15 outubro 2010

A ARTE LITERÁRIA

Carlos Bernardo Loureiro

Duas eras estabeleceram os fundamentos da Arte Literária, conforme o Prof. Soares Amora (“Teoria da literatura”), citado por Hênio Tavares em sua obra “Teoria Literária”, Editora Bernardo Alvares S/A: a clássica e a moderna. A primeira vai dos sofistas ao século XVIII, e a Segunda do romantismo à atualidade.
Os componentes conceituais da era clássica têm um caráter amplo e são identificados nas obras de Empédocles, Platão, Aristóteles, Plotino, Cícero, Horácio, Sêneca, Quintiliano, Tácito, Longino, Scaligero, Castel-Vetro, Patrizzi, Boileau.
Modernamente, destacam-se os teóricos e críticos literários – Vico, Baum-Garten, Kant, Hegel, De Sanctis, Taine, Bergson e B. Croce.
Eis os conceitos propostos na era clássica:
a)amplo: “A arte literária consiste na realização dos preceitos estéticos da invenção, da disposição e da elocução”.
Essas três operações clássicas da arte de escrever – informa Hênio Tavares – foram criadas pelos sofistas: a invenção trata da escolha do assunto; a disposição encarrega-se de coordená-la numa ordem lógica e atraente, dando ao trabalho movimento de unidade; a elocução prendendo-se à correção, clareza e harmonia de língua, estiliza a obra, proporcionando-lhe forma externa. Destarte, qualquer obra que perfi-lhe tais processos será considerada Literatura seja um livro de poesia ou de filosofia. Depreende-se que esse conceito peca por unilateralidade, omitindo o conteúdo da obra.
b)restrito: “A arte literária é a arte que cria, pela palavra, uma imitação da realidade”. Neste caso, não é a forma, mas a natureza do conteúdo da obra que identifica a arte literária. “A imitação em arte – elucida Hênio Tavares – deriva de atitudes como o Realismo e o Idealismo. O Realismo procura imitar diretamente a natureza, não raro caindo no Naturalismo. Já o Idealismo serve-se da natureza indiretamente, na qual a realidade da natureza contingencial da vida é deformada para melhor ou pior”.

Concluindo

“A arte é portanto imitação, porém recriação da natureza em qualquer sentido”.
Aristóteles já lançava luz sobre o assunto:
“... Aqueles que expõem, através do verso, assuntos de medicina, ou de física, são comumente denominados poetas; entretanto, nada há de comum entre Homero e Empédocles, senão o terem ambos escrito em verso. Desse modo, converia denominar a um, poeta, e a outro, naturalista”.
Na era moderna são propostos os seguintes conceitos:
a)em sentido lato: “A literatura é o conjunto da produção escrita”. O conceito é vago. É, na concepção de alguns críticos, “um vaguíssimo conceito cultural, através do qual todo o conhecimento fosse qual fosse a sua natureza – científica, filosófica ou espiritual -, seria literária”.
Destarte, literatura seria, no sentido amplo (lato sensu), toda e qualquer manifestação do sentimento ou do pensamento por meio da palavra, dando ensejo a que De Bonald a chamasse de “expressão da sociedade “. Depreende-se, desse modo, diz Hênio Tavares, que “qualquer obra em prosa e verso, de conteúdo artístico ou científico, que envolva conhecimento da vida e dos homens, será literatura. Isto explica – conclui – a extensão de certas obras como a histórias da literatura portuguesa e da literatura brasileira, de Teófilo Braga e Silvo Romero, respectivamente”.
A propósito, Wellek e Warren, dão-nos um exemplo na “Introduction to the Literary History of the Fifiteenth, Sixteenth and Seventeenth Centuries”, de Henry Hallam, que consubstancia livros de teologia, de lógica, de jurisprudência, de matemática.
No sentido restrito: “A arte literária é, verdadeiramente, a ficção, a criação de uma supra-realidade com os dados profundos, singulares da intuição do artista”.
A arte é ficção, que pode ser verossímil e inverossímil. A ficção se encontra nos cernes das mais importantes obras literárias. E se constata que a realidade sensível e racional.
“A intuição artística – afirma Soares Amora -, no campo da imaginação, da idealização, dos símbolos, do “supra-realismo”, tem criado obras inteiramente falsas se as quisermos identificar com a realidade sensível e racional, mas verdadeiras como obras de emoção e beleza”.
Cita, à guisa de exemplo, o romance “IRACEMA”, de José de Alencar, “obra falsa do ponto de vista científico (etnográfico), filosófico, histórico; no entanto, profundamente verdadeira do ponto de vista estético, porque comovente e bela”.
O que realmente distingui uma obra de arte é a sua realidade estética, sempre atrelada à concepção de escola: clássica, romântica, realista, simbolista etc.
Dizia, então, Alceu Amororo Lima (“A Estética Literária e o Crítico, 1954). “A palavra, em literatura, não tem o nosso valor da palavra na vida corrente. A palavra, na vida cotidiana ou nas atividades não-literárias (mesmo quando artísticas, de outro gênero) tem valor utilitário. Na literatura tem valor ontológico, se pudermos assim dizer. Sendo arte-de-palavra, faz a literatura de seu meio de expansão seu próprio fim. Quando se abusa desse processo, caímos na má literatura, no verbalismo, simples objeto de uso, simples meio de comunicação”.
Conclui-se, então, que a literatura se baseará tanto no estudo do conteúdo (Gehalt) como nos problemas gerados pela forma (Gestalt).
“Arte literária, finaliza Hênio Tvares, é a ficção ou a criação de uma supra-realidade pela intuição do artista, mediante a palavra expressivamente estilizada”.
A Arte Literária Espírita pode perfeitamente adequar-se a esse processo, conquanto deva preservar as suas intrínsecas e peculiares implicações. O autor espiritual, permiti-nos deduzir, já vivencia, ele próprio, uma supra-realidade, entes jamais cogitada. Os conceitos e valores sofreram, pois, francas e profundas reavaliações. A sua visão de vida e dos problemas da vida é diferenciada, é mais ampla do que ele, por um determinado lapso de tempo vivenciou, e, aí, absorveu uma gama considerável de condicionamentos. A literatura como “ânsia de imortalidade” de Raul Castagnino-in – “qué es Literatura?” É aquele desejo insopitável que reside na ânsia da Espírito humano (ecos palingenésicos), de sobrevivência à morte. Em Arte, esse meio se consubstancia nas idéias de glória, de consagração, de imortalidade, de que dariam imorredouros exemplos um Horácio, um Camões e de tantos outros célebres cultores da Arte, como essência da vida...

14 outubro 2010

RELIGIÃO : A idade média é aqui

Como é de praxe em países de Terceiro Mundo, onde prevalecem o Mensalão, os vôos das malas recheadas de Reais e as cuecas voadoras recheadas de dólares, a religião faz o maior sucesso. Além do mais, somente aqui se encontram dízimos com notas seriadas...

Assim, a religião no Brasil vai desempenhando um papel bem ao gosto da ambição e da ânsia de poder dos seus responsáveis. Utilizam-se da figura de Jesus para legitimar os seus malfadados anseios. A verdade é que a religião no mundo ocidental está completamente deslocada e desmoralizada. Em seus estertores, os religiosos teimam em afirmar que ela é obra de deus. Parece que isso não é verdade. E se o for, esse deus é tão irresponsável quanto os criadores da religião.

Dizem que deus é perfeito. Mas ele não conseguiu imprimir essa perfeição à religião. O certo é que, convenhamos, ela foi criada pelo próprio homem, e a História Ocidental prova essa assertiva. Desse modo, os povos do Ocidente foram redondamente ludibriados por essas criaturas que se diziam e continuam se dizendo representantes de deus na face deste sofrido planeta.

Acontece, prezados internautas, que nós não queremos ser a “palmatória do mundo”, longe disso! Mas, não podemos concordar com o que vem acontecendo no movimento espírita da cidade de Salvador. Querem impor, até com certa truculência, a idéia de que o Espiritismo é religião. Tem até SACERDOTE ESPÍRITA (o que Freud não explica, mas a fraude, sim).

Tudo isso, minha gente, é fruto da ignorância e, sobretudo, da obsessão. Aliás, desde Olímpio Teles de Menezes (fundador do primeiro centro espírita na América Latina – na cidade de Salvador), que os “habitantes das sombras”, como dizem os Espíritos mentores, vêm tentando denegrir a imagem do Espiritismo com o fim de erradicá-lo, não só das terras baianas, mas brasílicas!

Finalmente, estão conseguindo. Como, infelizmente, era de se esperar, porquanto a vaidade e a sede de poder se transformaram em sedutores instrumentos de que se utilizam os obsessores, predominantemente representantes do clero sempre inconformados com a lógica esmagadora do Espiritismo. Não foi sem razão que Leopoldo Machado, Cairbar Schutel, Herculano Pires, Alfredo Miguel, Deolindo Amorim e tantos outros espíritas de escol se posicionaram, quando (re)encarnados, contra a interferência do religiosismo nas hostes espiritistas.

Nós, do TELMA, sentimo-nos sozinhos nesta luta sem quartel contra os inimigos da doutrina codificada por Allan Kardec, que sempre a considerou uma “ciência que trata da origem dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corpóreo”. Mas, “a velha guarda morre, mas não se rende!”. Enquanto existir o TELMA, e sempre existirá, estaremos vigilantes, refutando todas as investidas desses terríveis desafetos do Espiritismo.

Que um deus nos acuda!

12 outubro 2010

VAMPIRISMO ESPIRITUAL

"Muitos acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre,
empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas,
operando perturbações que podemos classificar como "infecções fluídicas"
e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura."

PARASITISMO NOS REINOS INFERIORES - Comentando as ocorrências da obsessão e do vampirismo no veículo fisiopsicossomático, é importante lembrar os fenômenos do parasitismo nos reinos inferiores da Natureza.
Sem nos reportarmos às simbioses fisiológicas, em que microorganismos se albergam no trato intestinal dos seus hospedadores, apropriando-se-lhes dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias úteis à existência dos anfitriões, encontraremos a associação parasitária, no domínio dos animais, à maneira de uma sociedade, na qual um das partes, quase sempre após insinuar-se com astúcia, criou para si mesma vantagens especiais, com manifesto prejuízo para a outra, que passa, em seguida, à condição de vítima.
Em semelhante desequilíbrio, as vítimas se acomodam, por tempo indeterminado, à pressão externa dos verdugos; contudo, em outras eventualidades, sofrem-lhe a intromissão direta na intimidade dos próprios tecidos, em ocupação impertinente que, às vezes, se degenera em conflito destruidor e, na maioria dos casos, se transforma num acordo de tolerância, por necessidade de adaptação, perdurando até a morte dos hospedeiros espoliados, chegando mesmo a originar os remanescentes das agregações imensamente demoradas no tempo, interferindo nos princípios da hereditariedade, como raízes do conquistador, a se entranharem nas células que lhes padecem a invasão nos componentes protoplasmáticos, para além da geração em que o consórcio parasitário começa.
Em razão disso, apreciando a situação dos parasitas, perante os hospedeiros, temo-los por ectoparasitas, quando limitam a própria ação às zonas de superfície, e endoparasitas, quando se alojam nas reentr6ancias do corpo a que se impõem.
Não será lícito esquecer, porém, que toda simbiose exploradora de longo curso, principalmente a que se verifica no campo interno, resulta de adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita, os quais, não obstante reagindo um sobre o outro, lentamente concordam na sociedade em que persistem, sem que o hospedador considere os riscos e perdas a que se expõe, comprometendo não apenas a própria vida, mas a existência da própria espécie.

OBSESSÃO E VAMPIRISMO - Em processos diferentes, mas atendendo aos mesmos princípios de simbiose prejudicial (Vide "Parasitismo nos Reinos Inferiores", mesmo cap.), encontramos os circuitos de obsessão e de vampirismo entre encarnados e desencarnados, desde as eras recuadas em que o espírito humano, iluminado pela razão, foi chamado pelos princípios da Lei Divina e renunciar ao egoísmo e à crueldade, à ignorância e ao crime.
Rebelando-se, no entanto, em grande maioria, contra as sagradas convocações, e livres para escolher o próprio caminho, as criaturas humanas desencarnadas, em grande número, começaram a oprimir os companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas que ficavam na carne, ou tentando empreitadas de vingança e delinqüência, quando sofriam o processo liberatório da desencarnação em circunstâncias delituosas.
As vítimas de homicídio e violência, brutalidade manifesta ou perseguição disfarçada, fora do vaso físico, entram na faixa mental dos ofensores, e conhecendo-lhe a enormidade das faltas ocultas, e, ao invés do perdão, com que se exonerariam da cadeia de trevas, empenham-se em vinditas atrozes, retribuindo golpe a golpe e mal por mal.

INFECÇÕES FLUÍDICAS - Muitos acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas, operando perturbações que podemos classificar como "infecções fluídicas" e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura.
E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou daquele teor, descansam em pesado monoideísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.
Alguns, como os ectoparasitas temporários, procedem à semelhança dos mosquitos e dos ácaros, absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizam, aqui e ali; mas outros muitos, quais endoparasitas conscientes, após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vítimas, segregam sobre elas determinados produtos, filiados ao quimismo do Espírito, e que podemos nomear como simpatinas ou aglutininas mentais, produtos esses que, sub-repticiamente, lhes modificam a essência dos próprios pensamentos a verterem, contínuos, dos fulcros energéticos do tálamo, no diencéfalo.
Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e encarnados, comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco automatismo, à maneira dos animais em absoluto primitivismo nas linhas da Natureza, os verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a própria dominação sobre o feixe amielínico que liga o córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais manobras, em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime de medo ou de guerra nervosa nas criaturas de que se vingam, alterando-lhes a tela psíquica ou impondo prejuízos constantes aos tecidos somáticos.

PARASITAS OVÓIDES - Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhe fazem objeto de calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideísta, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.
Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à Sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as caracterísitcas morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.
No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.


(Evolução em Dois Mundos, cap. XV, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

11 outubro 2010

SEPARAÇÃO ENTRE CÔNJUGES ESPIRITUAIS

Ocorre separação entre cônjuges espirituais?

Pode acontecer, por exemplo, que as autoridades superiores escolham um dos cônjuges para serviço particular entre os homens, atendendo a qualidades especiais que possua e com que deva satisfazer a questões e eventualidades terrestres.
Além disso, esse ou aquele cônjuge, após venturoso estágio na esfera superior, necessita regressar aos círculos carnais para experiências difíceis no resgate de compromissos determinados.
Em ambas as modalidades de separação compreensível e justa, o companheiro ou a companheira em condição de superioridade, pelo menos circunstancialmente, roga, com êxito, a possibilidade de custodiar o objeto de sua veneração e de seu carinho, quase sempre na posição de reencarnados, em regime de completa renúncia.

(Evolução em Dois Mundos, Parte II, IX, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

O CASO TOBIAS - No terceiro dia de trabalho, alegrou-me Tobias com agradável surpresa. Findo o serviço, ao entardecer, de vez que outros se incumbiram da assistência noturna, fui fraternalmente levado à residência dele, onde me aguardavam belos momentos de alegria e aprendizado.
Logo de entrada, apresentou-me duas senhoras, uma já idosa e outra bordejando a madureza. Esclareceu que esta era sua esposa e aquela, irmã. Luciana e Hilda, afáveis e delicadas, primaram em gentilezas.
Reunidos na formosa biblioteca de Tobias, examinamos volumes maravilhosos na encadernação e no conteúdo espiritual.
A senhora Hilda convidou-me a visitar o jardim, para que pudesse observar, de perto, alguns caramanchões de caprichosos formatos. Cada casa, em "Nosso Lar", parecia especializar-se na cultura de determinadas flores. Em casa de Lísias, as glicínias e os lírios contavam-se por centenas; na residência de Tobias, as hortênsias inumeráveis desabrochavam nos verdes lençóis de violetas. Belos caramanchões de árvores delicadas,
recordando o bambu ainda novo, apresentavam no alto uma trepadeira interessante, cuja especialidade é unir frondes diversas, à guisa de enormes laços floridos, na verde cabeleira das árvores, formando gracioso teto.
Não sabia traduzir minha admiração. Embalsamava-se a atmosfera de inebriante perfume. Comentávamos a beleza da paisagem geral, vista daquele ângulo do Ministério da Regeneração, quando Luciana nos chamou ao interior, para leve refeição.
Encantado com o ambiente simples, cheio de notas de fraternidade sincera, não sabia como agradecer ao generoso anfitrião.
A certa altura da palestra amável, Tobias acrescentou, sorridente:
- O meu amigo, a bem dizer, é ainda novato em nosso Ministério e talvez desconheça o meu caso familiar.
Sorriam ao mesmo tempo as duas senhoras; e, observando-me a silenciosa interpelação, o dono da casa continuou:
- Aliás, temos numerosos núcleos nas mesmas condições. Imagine que fui casado duas vezes...
E, indicando as companheiras de sala, prosseguiu num gesto de bom
humor:
- Creio nada precisar esclarecer quanto às esposas.
- Ah! sim - murmurei extremamente confundido -, quer dizer que as senhoras Hilda e Luciana compartilharam das suas experiências na Terra...
- Isso mesmo - respondeu tranqüilo.
Nesse ínterim, a senhora Hilda tomou a palavra, dirigindo-se a mim:
- Desculpe o nosso Tobias, irmão André. Ele está sempre disposto a falar do passado, quando nos encontramos com alguma visita de recém-chegados
da Terra.
- Pois não será motivo de júbilo - aduziu Tobias bem-humorado -, vencer o monstro do ciúme inferior, conquistando, pelo menos, alguma expressão de fraternidade real?
- De fato - objetei -, o problema interessa profundamente a todos nós. Há milhões de pessoas, nos círculos do planeta, em estado de segundas núpcias. Como resolver tão alta questão afetiva, considerando a espiritualidade eterna? Sabemos que a morte do corpo apenas transforma sem destruir. Os laços da alma prosseguem, através do Infinito. Como
proceder? Condenar o homem ou a mulher que se casaram mais de uma vez? Encontraríamos, porém, milhões de criaturas nessas condições. Muitas vezes já lembrei, com interesse, a passagem evangélica em que o Mestre nos promete a vida dos anjos, quando se referiu ao casamento na Eternidade.
- Forçoso é reconhecer, todavia, com toda a nossa veneração ao Senhor - atalhou o anfitrião, bondoso -, que ainda não nos achamos na esfera dos anjos e, sim, dos homens desencarnados.
- Mas, como solucionar aqui semelhante situação? - perguntei.
Tobias sorriu e considerou:
- Muito simplesmente; reconhecemos que entre o irracional e o homem há enorme série gradativa de posições. Assim, também, entre nós outros, o caminho até o anjo representa imensa distância a percorrer. Ora, como podemos aspirar à companhia de seres angélicos, se ainda não somos nem mesmo fraternos uns com os outros? Claro que existem caminheiros de ânimo forte, que se revelam superiores a todos os obstáculos da senda, por supremo esforço da vontade; mas a maioria não prescinde de pontes ou do socorro de guardiães caridosos. Em vista dessa verdade, os casos dessa natureza são resolvidos nos alicerces da fraternidade legítima, reconhecendo-se que o verdadeiro casamento é de
almas e essa união ninguém poderá quebrantar.
Nesse instante, Luciana, que se mantinha silenciosa, interveio, acrescentando:
- Convém explicar, todavia, que tudo isso, felicidade e compreensão, devemos ao espírito de amor e renúncia de nossa Hilda.
A senhora Tobias, no entanto, demonstrando humildade digna, acentuou:
- Calem-se. Nada de qualidades que não possuo. Buscarei sumariar nossa história, a fim de que nosso hóspede conheça meu doloroso aprendizado.
E continuou, depois de fixar um gesto de narradora amável:
- Tobias e eu nos casamos na Terra, quando ainda muito jovens, em obediência a sagradas afinidades espirituais. Creio desnecessário descrever a felicidade de duas almas que se unem e se amam verdadeiramente no matrimônio. A morte, porém, que parecia enciumada de nossa ventura, subtraiu-me do mundo, por ocasião do nascimento do segundo filhinho.
Nosso tormento foi, então, indescritível. Tobias chorava sem remédio, ao passo que eu me via sem forças para sufocar a própria angústia. Pesados dias de Umbral abateram-se sobre mim. Não tive remédio senão continuar agarrada ao marido e ao casal de filhinhos, surda a todo esclarecimento que os amigos espirituais me enviavam, por intuição.
Queria lutar, como a galinha ao lado dos pintainhos. Reconhecia que o esposo necessitava reorganizar o ambiente doméstico, que os pequeninos reclamavam assistência maternal. Tornava-se a situação francamente insuportável. Minha cunhada solteira não tolerava as crianças e a cozinheira apenas fingia dedicação. Duas amas jovens pautavam toda a conduta pessoal pela insensatez. Não pôde Tobias adiar a solução justa e, decorrido um ano da nova situação, desposou Luciana, contrariando meus caprichos. Ah! se soubesse como me revoltei! Semelhava-me a uma loba ferida. Minha ignorância deu até para lutar com a
pobrezinha, tentando aniquilá-la. Foi aí que Jesus me concedeu a visita providencial de minha avó materna, desencarnada havia muitos anos. Chegou ela como quem nada desejava, enchendo-me de surpresa, sentou-se a meu lado, pôs-me em seguida ao colo, como noutro tempo, e perguntou-me lacrimosa: - "Que é isso, minha neta? Que papel é o seu na vida? Você é leoa ou alma consciente de Deus? Pois nossa irmã Luciana serve de mãe a seus filhos, funciona como criada de sua casa, é jardineira do seu jardim, suporta a bílis do seu marido e não pode assumir o lugar provisório de companheira de lutas, ao lado dele? É assim que o seu coração agradece os benefícios divinos e remunera aqueles que o servem? Quer você uma escrava e despreza uma irmã? Hilda! Hilda! onde está a religião do
Crucificado que você aprendeu? Oh! minha pobre neta, minha pobre!..." Abracei-me, então, em lágrimas, com a velhinha santa e abandonei o antigo ambiente doméstico, vindo em companhia dela para os serviços de "Nosso Lar". Desde essa época, tive em Luciana mais uma filha. Trabalhei, então, intensamente. Consagrei-me ao estudo sério, ao melhoramento moral de mim mesma, busquei ajudar a todos, sem distinção, em nosso antigo lar
terrestre. Constituiu Tobias uma família nova, que passou a me pertencer, igualmente, pelos sagrados laços espirituais. Mais tarde, voltou ele, reunindo-se a mim, acompanhado de Luciana, que veio também ter conosco para nossa completa alegria. E aí tem, meu amigo, a nossa história...
Luciana, contudo, tomou a palavra e observou:
- Não disse ela, porém, quanto se tem sacrificado, ensinando-me com exemplos.
- Que dizes, filha? - perguntou a senhora Tobias, acariciando-lhe a destra.
Luciana sorriu e ajuntou:
- Mas, graças a Jesus e a ela, aprendi que há casamento de amor, de fraternidade, de provação, de dever, e, no dia em que Hilda me beijou, perdoando-me, senti que meu coração se libertara desse monstro que é o ciúme inferior. O matrimônio espiritual realiza-se, alma com alma, representando os demais simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores, embora todos sejam sagrados.
- E assim construímos nosso novo lar, na base da fraternidade legítima - acrescentou o dono da casa.
Aproveitando o ligeiro silêncio que se fizera, indaguei:
- Mas como se processa o casamento aqui?
- Pela combinação vibratória - esclareceu Tobias, atencioso -, ou então, para ser mais explícito -, pela afinidade máxima ou completa.
Incapaz de sopitar a curiosidade, esqueci a lição de bom-tom e interroguei:
- Mas, qual a posição de nossa irmã Luciana neste caso?
Antes, porém, que os cônjuges espirituais respondessem, foi a própria interessada que explicou:
- Quando desposei Tobias, viúvo, já devia estar certa de que, com todas as probabilidades, meu casamento seria uma união fraternal, acima de tudo. Foi o que me custou a compreender. Aliás, é lógico que, se os consortes padecem inquietação, desentendimento, tristeza, estão unidos fisicamente, mas não integrados no matrimônio espiritual.
Queria perguntar mais alguma coisa; entretanto, não encontrava palavras que revelassem ausência de impertinente indiscrição. A senhora Hilda, contudo, compreendeu-me o pensamento e explicou:
- Fique tranqüilo. Luciana está em pleno noivado espiritual. Seu nobre companheiro de muitas etapas terrenas precedeu-a há alguns anos, regressando ao círculo carnal. No ano próximo, ela seguirá igualmente ao seu encontro. Creio que o momento feliz será em São Paulo.
Sorrimos todos alegremente.
Nesse instante, Tobias foi chamado à pressa, para atender a um caso grave nas Câmaras de Retificação.
Era preciso, desse modo, encerrar a palestra.

(Nosso Lar, cap. 38, André Luiz/Chico Xavier, FEB)

09 outubro 2010

MATÉRIA FÍSICA E MENTAL

"A matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo." - André Luiz

PENSAMENTO DO CRIADOR - Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo, do qual conhecemos o elétron como sendo um dos corpúsculos-base, nas organizações e oscilações da matéria, interpretaremos o Universo como um todo de forças dinâmicas, expressando o pensamento do Criador.E superpondo-se-lhe à grandeza indevassável, encontraremos a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de progresso.
No macrocosmo e no microcosmo, tateamos as manifestações da Eterna Sabedoria que mobiliza agentes incontáveis para a estruturação de sistemas e formas, em variedade infinita de graus e fases, e entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande surge a inteligência humana, dotada igualmente da faculdade de mentalizar e co-criar, empalmando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente.
Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se manifestam.

PENSAMENTOS DAS CRIATURAS - Do Princípio Elementar, fluindo incessantemente no campo cósmico, auscultamos, de modo imperfeito, as energias profundas que produzem eletricidade e magnetismo, sem conseguir enquadrá-las em exatas definições terrestres, e, da matéria mental dos seres criados, estudamos o pensamento ou fluxo energético do campo espiritual de cada um deles, a se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios ultra-super-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até as ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.
Os espíritos aperfeiçoados, que conhecemos sob a designação de pot6encias angélicas do Amor Divino, operam no micro e no macrocosmo, em nome da Sabedoria Excelsa, formando condições adequadas e multiformes à expansão, sustentação e projeção da vida, nas variadas esferas da Natureza, no encalço de aquisições celestiais que, por enquanto, estamos longe de perceber. A mente dos homens, indiretamente controlada pelo comando superior, interfere no acervo de recursos do Planeta, em particular, aprimorando-lhe os recursos na direção do plano angélico, e a mente embrionária dos animais, influenciada pela direção humana, hierarquiza-se em serviços nas regiões inferiores da Terra, no rumo das conquistas da Humanidade.

CORPÚSCULOS MENTAIS - Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extrafísico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, - a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo.
Temos, ainda aqui, as formações corpusculares, com bases nos sistemas atômicos em diferentes condições vibratórias, considerando os átomos, tanto no plano físico, quanto no plano mental, como associações de cargas de cargas positivas e negativas.
Isso nos compele naturalmente a denominar tais princípios de "núcleos, prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais", em vista da ausência de terminologia analógica para estruturação mais segura de nossos apontamentos.
Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhes são próprios ou habituais, dentro de normas que correspondem à lei dos "quanta de energia" e aos princípios da mecânica ondulatória, que lhe imprimem freqüência e cor peculiares.
Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estado de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

MATÉRIA MENTAL E MATÉRIA FÍSICA - Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples sustentação da individualidade, correspondendo à manutenção do calor. Se forem os elétrons mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais sejam os de atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o campo dos pensamentos exprimir-se-á em ondas de comprimento médio ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos atômicos, em situações extraordinárias da mente, quais sejam as emoções profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá raios muito curtos ou de imenso poder transformador do campo espiritual, teoricamente semelhantes aos que se aproximam do raio gama.
Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo.

INDUÇÃO MENTAL - Recorrendo aos "campos" de Einstein, imaginamos a mente humana no lugar da chama em atividade. Assim como a intensidade de influência da chama diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, demonstrando fração cada vez menos, sem nunca atingir a zero, a corrente mental de espraia, segundo o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições.
Essa corrente de partículas mentais exterioriza-se de cada Espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objetivos que demande.
Tanto quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contato visível, no reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico, porquanto a corrente mental é suscetível de reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe sintonize. E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação de fluxo energético.
Compreendemos, assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem afetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de forças em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.

FORMAS-PENSAMENTOS - Pelos princípios mentais que influenciam em todas as direções, encontramos a telementação e a reflexão comandando todos os fenômenos de associação, desde o acasalamento dos insetos até a comunhão dos Espíritos Superiores, cujo sistema de aglutinação nos é, por agora, defeso ao conhecimento.
Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.
É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas e desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.


(Mecanismos da Mediunidade, cap. IV, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

06 outubro 2010

APRESENTAÇÃO DOS DESENCARNADOS

Que princípios regem a apresentação dos Espíritos desencarnados aos médiuns humanos?

ANDRÉ LUIZ: O aspecto que as entidades desencarnadas assumem perante os médiuns humanos, quando se comunicam na Terra, pode variar infinitamente.
Os Espíritos Superiores, pelo domínio natural que exercem sobre as células psicossomáticas, podem adotar a apresentação que mais proveitosa se lhes afigure, com vistas à obra meritória que se propõem realizar.
Entretanto, essa maneira de intercâmbio não é a mais comum, porque, de modo geral, os desencarnados impressionam os instrumentos mediúnicos encarnados na forma em que efetivamente se encontram.
Decerto, não falta indumentária digna às criaturas que se emancipam do vaso físico, roupagem, toda ela, confeccionada com esmero e carinho por mãos hábeis e nobres da esfera extrafísica.
É importante considerar, todavia, que os Espíritos desencarnados, mesmo os classe inferior, guardam a faculdade de exteriorizar os fluidos plasticizantes que lhe são peculiares, espécie de aglutininas mentais com que envolvem a mente mediúnica encarnada, recursos esses nos quais plasmam, como lhes seja possível, as imagens que desejam expressar e que adquirem para as percepções do médium coloração e movimento, fazendo-o exprimir-se ou agir, em comportamento semelhante ao passivo comum na hipnose provocada.
Tais fenômenos, porém, são isolados e apenas se verificam entre o médium e a entidade que o influencia, sem substância na realidade prática, qual ocorre no campo das sugestões, durante a interligação mento-psíquica, entre o hipnotizado e o hipnotizador.

Como interpretaremos a existência de roupas, calçados e peças protéticas nas entidades desencarnadas se tais petrechos são inanimados, não sendo dirigidos de modo direto pela mente?

ANDRÉ LUIZ: A mente não comanda as moléculas de algodão do vestuário de que se serve no corpo físico, mas pode usá-las, segundo as suas necessidades no mundo.
Ocorre o mesmo no Plano Espiritual, em que nos utilizamos das possibilidades ao nosso alcance para atender a esse ou àquele imperativo de nossa apresentação.

(Evolução em Dois Mundos, Parte II, cap. V, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

05 outubro 2010

MEDIUNIDADE CURATIVA

"O processo de socorro pelo passe é tanto mais eficiente quanto mais intensa se faça a adesão daquele que lhe recolhe os benefícios, de vez que a vontade do paciente, erguida ao limite máximo de aceitação, determina sobre si mesmo mais
elevados potenciais de cura."
André Luiz

MENTE E PSICOSSOMA - Compreendendo-se o envoltório psicossomático por templo da alma, estruturado em bilhões de células a se caracterizarem por atividade incessante, é natural imaginemos cada centro de força e cada órgão por departamento de trabalho, interdependentes entre si, não obstante o caráter autônomo atribuível a cada um.
Semelhantes peças, no entanto, obedecem ao comando mental, sediado no cérebro, que lhes mantém a coesão e o equilíbrio, por intermédio das oscilações inestancáveis do pensamento.
Temos, assim, as variadas províncias celulares sofrendo o impacto constante das radiações mentais, a lhes absorverem os princípios de ação e reação desse ou daquele teor, pelos quais os processos da saúde e da enfermidade, da harmonia e da desarmonia são associados e desassociados, conforme a direção que lhes imprima a vontade.
Naturalmente não podemos esquecer que o alimento comum garante a subsistência do corpo físico, através da permuta contínua de substâncias com a incessante transformação de energia, e isso acontece porque a força mental conjuga substância e energia na produção dos recursos de apoio à existência e dos elementos reguladores do metabolismo.
Além desses fatores, cabe-nos contar com os fatores mentais para a sustentação de todos os agentes da vida, que se fará dessa ou daquela forma, segundo a qualidade desses mesmos ingredientes.
Conforme a integridade desses princípios, resultará a integridade do poder mecânico da mente para a formação dos anticorpos na intimidade das forças componentes do sistema sangüíneo.

SANGUE E FLUIDOTERAPIA - Salientando-se que o sistema hemático do corpo físico representa o conjunto das energias circulantes no corpo espiritual ou psicossoma, energias essas tomadas em princípio pela mente, através da respiração, ao reservatório incomensurável do fluido cósmico, é para ele que nos compete voltar a atenção, no estudo de qualquer processo fluidoterápico de tratamento ou de cura.
Relacionados com os centros psicossomáticos, os variados núcleos da vida sangüínea produzem as grandes coletividades corpusculares das hemácias, dos leucócitos, trombócitos, macrófagos, linfócitos, histiócitos, plasmócitos, monócitos e outras unidades a se dividirem, inteligentemente em famílias numerosas, movimentando-se em trabalho constante, desde os fulcros geratrizes do baço e da medula óssea, do fígado e dos gânglios, até o âmago dos órgãos.
Fácil entender que todo desregramento de natureza física ou moral faz-se refletir, de imediato, por reações mentais conseqüentes, sobre as províncias celulares, determinando situações favoráveis ou desfavoráveis ao equilíbrio orgânico.
O pensamento é a força que, devidamente orientada, no sentido de garantir o nível das entidades celulares no reino fisiológico, lhes facilita a migração ou lhes acelera a mobilidade para certos efeitos de preservação ou defensiva, seja na improvisação de elementos combativos e imunológicos ou na impugnação aos processos patogênicos, com a intervenção da consciência profunda.
Deduzimos, sem dificuldade, que se é possível a hipnotização da mente humana, com vistas a certos fins, com mais propriedade operar-se-á a magnetização das entidades corpusculares, para efeitos determinados, no ajustamento das células.

MÉDIUM PASSISTA - Entendemos que a mediunidade curativa se reveste da mais alta importância, desde que alicerçada nos sentimentos mais puros da mais pura fraternidade.
É claro que não nos reportamos aos magnetizadores que desenvolvem as forças que lhes são peculiares, no trato da saúde humana.
Referimo-nos, sim, aos intérpretes da Espiritualidade Superior, consagrados à assistência providencial aos enfermos, para encorajar-lhes a ação.
Decerto, o estudo da constituição humana lhes é naturalmente aconselhável, tanto quanto ao aluno de enfermagem, embora não seja médico, se recomenda a aquisição de conhecimentos do corpo em si. E do mesmo modo que esse aprendiz de rudimentos da Medicina precisa atentar para a assepsia do seu quadro de trabalho, o médium passista necessitará vigilância no seu campo de ação, porquanto de sua higiene espiritual resultará o reflexo benfazejo naqueles que se proponha socorrer. Eis porque se lhe pede a sustentação de hábitos nobres e atividades limpas, com a simplicidade e a humildade por alicerces no serviço de socorro aos doentes, de vez que semelhantes fatores funcionarão à maneira do tungstênio na lâmpada elétrica, suscetível de irradiar a força da usina, produzindo a luz necessária à expulsão da sombra.
O investimento cultural ampliar-lhe-á os recursos psicológicos, facilitando-lhe a recepção das ordens e avisos dos instrutores que lhe propiciem amparo, e o asseio mental lhe consolidará a influência, purificando-a, além de dotar-lhe a presença com a indispensável autoridade moral capaz de induzir o enfermo ao despertamento das próprias forças de reação.

MECANISMO DO PASSE - Tendo mencionado o fenômeno hipnótico em diversas passagens de nossas anotações, a ele recorremos, ainda uma vez, para definir o medianeiro do passe magnético por autêntico representante do magnetizador espiritual, à frente do enfermo.
Estabelecido o clima de confiança, qual acontece entre o doente e o médico preferido, cria-se a ligação sutil entre o necessitado e o socorrista e, por semelhante elo de forças, ainda imponderáveis no mundo, verte o auxílio da Esfera Superior, na medida dos créditos de um e outro.
Ao toque da energia emanante do passe, com a supervisão dos benfeitores desencarnados, o próprio enfermo, na pauta da confiança e do merecimento de que dá testemunho, emite ondas mentais características, assimilando os recursos vitais que recebe, retendo-os na própria constituição fisiopsicossomática, através das várias funções do sangue.
O socorro, quase sempre hesitante a princípio, corporifica-se à medida que o doente lhe confere atenção, porque, centralizando as próprias radiações sobre as províncias celulares de que se serve, lhes regula os movimentos e lhes corrige a atividade, mantendo-lhes as manifestações dentro de normas desejáveis, e, estabelecida a recomposição, volve a harmonia orgânica possível, assegurando à mente o necessário governo do veículo em que se amolda.

VONTADE DO PACIENTE - O processo de socorro pelo passe é tanto mais eficiente quanto mais intensa se faça a adesão daquele que lhe recolhe os benefícios, de vez que a vontade do paciente, erguida ao limite máximo de aceitação, determina sobre si mesmo mais elevados potenciais de cura.
Nesse estado de ambientação, ao influxo dos passes recebidos, asa oscilações mentais do enfermo se condensam, mecanicamente, na direção do trabalho restaurativo, passando a sugeri-lo às entidades celulares do veículo em que se expressam, e os milhões de corpúsculos do organismo fisiopsicossomático tendem a obedecer, instintivamente, às ordens recebidas, sintonizando-se com os propósitos do comando espiritual que os agrega.

PASSE O ORAÇÃO - O passe, como gênero de auxílio, invariavelmente aplicável sem qualquer contra-indicação, é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe, desde as criancinhas tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física, reconhecendo-se, no entanto, ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária, por desajustes complicados no cérebro.
Esclareçamos, porém, que, em toda situação e em qualquer tempo, cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida, porquanto, através da oração, contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina, a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem.

(MECANISMOS DA MEDIUNIDADE, Cap. XXII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

JESUS E MEDIUNIDADE CURATIVA - No que se refere aos poderes curativos, temo-los em Jesus nas mais altas afirmações de grandeza. Cercam-no doentes de variada expressão. Paralíticos estendem-lhe membros mirrados, obtendo socorro. Cegos recuperam a visão. Ulcerados mostram-se limpos. Alienados mentais, notadamente obsidiados diversos, recobram equilíbrio.
É importante considerar, porém, que o Grande Benfeitor a todos convida para a valorização das próprias energias.
Reajustando as células enfermas da mulher hemorroíssa, diz-lhe convictamente : - "Filha, tem bom ânimo! A tua fé te curou." (Mateus 9:22). Logo após, tocando os olhos de dois cegos que lhe recorrem à caridade, exclama: -"Seja feito segundo a vossa fé!" (Mateus 9:29).
Não salienta a confiança por simples ingrediente de natureza mística, mas sim por recurso de ajustamento do princípios mentais, na direção da cura.
E encarecendo o imperativo do pensamento reto para a harmonia do binômio mente-corpo, por várias vezes o vemos impelir os sofredores aliviados à vida nobre, como no caso do paralítico de Betesda, que, devidamente refeito, ao reencontrá-lo no templo, dele ouviu a advertência inesquecível: - "Eis que já estás são. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior." (João 5:14)

(MECANISMOS DA MEDIUNIDADE, Cap. XXVI, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

03 outubro 2010

PARA NOSSA REFLEXÃO

O objetivo da vida é retornar ao Amor, de momento a momento.
Para atender a esse propósito, a pessoa precisa reconhecer que
é completamente responsável por criar a sua vida do jeito que ela é.
Ela precisa compreender que são os seus pensamentos que criam a sua vida
da maneira como ela é, de momento a momento. Os problemas não são as
pessoas, os lugares e as situações, mas sim os pensamentos a respeito deles.
A pessoa precisa aceitar a idéia de que não existe o "Lá fora".

Dr.Hew Len no livro Limite Zero com Joe Vitale.

“... somos participantes de uma conversação em andamento – um diálogo quântico – com nós mesmos, com nosso mundo e além dele. Dentro dessa troca cósmica, nossos sentimentos, emoções, orações e crenças de todo instante representam nossa fala ao universo. E tudo, da vitalidade de nosso corpo à paz em nosso mundo, é o universo nos respondendo.” (Gregg Braden – A Matriz Divina – Ed. Cultrix)