de uma seita, é necessariamente um teosofista. Portanto, Teosofia e Teosofistas sempre existiram desde que os primeiros lampejos do incipiente intelecto humano levaram o homem a procurar instintivamente os meios de expressar opiniões pessoais e independentes.

Teosofistas já existiam antes da era cristã, muito embora os autores cristãos atribuam o desenvolvimento do sistema teosófico eclético aos primeiros anos do século III de nossa era. Diógenes Laércio assinala a existência da Teosofia numa época anterior à dinastia dos Ptolomeus; e cita como seu fundador um Hierofante egípcio chamado Pot-Amun, nome copta que designa um sacerdote consagrado a Amon, o deus da Sabedoria. A história, porém, mostra que ela foi revivida por Amônio Saccas, o fundador da Escola Neoplatônica de Alexandria. Ele e seus discípulos faziam-se chamar “Philaletéios”, ou amantes da verdade, enquanto eram chamados por outros de “Analogistas”, devido ao método de interpretar todas as lendas sagradas, os mitos simbólicos e os Mistérios por uma lei ou analogia ou correspondência segundo a qual todos os fatos ocorridos no mundo exterior eram encarados como a expressão de outras tantas operações e experiências da alma humana. Amônio Saccas tinha como ideal e objetivo reconciliar todas as seitas, todos os povos e nações sob uma fé comum - a crença num Poder Supremo, Eterno, Desconhecido e Inominado que o governa o Universo através de leis eternas e imutáveis. Seu objetivo consistia em experimentar um sistema de Teosofia que, de início, era essencialmente o mesmo em todos os países; induzir os homens a abandonarem suas lutas e querelas tornando-se unos em ideais como filhos da mesma mãe; purificar as velhas religiões corrompidas e falseadas de todas as impurezas do elemento humano, unificando-as e explicando-as sobre puros princípios filosóficos. Por isso, os sistemas Budista, Vedantino e Mago, ou Zoroastrino, eram ensinados na Escola Teosófica Eclética juntamente com todas as filosofias da Grécia. Por isso, também, aquela característica proeminentemente Budista e Hindu registrada entre os antigos teosofistas de Alexandria no tocante ao respeito devido aos pais e aos mais velhos; a afeição fraternal por toda a raça humana; e um sentimento compassivo até pelos animais irracionais. Ao mesmo tempo em que procuravam estabelecer um sistema de disciplina moral que incutia no povo a obrigação de viver segundo as leis dos respectivos países; purificar a mente pela busca e contemplação da única Verdade Absoluta; seu principal objetivo que, acreditava, conquistaria todos os demais, consistia em extrair dos diversos ensinamentos religiosos, como de um instrumento de muitas cordas, uma harmonia perfeita e melodiosa capaz de ecoar em todo coração verdadeiramente amante da verdade.

Portanto, Teosofia é a arcaica Religião Sabedoria, a doutrina esotérica que já era conhecida em todo país pretensamente civilizado. Uma “Sabedoria” que todas as velhas escrituras mostram como emanação do princípio divino e cuja absoluta compreensão é tipificada por nomes como o do Buda hindu, o Nebo babilônico, o Thot de Menfis, o Hermes da Grécia, e ainda nas invocações de algumas deusas - Metis, Neitha, Athena, a Sophia gnóstica e, finalmente, nos Vedas, do verbo “saber”. Sob essa designação, todos os filósofos do oriente e Ocidente, os Hierofantes do velho Egito, os Rishis da Aryavarta, os “Theodidaktoi” da Grécia incluíam todo o conhecimento das coisas ocultas e essencialmente divinas. As séries secular e popular da Mercavah dos Rabinos hebreus eram, assim, designadas como sendo apenas o veículo, a capa externa que continha o conhecimento esotérico superior. Os Magos de Zoroastro eram instruídos e iniciados nas cavernas e lojas secretas da Bactriana; Os Hierofantes egípcios e gregos possuíam as suas aporrêtas, ou instruções secretas, durante as quais os Mystês se transformava num Epoptês - um Vidente.

A idéia básica da Teosofia Eclética resumia-se na existência de uma Essência Suprema, Desconhecida e Incognoscível, porque - “Como pode alguém conhecer o conhecedor?”, como pergunta o Brihadaranyaka Upanishad. Seu sistema caracterizava-se por três postulados perfeitamente distintos: a teoria da Essência acima mencionada; a doutrina da alma humana - emanação daquela e, portanto, da mesma natureza; e sua teurgia. Foi esta última ciência que levou os Neoplatônicos a serem tão mal interpretados nesta nossa era de Ciência materialista. Sendo a Teurgia essencialmente a arte de aplicar os poderes divinos do homem ao domínio das forças cegas da natureza, seus adeptos foram inicialmente chamados de mágicos - corrupção da palavra “Magh”, que significa sábio ou erudito - e ridicularizados se sorrissem a idéia do fonógrafo ou do telégrafo. Os que são ridicularizados e acoimados de “infiéis” de uma geração geralmente se transformam nos ‘sábios e santos’ da geração seguinte.

No tocante à Essência Divina e à natureza da alma e do espírito, a moderna Teosofia acredita, hoje, nas mesmas coisas em que acreditava a Teosofia do passado. O popular Diu das nações arianas era idêntico ao Jahve dos samaritanos, ao Tiu ou “Tuisto” dos nórdicos, ao Duw dos bretões, e ao Zeus dos trácios. Quanto à Essência Absoluta, o Uno e o Todo, se aceitarmos o que dizem a respeito o Pitagorismo grego, o Kabalismo caldáico ou a Filosofia Ariana, tudo isso levará a um resultado único e igual. A Mônada Primeva do sistema pitagórico que se retira no interior da obscuridade e é a própria Obscuridade (para o intelecto humano) era apresentada como base de todas as coisas; e podemos encontrar a mesma idéia em toda a sua integridade no sistema filosófico de Leibnitz e Espinosa. Portanto, quer um Teosofista concorde com a Kabala, que referindo-se a En-Soph pergunta: “Então, quem pode compreendê-la, uma vez que Ela não tem forma e Não existe?” ou, recordando este magnífico hino do Rig-Veda, pergunta:

‘Quem sabe de onde surge essa grande criação? Se sua vontade criou ou permaneceu muda. Ele sabe - ou, talvez, nem Ele mesmo saiba”.

ou ainda, aceita a concepção vedantina de Bhrama, que nos Upanishads é representado como “sem vida, sem mente, puro”, inconsciente, uma vez que Bhrama é a “Consciência Absoluta”. Ou, finalmente, alinhando-se entre os Svâbhâvikas do Nepal sustenta que nada existe a não ser ‘Svabhavat”(substância ou natureza) que existe por si mesma sem ter nenhum criador - qualquer dessas concepções só pode levar à Teosofia pura e absoluta. A essa mesma Teosofia que induziu homens como Hegel, Fichte e Espinoza a retomarem o trabalho dos velhos filósofos gregos e a especular sobre a Substância Una - a Divindade, o Todo Divino oriundo da Sabedoria Divina - incompreensível, desconhecido e inominável - por intermédio de qualquer filosofia religiosa antiga ou moderna, com exceção do Cristianismo e do Islamismo. Consequentemente, o Teosofista, apegando-se à uma teoria da Divindade que “não tem revelação mas, sim, uma inspiração pessoal como base”, pode aceitar qualquer das definições acima ou pertencer a qualquer dessas religiões e, no entanto, permanecer estritamente dentro dos limites da Teosofia. Porque Teosofia é crença na Divindade como o TODO, fonte de toda existência, o Infinito que não pode ser nem compreendido nem conhecido, pois somente o Universo A revela, ou, como outros preferem dizer, O revela, atribuindo sexo àquilo que uma vez antropomoforfizado constitui umablasfêmia. Na verdade, a Teosofia afasta-se da materialização brutal; prefere acreditar que de uma eternidade recolhida no interior da mesma o Espírito da Divindade não deseja nem cria; mas que, da resplandecência infinita e onipresente tudo procede do Grande Centro, e o que produz todas as coisas visíveis e invisíveis é apenas um Raio que contém em si mesmo o poder gerador e criador que, por sua vez, produz aquilo a que os gregos chamavam Macrocosmo, os kabalistas Tikkun, ou Adão Cadmon - o homem arquétipo - e os arianos Purusha, o Brahman manifestado ou o Macho Divino. A Teosofia acredita igualmente na Anastasis ou existência contínua, e na transmigração (evolução) ou numa série de transformações da alma que pode ser defendida e explicada pelos mais rígidos princípios filosóficos; e faz somente uma distinção entre Paramâtma (alma suprema, transcendental) e Jivâtma(alma animal ou consciente) dos Vedantinos.

Para definir completamente a Teosofia devemos considerá-la sob todos os seus aspectos. O mundo interior não permaneceu oculto aos olhos de todos por uma treva impenetrável. Através da intuição superior adquirida pela Theosophia - ou conhecimento de Deus - que transporta a mente do mundo da forma ao do espírito sem forma, o homem, às vezes, conseguiu em todas as épocas e em todos os países, perceber coisas existentes no mundo invisível. Daí o “Samadhi”, ou Dyan Yog Samadhi dos ascetas hindus; a Daimonion-photi, ou iluminação espiritual dos Neoplatônicos; a “confabulação sideral das almas”, dos Rosa Cruzes ou filósofos do fogo; e até mesmo o transe estático dos místicos e dos modernos mesmeristas e espíritas são idênticos em natureza, embora diferentes em manifestação. A procura do “Ego” divino do homem, tão freqüentemente e tão errrôneamente interpretado como um Deus pessoal, sempre foi o objetivo de todos os místicos, e a crença na sua possibilidade parece coeva com a gênese da humanidade - cada povo dando-lhe um nome diferente. Assim, Platão e Plotino chamam de “Trabalho Noético” àquilo e a que os Yoguins e os Srotriya dão o nome de Vidya. “Pela reflexão, autoconhecimento e disciplina intelectual a alma pode ser transportada à visão da verdade eterna, da bondade e da beleza - isto é, à Visão de Deus - e isso é a “epoptéia”- afirmavam os gregos.

“Unir a alma individual à Alma Universal” - diz Porfírio - “exige uma mente inteiramente pura. Pela autocontemplação, castidade perfeita e pureza corporal podemos aproximarmo-nos d’Ela, e receber, nesse estado, o verdadeiro conhecimento e uma visão maravilhosa”. E Swami Dayânand Saraswati, que nunca leu Porfírio nem qualquer dos autores gregos mas é um profundo conhecedor dos Vedas, afirma no seu Veda-Bâshya (upâsâna prakara ank. 9): “Para conquistar Disksha (as iniciações superiores) e Yog, o homem precisa agir segundo as regras... A alma humana pode realizar as maiores maravilhas pelo conhecimento do Espírito Universal (ou Deus) e identificar-se com as propriedades e qualidades (ocultas) de todas as coisas do Universo. Um ser humano (um Dikshita ou iniciado) pode, assim, adquirir o poder de ver e ouvir a grandes distâncias”. Finalmente, Alfred R. Wallace, que além de espiritualista é reconhecido como um grande naturalista, afirma com corajosa candura: “É somente o espírito que sente, percebe e pensa - que adquire conhecimento, argumenta e aspira... e não raro surgem indivíduos constituídos de tal forma que o espírito pode perceber independentemente dos órgãos físicos dos sentidos, ou podem, talvez, abandonar o corpo total ou parcialmente por algum tempo e a ele regressar novamente... o espírito... comunica-se com o espírito mais facilmente do que com a matéria”. Agora podemos verificar, após milhares de anos decorridos entre a era dos Ginosofistas e a nossa era altamente civilizada e apesar, ou talvez exatamente por isso, como essa iluminação derrama sua luz radiosa sobre os reinos psicológicos e físicos da Natureza, sobre os milhões que hoje acreditam, de modos diferentes, nos mesmos poderes espirituais aceitos pelos Ioguins e Pitágoras há quase três mil anos. Assim, enquanto o místico ariano pretende possuir o poder de resolver todos os problemas da vida e da morte desde que tenha conquistado o poder de agir independentemente do próprio corpo através de Atman - o “ego” ou “alma”; e enquanto os antigos gregos buscavam a Atmu - o Oculto, ou a Alma-Deus do homem, com o auxílio do espelho simbólico dos Mistérios Thesmophóricos; - da mesma forma os espíritas de hoje acreditam na faculdade que possuem os espíritos ou as almas dos desencarnados de se comunicarem visível e tangivelmente com os entes queridos da terra. E todos eles, Ioguins arianos, filósofos gregos e espíritas modernos sustentam essa possibilidade baseados em que a alma corporificada e seu nunca corporificado espírito - o verdadeiro ego - não estão serparados da Alma Universal nem dos outros espíritos do espaço a não ser pela diferenciação das respectivas qualidades, uma vez que na expansão ilimitada do Universo não pode existir nenhuma limitação. E quando removida essa diferença - seguindo os gregos e arianos pela libertação temporária da Alma aprisionada, e de acordo com os espíritas modernos pela mediunidade - é possível essa união entre os espíritos corporificados e os desencarnados. É por isso que os Ioguins Patanjalis e, seguindo suas pegadas, Plotino, Porfírio e outros Neoplatônicos afirmaram que durante suas horas de êxtase permaneceram unidos, ou melhor, tornaram-se unos com Deus por diversas vezes no decorrer de suas vidas. Esta idéia, errada como pode parecer na sua aplicação ao Espírito Universal, foi e ainda é sustentada por muitos dos grandes filósofos para que possa ser desprezada como inteiramente quimérica. No caso dos “Theodidaktoi”, o único ponto controverso, a mancha negra dessa filosofia de extremo misticismo foi sua pretensão de incluir o que é simplesmente a iluminação estática sob o domínio da percepção sensória. No caso dos Ioguins, que se diziam capazes de ver Ishvara “face a face, essa pretensão foi cabalmente desmentida pelo lógica severa de Kapila. E quando a idêntica presunção sustentada por seus seguidores gregos, por grande número de místicos cristãos e, finalmente, pelos dois últimos pretensos “Videntes de Deus” dos derradeiros cem anos - Jacob Boehme e Swendenborg - tal pretensão seria e deveria ser filosófica e logicamente discutida se alguns dos nossos grandes homens de ciência que são espíritas tivessem demonstrado mais interesse pela filosofia do que pelo mero fenomenalismo registrado no Espiritismo.

Os Teosofistas alexandrinos dividiam-se em neófitos, iniciados e mestres, ou hierofantes; e suas regras foram copiadas dos antigos Mistérios de Orfeu que, segundo Heródoto, foi buscá-los na Índia. Amônio Saccas obrigava seus discípulos mediante juramento a não revelar seus ensinamentos superioresexceto aos que fossem comprovada e absolutamente dignos e iniciados que tivessem aprendido a encarar os deuses, anjos, e os demônios de outros povos de conformidade com a “hypnoia” esotérica, ou significado interno. “Os deuses existem, mas não são o que a hoi poloi, a massa ignorante, supõe que sejam” - afirma Epicuro, acrescentando: “Não é ateu aquele que nega a existência dos deuses adorados pela multidão mas, sim os que atribuem a esses deuses as opiniões da multidão”. Por sua vez, Aristóteles declara que, “da Essência Divina que interpenetra todo o mundo da natureza o que chamam de deuses são simplesmente os princípios originais”.

Plotino, discípulo do “Theodidaktos”Amônio Saccas, diz-nos que o segredo da “Gnose”, ou o conhecimento da Teosofia, abrande três etapas: - opinião, ciência e iluminação. “O meio ou instrumento da primeira é o sentido, ou percepção; da segunda, a dialética; da terceira, a intuição; A Razão está subordinada a esta última; é o conhecimento absoluto fundado na identificação da mente com o objeto conhecido”. A teosofia é, por assim dizer, a ciência exata da Psicologia; mantém-se relativamente à mediunidade natural não cultivada da mesma forma que os conhecimentos de um Tyndall se comparados aos de um estudante de Física. Desenvolve no homem um comportamento direto; aquilo a que Schelling chama “uma realização da identidade do sujeito e objeto com o indivíduo”; por isso, sob a influência e o conhecimento da hypnoia o homem alimenta pensamentos divinos, vê todas as coisas como elas realmente são e, finalmente, “transforma-se num recipiente da Alma do Mundo”, para usar de uma das mais belas expressões de Emerson. “Eu, o imperfeito, adoro meu próprio Perfeito”- diz ele no seu magnífico ensaio A Super-Alma. Além desse estado psicológico, ou estado-alma, a Teosofia cultivou todos os ramos das ciências e das artes. Manteve-se completamente familiarizada com o que hoje é geralmente conhecido como Mesmerismo (hipnotismo). A Teurgia prática ou “magia cerimonial” a que o clero Católico Romano recorre tão freqüentemente nos seus exorcismos - foi desprezada pelos Teosofistas. Jâmblico foi o único que transcendendo aos demais Ecléticos acrescentou à Teosofia a doutrina da Teurgia. Quando, ignorante do verdadeiro significado dos símbolos esotéricos e divinos da Natureza o homem é levado a avaliar erroneamente os poderes de sua própria alma e, ao invés de comunicar-se espiritual e mentalmente com os seres celestiais superiores, os espíritos bons (os deuses dos Teurgistas e da escola Platônica), estará inconscientemente invocando os poderes maléficos, os poderes das trevas que vivem emboscados ao redor da humanidade - as imperecíveis e sinistras criações dos crimes e vícios humanos - e assim passa da Teurgia (magia branca) à Goecia (magia negra ou feitiçaria). No entanto, nem a magia branca nem a negra são o que a superstição popular compreende por essas expressões. A possibilidade de “invocar espíritos” de acordo com a chave de Salomão é o cúmulo da superstição e da ignorância. A pureza de atos e pensamentos é a única que nos pode levar a um intercâmbio “com os deuses” e conquistas para nós o desejado ideal. A Alquimia, encarada por muitos como uma filosofia espiritual ou como uma ciência física, pertencia aos ensinamentos da escola Teosófica.

É um fato notável que nem Zoroastro, nem Buda, Orfeu, Pitágoras, Confúcio, Sócrates ou Amônio Saccas transmitiram à escrita seus ensinamentos. E é óbvia a razão dessa atitude. A Teosofia é uma arma de dois gumes inadequada para o ignorante ou o egoísta. Como todas as velhas filosofias tem seus adeptos entre os modernos; mas, até recentmente seus partidários eram poucos numerosos e pertencentes as mais varias seitas e opiniões. “Inteiramente especulativa e sem fundar escolas, seus adeptos exerceram silenciosa influência sobre a Filosofia; e não há dúvida de que, chegado o momento, muitas das idéias assim expostas silenciosamente podem oferecer novos rumos ao pensamento humano”. - observa Kenneth R.H. Makenzie, um místico e teosofista na sua grande e valiosa obra, The Royal Masonic Cyclopaedia (artigos sobre “A Sociedade Teosófica de Nova Iorque” e ‘A Teosofia”). Desde os dias dos filósofos do fogo os Teosofistas jamais se reuniram em sociedades porque, caçados como animais ferozes pelo clero cristão, o fato de ser conhecido como Teosofistas quase sempre equivalia, ainda há um século, a uma sentença de morte. As estatísticas mostram que num período de 150 anos nada menos de 90.000 homens e mulheres foram queimados na Europa sob a acusação de prática de feitiçaria. Na grã-Bretanha, de 1640 a 1660, isto é, em apenas vinte anos, 3.000 pessoas foram condenadas à morte acusadas de pacto com o ‘Demônio”; e foi somente no último quartel deste século - em 1875 - que alguns místicos e espíritas progressistas, insatisfeitos com as teorias e explicações do Espiritismo redigidas pelos seus adeptos, e julgando que as mesmas estavam longe de cobrir todo o campo da enorme área dos fenômenos, formavam longe de cobrir todo o campo da enorme área dos fenômenos, formaram em Nova Iorque uma associação hoje largamente conhecida como Sociedade Teosófica. Assim, tendo explicado o que é a Teosofia, pretendemos, em outro artigo, explicar a natureza de nossa Sociedade, também chamada “Fraternidade Universal da Humanidade”

04 junho 2011

FUNÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA

"Como nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito para melhoria das condições orgânicas, é indispensável nos atenhamos ao impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas enxertias psíquicas, com vistas
à difusão do conhecimento superior."

Forçoso é considerar que a atividade religiosa, digna e venerável, em qualquer setor da edificação humana, exprime socorro celeste aos desajustes morais de quantos se demoram na reencarnação, buscando a restauração precisa.
E, compreendendo-se que elevada percentagem das personalidades humanas traz, no imo do próprio ser, raízes e brechas de comunhão com o pretérito de sombra, através dos quais são suscetíveis de sofrer os mais estranhos processos de obsessão oculta - a se reavivarem, constantes, nos diversos períodos etários que correspondem ao tempo de formação dos débitos cármicos que buscam equacionar no corpo terrestre -, é justo encarecer, assim, a oportunidade e a excelência do amparo moral da Doutrina Espírita, como sendo o recurso mais sólido na assistência às vítimas do desequilíbrio espiritual de qualquer matiz, por oferecer-lhes, no estudo nobre e no serviço santificante, o clima indispensável de transmutação e harmonização, com que se recuperem, no domínio dos pensamentos mais íntimos, para assimilarem a influência benéfica dos agentes espirituais da necessária renovação.

(MECANISMOS DA MEDIUNIDADE, Cap. XXIV,André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

DOUTRINA ESPÍRITA - A mediunidade, na essência, quanto a energia elétrica em si mesma, nada tem a ver com os princípios morais que regem os problemas do destino e do ser.
Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evidencia, sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-se-lhe, desse modo, a necessidade de condução reta, quanto a força elétrica exige disciplina a fim de auxiliar.
Esse motivo por que os Orientadores do Progresso sustentam a Doutrina Espírita na atualidade do mundo, por Chama Divina, cristianizando fenômenos e objetivos, caracteres e faculdades, para que o Evangelho de Jesus seja de fato incorporado às relações humanas.
Como nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito para melhoria das condições orgânicas, é indispensável nos atenhamos ao impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas enxertias psíquicas, com vistas à difusão do conhecimento superior.

(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

03 junho 2011

A SUAVE MAGIA DO NATAL

No turbilhão dos conflitos, quando Israel havia perdido a própria identidade sob o jugo impiedoso do conquistador romano implacável, as expectativas de paz e as necessidades de equilíbrio espiritual de todo o povo eram superlativas.À semelhança do que havia ocorrido várias vezes, no passado, quando sob o talante cruel das Nações que o escravizaram por largos períodos de miséria e aflição, o país esperava, como outrora, a libertação que lhe permitisse encontrar o rumo para a felicidade dos seus filhos.As paixões inferiores, no entanto, governavam as mentes e os corações que se sentiam asfixiados pelo bafio dos interesses inconfessáveis, transformando as criaturas em servas da situação infeliz, assim tornando muito difícil que se cumprissem as Escrituras...Anteriormente, no ano 444 a.C., quando Esdras, doutor judeu, foi libertado da escravidão na Babilônia, com mais 1.775 companheiros, por Artaxerxes Longímano, e retornou a Jerusalém, restabeleceu o culto a Jeová, restaurou a nacionalidade judaica e trabalhou pela reconstrução das muralhas da cidade. Reuniu todos os livros de Moisés, examinou-os detidamente e estabeleceu o Cânone das Escrituras, realizando atividades dignificadoras, que deveriam servir de modelo para sempre...Nos dias da dominação romana, porém, as paisagens morais eram sombrias, em razão da corrupção que se tornara uma doença incurável, levando as criaturas a situações morais deploráveis.De um lado, as ambições desmedidas de muitos, e de outro, o fanatismo religioso ímpar, geravam comportamentos agressivos e infelizes, que produziam calamitosas situações nas criaturas desequipadas de valores éticos para se libertarem da canga da escravidão.Tornando-se insuportável a luta de bastidores e públicas entre os dominadores políticos e os pseudo-espirituais do Templo, o povo sofria o abandono e a perseguição inclemente dos esbirros de ambos os lados, que os afligiam impiedosamente.Nessa paisagem moral de sofrimentos nasceu Jesus, sinalizando a Era da Esperança para os sofredores de todo jaez e para a transformação moral dos triunfadores de mentira, que sempre se arvoraram em condutores do mundo.A singeleza do Seu berço, na noite estrelada e silenciosa, foi acompanhada por uma suave melodia de amor, que se espraiaria desde então por toda a Terra, e jamais desapareceria dos ouvidos do mundo.Vivendo a sublime experiência do amor, Jesus desenhou nos painéis espirituais da Humanidade a incomparável diretriz de segurança para a felicidade, ensinando que somente através dos sentimentos de misericórdia, de bondade e de abnegação, a criatura atinge a meta para a qual se encontra na Terra.A Sua mensagem, toda tecida de sabedoria, ternura e paz, tornou-se o clímax das conquistas do pensamento histórico, que um dia esplenderá soberana entre os seres humanos.Desse modo, sempre que as alucinações humanas desbordam em crimes e violências, em desmandos e destruição, paira, acima das sombras dominadoras, a claridade sublime do Seu berço, anunciando a Sua chegada à Terra, na inesquecível e suave noite do seu Natal.Tocado por essa melodia de amor, deixa-te dominar pelos sentimentos de fraternidade e converte os teus sentimentos em harpa delicada, espalhando a mensagem de solidariedade a todos os irmãos que se encontram pelo caminho, aguardando uma migalha que seja de misericórdia e de carinho.Homenageando-O, torna-te Seu instrumento, e amplia os horizontes do Bem, que Ele iniciara naquela noite inesquecível de Natal.

Joanna de Ângelis (espírito)