Ceticismo é uma pretensa atitude do espírito que erige a dúvida em norma geral, segundo a qual nenhuma certeza está ao nosso alcance, nem no domínio experimental, nem no campo racional. A rigor, o ceticismo não deveria tomar parte no debate do problema do conhecimento, visto que ele mesmo, pela posição que sustenta, adotando a epochè, elimina-se do terreno da disputa. É, assim, uma espécie de intruso nos problemas críticos da verdade, da certeza científica e da objetividade do conhecimento. Hoje, praticamente, tal doutrina não recruta mais adeptos, pelo menos na sua forma radical, seja o ceticismo universal, absoluto.
Podemos resumir os argumentos do ceticismo assim:
1º) Qual a garantia objetiva de que o mundo, no qual se desenvolve o nosso pensamento, seja de consistência diferente do ilusório, que construimos os nossos sonhos? Ora, quando sonhamos, acreditamos na realidade desse mundo sonhado, mas quando despertamos reconhecemos o nosso evidente erro. E como saber se o mundo real é de natureza diferente do ilusório, ou seja, do por nós sonhado? Quem sabe se um dia não despertaremos do nosso sonho atual relativo à concepção do mundo real e não perceberemos o erro secular em que temos sucessivamente incorrido?!... Os nossos devaneios, então, poderão ser naturalmente diluidos, desfeitos!
2º) Pretendendo demonstrar a impossibilidade do pensamento, raciocinam os céticos ainda assim: ora, para distinguir o que é certo do que é errado, recorremos ao testemunho da razão, isto é, ao nosso árbitro supremo, ao nosso juiz infalível: a razão. Muito bem. Mas quem é que vai julgar esse juiz? E quem pode garantir que não seja esse suposto juiz a fonte de todos os enganos, de todas as mistificações? Acontece que não dispomos de um tribunal no qual se faça submeter a razão. E nesse caso, a razão pode ser juíza de si mesma, apresentando-se, por isso mesmo, sem títulos, sem credenciais no debate sustentado. Com efeito, os dogmáticos, que admitem a certeza e o valor da razão como instrumento hábil de conhecer, se esquecem de que, justamente, é a razão que está sendo levada à barra do Tribunal como ré, sentando-se no banco próprio e fazendo-a juíza de si mesma! Logo, o dogmatismo comete um erro fundamental, logicamente chamado de “Petitio principie”. Está num círculo vicioso. É o argumento do Dialelo e que Montagne sintetiza nesta frase histórica: “Nous sommes au rouet” voltamos sempre ao ponto de partida. “Curiosa justiça” – assinala ainda Montagne – “que um rio delimita”; não há crime que no decorrer dos séculos não tivesse seu lugar na história da justiça. Verdade aquém dos Pirineus e erro dos Pirineus! Francisco Sanches – o filósofo brancarense – seguiu-lhe as pegadas, tentando inutilmente invalidar o dogmatismo filosófico. Suas idéias estão impregnadas dum ceticismo superado.
O Ceticismo às vezes se apresenta mitigado sob a denominação de probabilismo. A verdade, segundo esta doutrina, não está ao nosso alcance, mas por falta dela, podemos pelo menos vislumbrar, conhecer o verossímil!
E podemos agora argumentar que o Ceticismo é uma doutrina verdadeiramente insustentável, estribado nos próprios argumentos dos seus defensores. Vejamos: os céticos afirmam que “nunca afirmam nada e que, mesmo afirmando, o que não afirma, nada afirmam”! Ora, esta frase nada mais é que uma justaposição de palavras que não exprime nenhum pensamento, que nada tem de inteligível. Pois, que significa a frase “mesmo afirmando eu nada afirmo?”. Frase sem correspondência no pensamento, que o espírito não pode realizar e que, no fundo, constitui uma violação do princípio de identidade, que tem como caracteres a evidência, a necessidade e a universalidade. Assim é que, afirmando, afirmo, e, não afirmando, nada afirmo. É crucial e lógico. Aliás, em primeiro lugar, o ceticismo, na sua modalidade radical, na realidade, nunca prevaleceu e não pode prevalecer jamais. Pois, como observa Aristóteles, só um vegetal poderia realizar as condições exigidas pelo verdadeiro ceticismo, das quais a primeira e principal consiste em não pensar. Mas pelo menos o vegetal – acrescenta, irônico, Aristóteles – nada diz: ele permanece calado!... Aliás – observa ainda o Estagirita – gostaria de saber porque os céticos, no momento de almoçar, não se lançam num abismo! Esta atitude dos chamados céticos, pelo menos, revela uma coisa e que eles sabem distinguir perfeitamente um almoço de um abismo! Tem razão o mestre de Teofrasto.
Não há um pensamento que não pense nem um saber que não saiba. Assim, o ceticismo será um novo sistema sofístico ou um corolário dele.
Em segundo lugar, o outro argumento dos céticos – “Petitio principie” – parece voltar-se contra o próprio ceticismo, pois que rejeita o valor do conhecimento, especialmente o racional, mas é justamente raciocinando que ele rejeita o valor do raciocínio, já que é em nome dele que ele o repudia. É raciocinando que ele prova, também, não acreditar no próprio raciocínio. Aliás, a frase de Montagne “Nous sommes au rouet”, repousa num erro lógico que esse fideísta ou cético moderado atribui ao dogmatismo. Realmente, para o ceticismo, só é possível aderir ao valor da razão depois da demonstração desse valor. Ora, sendo isso impossível, “nous sommes au rouet”! Mas aí é que está o erro, pois resta saber se tudo deve ser demonstrado, isto é, por exemplo, se aderimos ao princípio de identidade em conclusão de uma demonstração preliminar. Não é verdadeiro somente o demonstrável. A propósito, já sabiamente sentenciava Aristóteles: “O princípio de uma demonstração não é uma demonstração”. Quer dizer que na série de raciocínios e preposições que forma um encadeamento de uma preposição, chegamos sempre ao demonstrável.
Quanto ao probabilismo, já Santo Agostinho fez, em termos conscienciosos, uma crítica desta doutrina. Como admitir – pergunta Santo Agostinho – o verossímil, isto é, o que parece verdade? Como se pode falar de uma semelhança com aquilo que, por definição, não podemos saber? Logo, pelo exposto, fica provada e explicada a ausência do ceticismo na discussão do problema crítico, desaprovando a atitude de alguns autores, insistindo em fazer intervir o ceticismo no problema gnosiológico. O Ceticismo aconselha o epochè – a suspensão do juízo, mas julga, ao negar possibilidade do conhecimento. A escola cética procurou demonstrar a ataraxia ou tranqüilidade do espírito, que é condição de felicidade (princípio da indiferença universal). Pretendia que nada fosse certo!
HISTÓRIA DO CETICISMO
Tivemos Enesidemo de Creta, que teve escola em Alexandria e criticou a noção de causalidade. Sexto Empírico é ainda o cético ligado ao pensamento grego, tendo escrito as “Hypotiposes Pirrónicas” e “Contra Matemáticos”.
Ceticismo prático (Timão) – ao probabilismo (Academia Nova), segundo Brochart, em sua obra “Os Céticos Gregos”. O mais radical dos céticos, no entanto, é Pirro, que em muitos passos de sua doutrina, lembra Sócrates. Disse muito e escreveu pouco. Contribuições posteriores foram acumuladas à obra pessoal de Pirro. Platão já argumentava: “Tu sabes o que dizes ou não sabes. Se sabes tens conhecimento; se não sabes então és um insensato”. É um argumento contra o ceticismo, total. Os sofistas foram precursores do movimento cético. Era, ou o relativismo (Protágoras) ou niilismo (Górgias). A rigor, o ceticismo tinha, em geral, um caráter mitigado e não radical. O ceticismo é um sistema que nega à inteligência a possibilidade de atingir a verdade. É, ou universal, ou particular. O absoluto é o Pirrônico. O mitigado é o acadêmico de Carnéades e Argesiláu. Existe o ceticismo particular ou agnosticismo. O ceticismo positivista é um ceticismo particular. A atitude de destruir o dogmatismo já é uma posição insustentável. O cético radical tem que suspender o julgamento, isto é, fazer a epochè Daí a impossibilidade da discussão. Os céticos apresentaram dez tropes (aporias), mais tarde reduzidas a cinco por Enesídimo:
1.A diversidade dos animais;
2.As diferenças entre os homens;
3.As diversidades do sentido;
4.As circunstâncias;
5.As situações, a distância, os lugares;
6.As misturas;
7.As variações quantitativas;
8.Relação;
9.A freqüência e a rareza;
10.Os costumes, as leis e as opiniões.
Essas são as razões pelas quais a verdade não é possível para o cético. O Ceticismo vai sofrer a reação do célebre bispo de Hipona.
Husserl, com a sua fenomenologia, adota a epochè, e por isso mesmo, sua posição é a de um cético moderado, pondo a existência entre parêntesis. Heiddeger, seu discípulo, de quem se separa, vai ao plano das existências. Daí a fenomenologia existencialista.
Convém não confundir a epochè com a dúvida crítica de Kant nem com a dúvida metódica de Santo Agostinho e Descartes. Kant, provisoriamente, estuda a possibilidade da razão, (CRÍTICA DA RAZÃO PURA), para conceber a verdade. A dúvida cartesiana é a instrumental e provisória. Com esta espécie de dúvida estão noventa e nove por cento dos filósofos de todos os tempos, podendo incluir-se nesse número o célebre Claud Bernard.
Heráclito, por se recusar a aceitar o testemunho dos sentidos, é apontado como partidário do ceticismo absoluto, embora essa posição não seja assinalada por muitos autores. Evidentemente, afirmava o efesino: “Tudo escorre, tudo flui, nada pára; nada é, tudo está sendo. O universo é como um rio: ninguém se banha duas vezes nas águas do mesmo rio”! O que existe de constante é a mutabilidade, a transformação.
Parmênides – o antípoda intelectual de Heráclito – quando negava o movimento, pregava o ceticismo. Também negava o testemunho evidente dos sentidos. E daí a reação sofística contra ambos. Mas os sofistas, conquanto demolidores, provocaram a maravilha da reação socrática. Sem eles, Sócrates não seria compreendido!...
Carlos Bernardo Loureiro
Um blog onde se respeita a diversidade religiosa,
o livre pensamento e o direito à expressão.
08 agosto 2010
04 agosto 2010
FEIJÕES OU PROBLEMAS ?
Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um o poderia. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para por a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.
Dia e hora marcado, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.
Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei.
Carregando feijões, ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento, é você quem determina.
Autor desconhecido
Dia e hora marcado, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.
Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei.
Carregando feijões, ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento, é você quem determina.
Autor desconhecido
03 agosto 2010
SANTO CAPITALISTA ?
Kleber Matias
Os três movimentos sociais mais importantes do Brasil, o messianismo, o banditismo e o fanatismo, coincidentemente, tiveram à sua frente, pessoas polêmicas. E porque não dizer, extremamente polêmicas. O primeiro é representado por Antônio Conselheiro, da guerra de Canudos (revolucionário ou louco?). O segundo, tem como figura mais expressiva, Lampião (herói ou bandido?) e o terceiro, o Padre Cícero (embusteiro ou santo?). Esses três personagens, que por sinal, foram contemporâneos, dominam até hoje o imaginário do povo nordestino.
Li e reli dezenas de livros sobre a história brasileira dessa época, (1844-1944), que me deram o prazer de conhecer o Padre Ibiapina, o beato José Lourenço, líder do Caldeirão e ainda, entender melhor, mais claramente, a importância político-social da Coluna Prestes, da guerra do Paraguai e do Contestado. Li, sobretudo, vários livros sobre o Padre Cícero. Dentre estes, apenas um me pareceu equilibrado: Milagre em Joazeiro, justamente a tese de pós-graduação em história latino- americana, do historiador Ralph Della Cava da Universidade de Columbia (EUA). Os demais, que me perdoem os autores, são de uma ingenuidade impressionante. Uma metade foi escrita por fanáticos ou apaniguados. A outra, por inimigos declarados do padre; que por sinal, comemora-se hoje, a data dos 76 anos de sua morte.
A meu ver, o grande problema da vida do Padre Cícero, foi sem dúvida acreditar piamente na beata Maria de Araújo. A sua crença no chamado Milagre da Hóstia acabou por levá-lo à presença dos Cardeais Inquisidores em Roma. Estes, por sua vez, impuseram-lhe uma mordaça. Não podia mais rezar missas, batizar, casar. Com a perda do poder eclesiástico, o padre partiu em busca do poder econômico e político. Alicerçado no passado, ostentando a imagem do homem bom e decente que fora até então, não teve dificuldades em subjugar e fanatizar o povo alienado, analfabeto, necessitado. Ao longo dos anos, com a ajuda de doações em nome da Igreja, conseguiu acumular uma verdadeira fortuna. Em 1910 era um homem rico. Possuía inúmeras fazendas, gado, imóveis e até uma mina de cobre.
Mas o padre Cícero não se satisfazia. Nesse mesmo ano, com sua anuência, a vila de Joazeiro tornou-se independente do Crato e proclamou-se cidade. Começa sua escalada política. Foi seu prefeito durante onze anos, depois deputado federal e vice-presidente da província do Ceará. Considerado um dos latifundiários mais influentes daquele estado, não tardou a aparar as arestas dos políticos locais. Propôs o célebre Pacto dos Coronéis e conseguiu apaziguar o cenário político durante vários anos.
Por volta de 1926, “Pade Ciço” era mais político que religioso, posicionando-se como um anticomunista ferrenho. Aproveitando a fidelidade de Lampião à sua pessoa, o pároco juntou-se a amigos fazendeiros e doaram-lhe armas e munições para que atacasse o revoltoso Luiz Carlos Prestes e sua famosa “Coluna”. Para tanto, por sua articulação, o bandoleiro recebeu também a patente de Capitão das Forças Patrióticas.
Recentemente foi lançada uma biografia extensa e minuciosa sobre o Patriarca do Ceará, do jornalista Lira Neto: Poder, Fé e Guerra no Sertão. O livro chega no momento em que o Vaticano se apressa em anistiar o padre Cícero e está em vias de canonizá-lo. O processo está sendo conduzido pessoalmente pelo papa Bento XVI com o objetivo claro de deter o avanço das igrejas evangélicas no Brasil. Para isto não podia contar com aliado melhor, um ícone popular que até hoje leva mais de 2,5 milhões de peregrinos todos os anos ao Joazeiro do Norte.
Ora, convenhamos! Não é necessário ser religioso para perceber que esse perfil não corresponde exatamente àquele de um santo. Por que não viabilizar a canonização de pessoas sabidamente corretas, íntegras, ilibadas, como Dom Helder Camara, Irmã Dulce ou Chico Xavier; que apesar de não ser padre (condição sine qua non), era um cristão fervoroso. Pensem sobre isso!
Os três movimentos sociais mais importantes do Brasil, o messianismo, o banditismo e o fanatismo, coincidentemente, tiveram à sua frente, pessoas polêmicas. E porque não dizer, extremamente polêmicas. O primeiro é representado por Antônio Conselheiro, da guerra de Canudos (revolucionário ou louco?). O segundo, tem como figura mais expressiva, Lampião (herói ou bandido?) e o terceiro, o Padre Cícero (embusteiro ou santo?). Esses três personagens, que por sinal, foram contemporâneos, dominam até hoje o imaginário do povo nordestino.
Li e reli dezenas de livros sobre a história brasileira dessa época, (1844-1944), que me deram o prazer de conhecer o Padre Ibiapina, o beato José Lourenço, líder do Caldeirão e ainda, entender melhor, mais claramente, a importância político-social da Coluna Prestes, da guerra do Paraguai e do Contestado. Li, sobretudo, vários livros sobre o Padre Cícero. Dentre estes, apenas um me pareceu equilibrado: Milagre em Joazeiro, justamente a tese de pós-graduação em história latino- americana, do historiador Ralph Della Cava da Universidade de Columbia (EUA). Os demais, que me perdoem os autores, são de uma ingenuidade impressionante. Uma metade foi escrita por fanáticos ou apaniguados. A outra, por inimigos declarados do padre; que por sinal, comemora-se hoje, a data dos 76 anos de sua morte.
A meu ver, o grande problema da vida do Padre Cícero, foi sem dúvida acreditar piamente na beata Maria de Araújo. A sua crença no chamado Milagre da Hóstia acabou por levá-lo à presença dos Cardeais Inquisidores em Roma. Estes, por sua vez, impuseram-lhe uma mordaça. Não podia mais rezar missas, batizar, casar. Com a perda do poder eclesiástico, o padre partiu em busca do poder econômico e político. Alicerçado no passado, ostentando a imagem do homem bom e decente que fora até então, não teve dificuldades em subjugar e fanatizar o povo alienado, analfabeto, necessitado. Ao longo dos anos, com a ajuda de doações em nome da Igreja, conseguiu acumular uma verdadeira fortuna. Em 1910 era um homem rico. Possuía inúmeras fazendas, gado, imóveis e até uma mina de cobre.
Mas o padre Cícero não se satisfazia. Nesse mesmo ano, com sua anuência, a vila de Joazeiro tornou-se independente do Crato e proclamou-se cidade. Começa sua escalada política. Foi seu prefeito durante onze anos, depois deputado federal e vice-presidente da província do Ceará. Considerado um dos latifundiários mais influentes daquele estado, não tardou a aparar as arestas dos políticos locais. Propôs o célebre Pacto dos Coronéis e conseguiu apaziguar o cenário político durante vários anos.
Por volta de 1926, “Pade Ciço” era mais político que religioso, posicionando-se como um anticomunista ferrenho. Aproveitando a fidelidade de Lampião à sua pessoa, o pároco juntou-se a amigos fazendeiros e doaram-lhe armas e munições para que atacasse o revoltoso Luiz Carlos Prestes e sua famosa “Coluna”. Para tanto, por sua articulação, o bandoleiro recebeu também a patente de Capitão das Forças Patrióticas.
Recentemente foi lançada uma biografia extensa e minuciosa sobre o Patriarca do Ceará, do jornalista Lira Neto: Poder, Fé e Guerra no Sertão. O livro chega no momento em que o Vaticano se apressa em anistiar o padre Cícero e está em vias de canonizá-lo. O processo está sendo conduzido pessoalmente pelo papa Bento XVI com o objetivo claro de deter o avanço das igrejas evangélicas no Brasil. Para isto não podia contar com aliado melhor, um ícone popular que até hoje leva mais de 2,5 milhões de peregrinos todos os anos ao Joazeiro do Norte.
Ora, convenhamos! Não é necessário ser religioso para perceber que esse perfil não corresponde exatamente àquele de um santo. Por que não viabilizar a canonização de pessoas sabidamente corretas, íntegras, ilibadas, como Dom Helder Camara, Irmã Dulce ou Chico Xavier; que apesar de não ser padre (condição sine qua non), era um cristão fervoroso. Pensem sobre isso!
02 agosto 2010
PASCOA , FESTIVIDADE CRISTÃ?
A palavra Páscoa vem do aramaico pashã, cujo sentido original é muito discutido. Pode significar "saltar".
No hebraico pesah (pessach) significaria originariamente "dança cultual", ou conforme alguns, a passagem do sol pela constelação do carneiro ou da lua pelo seu ponto mais alto. No livro bíblico de Êxodo, a palavra toma o sentido de "passagem".
Originariamente, o pesah e a festa dos ázimos eram duas festas distintas. A primeira dessas festas tinha relação com a vida dos nômades, a segunda com a dos agricultores sedentários.
Como ambas as festas caíam na primeira lua cheia da primavera, foram mais tarde unidas, e celebradas em memória do êxodo dos judeus, porque, conforme a tradição, esse se dera na primavera.
Os ritos para a comemoração da Páscoa foram se transformando, ao longo dos anos. Ao tempo de Jesus, a refeição pascal era tomada em grupos de dez a vinte convivas, em casas particulares.
Os cordeiros, para a ceia, eram mortos no Templo, no dia 14 de Nisan, (ou Abib), que corresponde ao nosso mês de abril (talvez dia 6 ou 7), entre 14h30min e 17h., mas comido depois do pôr-do-sol.
A festa tomou verdadeiramente o caráter de comemoração da libertação do Egito, o que explica os ritos da festa, pela pressa com que os israelitas saíram, o que os obrigou, naquela oportunidade, a usar a massa que estava na masseira, antes que pudesse levedar.
Além do cordeiro e do pão ázimo (sem fermento) utilizavam-se ainda o "charoset", isto é, um prato de frutas desfeitas em vinagre, formando uma pasta cor de tijolo, que servia para recordar a argamassa que os filhos de Israel empregavam nos trabalhos do cativeiro egípcio. Ervas amargas recordavam as agruras da escravidão.
As ervas eram mergulhadas no "charoset" e comidas, em meio a preces de gratidão a Deus. O pão ázimo era distribuído em pequenas parcelas, a fim de recordar a antiga escassez de víveres. O vinho era indispensável, misturado com água: 4 cálices ao todo, servidos pelo chefe de família e seguidos, um a um, de explicações a respeito da simbologia daquela comemoração especial e de entusiásticos louvores dos Salmos. As famílias que não o pudessem adquirir, deveriam buscá-lo no Templo, de forma gratuita, especialmente entregue para a ocasião que era imprescindível de ser celebrada por todos os varões de Israel. As mulheres poderiam participar, se o desejassem, não sendo a isto obrigadas.
De acordo com os Evangelhos, a prisão, condenação, flagelação e a morte de Cristo coincidiram com a festa em que os judeus comemoravam a libertação do cativeiro egípcio, a sua Páscoa. É por este motivo que, posteriormente, se ligou o episódio da ressurreição de Jesus à Páscoa, tendo a liturgia Católica a adotado em seu calendário.
Quanto aos símbolos da Páscoa, responsabiliza-se os teutônicos pelo ovo de Páscoa. Antes eram ovos mesmo, símbolo da vida e da fertilidade, provavelmente proibidos como alimentos durante a Quaresma (liturgia católica) e reaparecendo no cardápio do domingo da ressurreição.
Contudo, o costume de oferecer ovos como presente nessa época, remonta aos antigos egípcios. Entre nós, esse costume foi trazido por missionários que visitaram a China. Só que, antigamente, eram ovos mesmo, de pata ou de galinha, coloridos e enfeitados. A partir do século XVIII, incorporou-se o ovo de chocolate como símbolo da Páscoa, admitindo-o como indicativo de fertilidade e renovação. No Brasil, os ovos de chocolate foram introduzidos entre os anos 1913/1920, por imigrantes alemães.
O coelho, outro símbolo ligado à Páscoa, conforme a Liturgia Católica expressa a capacidade da Igreja em reproduzir novos discípulos. Alguns historiadores associam isso a antigos ritos de fertilidade, o que se justifica, pois o coelho é o animal que mais se reproduz.
Com tais explicações, observamos que a comemoração da Páscoa não encontra respaldo na Doutrina Cristã e recordamos a exortação do espírito André Luiz, na obra "Conduta Espírita", cap. 37:
"Dispensar sempre as fórmulas sociais criadas ou mantidas por convencionalismos ou tradições que estanquem o progresso.
Toda complexidade atrasa o relógio da evolução."
"O espírita não se prende a exterioridades."
Fonte
* SAULNIER, Christiane e ROLLAND, Bernard. A Palestina no tempo de Jesus, Edições Paulinas.
* VAN DEN BORN, A. Dicionário enciclopédico da Bíblia, Editora Vozes.
* XAVIER, Francisco Cândido/André Luiz. Sinal verde. Comunhão Espírita Cristã.
No hebraico pesah (pessach) significaria originariamente "dança cultual", ou conforme alguns, a passagem do sol pela constelação do carneiro ou da lua pelo seu ponto mais alto. No livro bíblico de Êxodo, a palavra toma o sentido de "passagem".
Originariamente, o pesah e a festa dos ázimos eram duas festas distintas. A primeira dessas festas tinha relação com a vida dos nômades, a segunda com a dos agricultores sedentários.
Como ambas as festas caíam na primeira lua cheia da primavera, foram mais tarde unidas, e celebradas em memória do êxodo dos judeus, porque, conforme a tradição, esse se dera na primavera.
Os ritos para a comemoração da Páscoa foram se transformando, ao longo dos anos. Ao tempo de Jesus, a refeição pascal era tomada em grupos de dez a vinte convivas, em casas particulares.
Os cordeiros, para a ceia, eram mortos no Templo, no dia 14 de Nisan, (ou Abib), que corresponde ao nosso mês de abril (talvez dia 6 ou 7), entre 14h30min e 17h., mas comido depois do pôr-do-sol.
A festa tomou verdadeiramente o caráter de comemoração da libertação do Egito, o que explica os ritos da festa, pela pressa com que os israelitas saíram, o que os obrigou, naquela oportunidade, a usar a massa que estava na masseira, antes que pudesse levedar.
Além do cordeiro e do pão ázimo (sem fermento) utilizavam-se ainda o "charoset", isto é, um prato de frutas desfeitas em vinagre, formando uma pasta cor de tijolo, que servia para recordar a argamassa que os filhos de Israel empregavam nos trabalhos do cativeiro egípcio. Ervas amargas recordavam as agruras da escravidão.
As ervas eram mergulhadas no "charoset" e comidas, em meio a preces de gratidão a Deus. O pão ázimo era distribuído em pequenas parcelas, a fim de recordar a antiga escassez de víveres. O vinho era indispensável, misturado com água: 4 cálices ao todo, servidos pelo chefe de família e seguidos, um a um, de explicações a respeito da simbologia daquela comemoração especial e de entusiásticos louvores dos Salmos. As famílias que não o pudessem adquirir, deveriam buscá-lo no Templo, de forma gratuita, especialmente entregue para a ocasião que era imprescindível de ser celebrada por todos os varões de Israel. As mulheres poderiam participar, se o desejassem, não sendo a isto obrigadas.
De acordo com os Evangelhos, a prisão, condenação, flagelação e a morte de Cristo coincidiram com a festa em que os judeus comemoravam a libertação do cativeiro egípcio, a sua Páscoa. É por este motivo que, posteriormente, se ligou o episódio da ressurreição de Jesus à Páscoa, tendo a liturgia Católica a adotado em seu calendário.
Quanto aos símbolos da Páscoa, responsabiliza-se os teutônicos pelo ovo de Páscoa. Antes eram ovos mesmo, símbolo da vida e da fertilidade, provavelmente proibidos como alimentos durante a Quaresma (liturgia católica) e reaparecendo no cardápio do domingo da ressurreição.
Contudo, o costume de oferecer ovos como presente nessa época, remonta aos antigos egípcios. Entre nós, esse costume foi trazido por missionários que visitaram a China. Só que, antigamente, eram ovos mesmo, de pata ou de galinha, coloridos e enfeitados. A partir do século XVIII, incorporou-se o ovo de chocolate como símbolo da Páscoa, admitindo-o como indicativo de fertilidade e renovação. No Brasil, os ovos de chocolate foram introduzidos entre os anos 1913/1920, por imigrantes alemães.
O coelho, outro símbolo ligado à Páscoa, conforme a Liturgia Católica expressa a capacidade da Igreja em reproduzir novos discípulos. Alguns historiadores associam isso a antigos ritos de fertilidade, o que se justifica, pois o coelho é o animal que mais se reproduz.
Com tais explicações, observamos que a comemoração da Páscoa não encontra respaldo na Doutrina Cristã e recordamos a exortação do espírito André Luiz, na obra "Conduta Espírita", cap. 37:
"Dispensar sempre as fórmulas sociais criadas ou mantidas por convencionalismos ou tradições que estanquem o progresso.
Toda complexidade atrasa o relógio da evolução."
"O espírita não se prende a exterioridades."
Fonte
* SAULNIER, Christiane e ROLLAND, Bernard. A Palestina no tempo de Jesus, Edições Paulinas.
* VAN DEN BORN, A. Dicionário enciclopédico da Bíblia, Editora Vozes.
* XAVIER, Francisco Cândido/André Luiz. Sinal verde. Comunhão Espírita Cristã.
01 agosto 2010
IR E ENSINAR
Portanto, ide e ensinai..."
Jesus. MATEUS. 28:19
Estudando a recomendação do Senhor aos discípulos - ide e ensinai -, é justo não olvidar que Jesus veio e ensinou.
Veio da Altura Celestial e ensinou o caminho de elevação aos que jaziam atolados na sombra terrestre.
Poderia o Cristo haver mandado a lição por emissários fiéis... Poderia ter falado brilhantemente esclarecendo como fazer...
Preferiu, contudo, para ensinar com segurança e proveito, vir aos homens e viver com eles, para mostrar-lhes como viver no rumo da perfeição.
Para isso, antes de tudo, fez-se humilde e simples na Manjedoura, honrou o trabalho e o estudo no lar e, em plena atividade pública, foi o irmão providencial de todos, amparando a cada um, conforme as suas necessidades.
Com indiscutível acerto, Jesus é chamado o Divino Mestre.
Não porque possuísse uma cátedra de ouro...
Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do mundo...
Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível...
Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os ouvintes...
Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando, converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.
Falou-nos do Eterno Pai e revelou-nos, com o seu sacrifício, a justa maneira de buscá-Lo.
"Ide e ensinai!"
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva
Jesus. MATEUS. 28:19
Estudando a recomendação do Senhor aos discípulos - ide e ensinai -, é justo não olvidar que Jesus veio e ensinou.
Veio da Altura Celestial e ensinou o caminho de elevação aos que jaziam atolados na sombra terrestre.
Poderia o Cristo haver mandado a lição por emissários fiéis... Poderia ter falado brilhantemente esclarecendo como fazer...
Preferiu, contudo, para ensinar com segurança e proveito, vir aos homens e viver com eles, para mostrar-lhes como viver no rumo da perfeição.
Para isso, antes de tudo, fez-se humilde e simples na Manjedoura, honrou o trabalho e o estudo no lar e, em plena atividade pública, foi o irmão providencial de todos, amparando a cada um, conforme as suas necessidades.
Com indiscutível acerto, Jesus é chamado o Divino Mestre.
Não porque possuísse uma cátedra de ouro...
Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do mundo...
Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível...
Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os ouvintes...
Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando, converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.
Falou-nos do Eterno Pai e revelou-nos, com o seu sacrifício, a justa maneira de buscá-Lo.
"Ide e ensinai!"
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva
30 julho 2010
EVOLUÇÃO DA PALAVRA
"Com o exercício incessante e
fácil da palavra, a energia mental
do homem primitivo encontra
insopitável desenvolvimento,
por adquirir gradativamente a
mobilidade e a elasticidade
imprescindíveis à expansão
do pensamento que, então,
paulatinamente se dilata,
estabelecendo no mundo tribal
todo um oceano de energia sutil,
em que as consciências
encarnadas e desencarnadas
se refletem, sem dificuldade,
umas às outras."
André Luiz
.
MECANISMO DA PALAVRA - Com o extremo carinho de vagarosa confecção, os Técnicos da Espiritualidade Superior compõem a cartilagem situada em plano inferior, a cricóide, que representa um anel modificado da traquéia, sustentando uma placa na parte superior, sobre a qual, no bordo superior e de ambos os lados da linha média, se apóiam as duas aritenóides, que se permitem, assim, a conjunção ou o afastamento entre si. Cada uma possui na base uma apófise: a interna, vocal, em que está inserida a parte posterior da corda vocal verdadeira do mesmo lado, e a outra, que é externa, muscular. Com a mesma habilidade, os Técnicos tecem a cartilagem localizada na região anterior ou cartilagem tireóide, a destacar-se sob a pele no chamado Pomo de Adão, em suas lâminas verticais que se conjugam na linha mediana, traçando um ângulo diedro que se volta para a retaguarda e onde se fixam as cordas vocais verdadeiras, cartilagem essa que, por baixo, se une com o anel da cricóide e, por cima, com o osso hióide, através de membranas e ligamento, o qual fornece apoio para a implantação do laringe.
Acima das cordas vocais verdadeiras, surgem as cordas vocais falsas a limitarem com a parede os ventrículos laterais de Morgagni.
Todos os músculos que garantem o movimento das cordas são pares, exceto o ari-aritenóideo, assegurando as funções da glote vocal e formando, avançado primor de previsão e eficiência, a abóbada de precioso condicionamento, onde a pressão do ar pode fazer-se com segurança, para separar as cordas vocais em serviço.
LINGUAGEM CONVENCIONAL - Aprende então o homem, com o amparo dos Sábios Tutores que o inspiram, a constituição mecânica das palavras, provindo da mente a força com que aciona os implementos da voz, gerando vibrações nos músculos torácicos, incluindo os pulmões e a traquéia como num fole, e fazendo ressoar o som no laringe e na boca, que exprimem também cavidades supragóticas, para a criação, enfim, da linguagem convencional, com que reforça a linguagem mímica e primitiva, por ele adquirida na longa viagem através do reino animal
A esse modo natural de exprimir-se por gestos e atitudes silenciosas, em que derrama as suas forças acumuladas de afetividade e satisfação, desagrado ou rancor, em descargas fluídico-eletromagnéticas de natureza construtiva ou destrutiva, superpõe a criatura humana os valores do verbo articulado, com que acrisola as manifestações mais íntimas, habilitando-se a recolher, por intermédio de sinalética especial na escala dos sons, a experiência dos irmãos que caminham na vanguarda e aprendendo a educar-se para merecer esse tipo de assistência que lhe outorgará o estado de alegria maior, ante as perspectivas da cultura com que a vida lhe responde às indagações.
PENSAMENTO CONTÍNUO - Com o exercício incessante e fácil da palavra, a energia mental do homem primitivo encontra insopitável desenvolvimento, por adquirir gradativamente a mobilidade e a elasticidade imprescindíveis à expansão do pensamento que, então, paulatinamente se dilata, estabelecendo no mundo tribal todo um oceano de energia sutil, em que as consciências encarnadas e desencarnadas se refletem, sem dificuldade, umas às outras.
Valendo-se dessa instituição de permuta constante, as Inteligências Divinas dosam os recursos da influência e da sugestão e convidam o Espírito terrestre ao justo despertamento na responsabilidade com que lhe cabe conduzir a própria jornada...
Pela compreensão progressiva entre as criaturas, por intermédio da palavra que assegura o pronto intercâmbio, fundamenta-se no cérebro o pensamento contínuo e, por semelhante maravilha da alma, as idéia-relâmpagos ou as idéias fragmentos da crisálida de consciência, no reino animal, se transformam em conceitos e inquirições, traduzindo desejos e idéias de alentada substância íntima.
Começando a fixar o pensamento em si mesmo, fatigando-se para concatená-lo e exprimi-lo, confiou-se o homem a novo tipo de repouso - a meditação compulsória, ante os problemas da própria vida -, passando a exteriorizar, inconscientemente, as próprias idéias e, com isso, a desprender-se do carro denso de carne, desligando as células de seu corpo espiritual das células físicas, durante o sono comum, para receber, em atitude passiva ou de curta movimentação, junto do próprio corpo adormecido, a visita dos Benfeitores Espirituais que o instruem sobre as questões morais.
O continuísmo da idéia consciente acende a luz da memória sobre o pedestal do automatismo.
(Cap. completo em "Evolução em Dois Mundos", X, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
fácil da palavra, a energia mental
do homem primitivo encontra
insopitável desenvolvimento,
por adquirir gradativamente a
mobilidade e a elasticidade
imprescindíveis à expansão
do pensamento que, então,
paulatinamente se dilata,
estabelecendo no mundo tribal
todo um oceano de energia sutil,
em que as consciências
encarnadas e desencarnadas
se refletem, sem dificuldade,
umas às outras."
André Luiz
.
MECANISMO DA PALAVRA - Com o extremo carinho de vagarosa confecção, os Técnicos da Espiritualidade Superior compõem a cartilagem situada em plano inferior, a cricóide, que representa um anel modificado da traquéia, sustentando uma placa na parte superior, sobre a qual, no bordo superior e de ambos os lados da linha média, se apóiam as duas aritenóides, que se permitem, assim, a conjunção ou o afastamento entre si. Cada uma possui na base uma apófise: a interna, vocal, em que está inserida a parte posterior da corda vocal verdadeira do mesmo lado, e a outra, que é externa, muscular. Com a mesma habilidade, os Técnicos tecem a cartilagem localizada na região anterior ou cartilagem tireóide, a destacar-se sob a pele no chamado Pomo de Adão, em suas lâminas verticais que se conjugam na linha mediana, traçando um ângulo diedro que se volta para a retaguarda e onde se fixam as cordas vocais verdadeiras, cartilagem essa que, por baixo, se une com o anel da cricóide e, por cima, com o osso hióide, através de membranas e ligamento, o qual fornece apoio para a implantação do laringe.
Acima das cordas vocais verdadeiras, surgem as cordas vocais falsas a limitarem com a parede os ventrículos laterais de Morgagni.
Todos os músculos que garantem o movimento das cordas são pares, exceto o ari-aritenóideo, assegurando as funções da glote vocal e formando, avançado primor de previsão e eficiência, a abóbada de precioso condicionamento, onde a pressão do ar pode fazer-se com segurança, para separar as cordas vocais em serviço.
LINGUAGEM CONVENCIONAL - Aprende então o homem, com o amparo dos Sábios Tutores que o inspiram, a constituição mecânica das palavras, provindo da mente a força com que aciona os implementos da voz, gerando vibrações nos músculos torácicos, incluindo os pulmões e a traquéia como num fole, e fazendo ressoar o som no laringe e na boca, que exprimem também cavidades supragóticas, para a criação, enfim, da linguagem convencional, com que reforça a linguagem mímica e primitiva, por ele adquirida na longa viagem através do reino animal
A esse modo natural de exprimir-se por gestos e atitudes silenciosas, em que derrama as suas forças acumuladas de afetividade e satisfação, desagrado ou rancor, em descargas fluídico-eletromagnéticas de natureza construtiva ou destrutiva, superpõe a criatura humana os valores do verbo articulado, com que acrisola as manifestações mais íntimas, habilitando-se a recolher, por intermédio de sinalética especial na escala dos sons, a experiência dos irmãos que caminham na vanguarda e aprendendo a educar-se para merecer esse tipo de assistência que lhe outorgará o estado de alegria maior, ante as perspectivas da cultura com que a vida lhe responde às indagações.
PENSAMENTO CONTÍNUO - Com o exercício incessante e fácil da palavra, a energia mental do homem primitivo encontra insopitável desenvolvimento, por adquirir gradativamente a mobilidade e a elasticidade imprescindíveis à expansão do pensamento que, então, paulatinamente se dilata, estabelecendo no mundo tribal todo um oceano de energia sutil, em que as consciências encarnadas e desencarnadas se refletem, sem dificuldade, umas às outras.
Valendo-se dessa instituição de permuta constante, as Inteligências Divinas dosam os recursos da influência e da sugestão e convidam o Espírito terrestre ao justo despertamento na responsabilidade com que lhe cabe conduzir a própria jornada...
Pela compreensão progressiva entre as criaturas, por intermédio da palavra que assegura o pronto intercâmbio, fundamenta-se no cérebro o pensamento contínuo e, por semelhante maravilha da alma, as idéia-relâmpagos ou as idéias fragmentos da crisálida de consciência, no reino animal, se transformam em conceitos e inquirições, traduzindo desejos e idéias de alentada substância íntima.
Começando a fixar o pensamento em si mesmo, fatigando-se para concatená-lo e exprimi-lo, confiou-se o homem a novo tipo de repouso - a meditação compulsória, ante os problemas da própria vida -, passando a exteriorizar, inconscientemente, as próprias idéias e, com isso, a desprender-se do carro denso de carne, desligando as células de seu corpo espiritual das células físicas, durante o sono comum, para receber, em atitude passiva ou de curta movimentação, junto do próprio corpo adormecido, a visita dos Benfeitores Espirituais que o instruem sobre as questões morais.
O continuísmo da idéia consciente acende a luz da memória sobre o pedestal do automatismo.
(Cap. completo em "Evolução em Dois Mundos", X, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
28 julho 2010
PERFIS DE KARDEC
Poucos são os registros acerca das características físicas de Allan Kardec. Raras as fotos. Mais conhecidas as que o mostram no vigor dos seus anos juvenis e a outra, na madureza, já então em sua fase espírita.
Chamado de "o bom senso encarnado", quais suas características psicológicas?
Miss Anna Blackwell(1), responsável pela tradução das obras de Allan Kardec para a língua inglesa, teve oportunidade de assim deixar registradas suas impressões a respeito do Codificador:
"Pessoalmente Allan Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo... Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida, recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda a parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta que nunca se lhe ouvia uma gargalhada.(...)"
Do mundo espiritual, Guaracy Paraná Vieira(3), assim teceu o perfil de Allan Kardec: " Portador de um caráter diamantino, a verdade nele transparecia no raciocínio e na ação.
Prudente, não se permitia avançar sem a segurança do êxito.
Em uma época de transição cultural e de afirmação da ciência, ele permaneceu fiel ao compromisso com Jesus, contribuindo para a libertação das criaturas, oferecendo-lhes os recursos do laboratório e do pensamento fixados nas bases morais do Evangelho.
Agredido, desculpou; caluniado, não revidou; perseguido, compreendeu.
No entanto, nunca se acovardou, e a sua foi uma existência digna, pura, trabalhadora, rica de experiências luminosas.
Não se permitindo o repouso antes do tempo, desencarnou sob o excesso de esforço, deixando incorruptível a Doutrina Espírita que lhe perpetua o nome, a vida e a missão.
Allan Kardec é o apóstolo dos tempos novos, de todos os tempos futuros, exemplo de herói discreto e de abnegado missionário de Jesus na Terra."
A outra face do codificador - O homem do lar
De sua parte, Léon Denis(2), que o conheceu e com ele teve contato pessoal por três vezes, assim relata a conferência de Allan Kardec em Tours:
"Para recebê-lo e ouvi-lo tínhamos alugado uma sala na rua Paul-Louis Courrier e solicitado à Prefeitura alvará para uma concentração, pois no tempo do Segundo Império qualquer reunião de mais de vinte pessoas era rigorosamente proibida por lei. No momento fixado para a reunião, o nosso pedido foi formalmente indeferido. Fui então encarregado de ficar na porta do local, avisar os convidados de que a reunião tinha sido transferida para a Spirite-Ville, na casa do Sr. Rebondin, rua do Sentier, onde a assembléia iria realizar-se no jardim.
Éramos mais ou menos trezentos ouvintes, de pé, apinhados sob as árvores, pisando nos canteiros do nosso hospedeiro. Sob a luz das estrelas, elevava-se a voz grave e suave de Allan Kardec, e a sua fisionomia meditativa, iluminada por pequena lâmpada colocada sobre uma mesinha, no centro do jardim, assumia aspecto fantástico.(...)
No dia seguinte, voltei à Spirite-Ville para visitar o Mestre. Encontrei-o de pé sobre pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, a colher frutos que atirava à Sra. Allan Kardec. Era uma cena bucólica, contrastando alegremente com as suas graves preocupações."
1. Doyle, Arthur Conan. História do Espiritismo. Cap. 21
2. Luce, Gaston. Léon Denis, vida e obra. pt. 1ª Cap. I
3. Franco, Divaldo Pereira. Perfis da vida. Cap. 1
Jornal Mundo Espírita
Chamado de "o bom senso encarnado", quais suas características psicológicas?
Miss Anna Blackwell(1), responsável pela tradução das obras de Allan Kardec para a língua inglesa, teve oportunidade de assim deixar registradas suas impressões a respeito do Codificador:
"Pessoalmente Allan Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo... Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão mas nunca fazia voluntariamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida, recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda a parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo a perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, conquanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta que nunca se lhe ouvia uma gargalhada.(...)"
Do mundo espiritual, Guaracy Paraná Vieira(3), assim teceu o perfil de Allan Kardec: " Portador de um caráter diamantino, a verdade nele transparecia no raciocínio e na ação.
Prudente, não se permitia avançar sem a segurança do êxito.
Em uma época de transição cultural e de afirmação da ciência, ele permaneceu fiel ao compromisso com Jesus, contribuindo para a libertação das criaturas, oferecendo-lhes os recursos do laboratório e do pensamento fixados nas bases morais do Evangelho.
Agredido, desculpou; caluniado, não revidou; perseguido, compreendeu.
No entanto, nunca se acovardou, e a sua foi uma existência digna, pura, trabalhadora, rica de experiências luminosas.
Não se permitindo o repouso antes do tempo, desencarnou sob o excesso de esforço, deixando incorruptível a Doutrina Espírita que lhe perpetua o nome, a vida e a missão.
Allan Kardec é o apóstolo dos tempos novos, de todos os tempos futuros, exemplo de herói discreto e de abnegado missionário de Jesus na Terra."
A outra face do codificador - O homem do lar
De sua parte, Léon Denis(2), que o conheceu e com ele teve contato pessoal por três vezes, assim relata a conferência de Allan Kardec em Tours:
"Para recebê-lo e ouvi-lo tínhamos alugado uma sala na rua Paul-Louis Courrier e solicitado à Prefeitura alvará para uma concentração, pois no tempo do Segundo Império qualquer reunião de mais de vinte pessoas era rigorosamente proibida por lei. No momento fixado para a reunião, o nosso pedido foi formalmente indeferido. Fui então encarregado de ficar na porta do local, avisar os convidados de que a reunião tinha sido transferida para a Spirite-Ville, na casa do Sr. Rebondin, rua do Sentier, onde a assembléia iria realizar-se no jardim.
Éramos mais ou menos trezentos ouvintes, de pé, apinhados sob as árvores, pisando nos canteiros do nosso hospedeiro. Sob a luz das estrelas, elevava-se a voz grave e suave de Allan Kardec, e a sua fisionomia meditativa, iluminada por pequena lâmpada colocada sobre uma mesinha, no centro do jardim, assumia aspecto fantástico.(...)
No dia seguinte, voltei à Spirite-Ville para visitar o Mestre. Encontrei-o de pé sobre pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, a colher frutos que atirava à Sra. Allan Kardec. Era uma cena bucólica, contrastando alegremente com as suas graves preocupações."
1. Doyle, Arthur Conan. História do Espiritismo. Cap. 21
2. Luce, Gaston. Léon Denis, vida e obra. pt. 1ª Cap. I
3. Franco, Divaldo Pereira. Perfis da vida. Cap. 1
Jornal Mundo Espírita
27 julho 2010
DESENCARNAÇÃO DO ESPÍRITO
.
"Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder
a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da
desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico." - André Luiz
Apenas quando os acontecimentos da morte se realizam, é que a criatura humana desencarnada, plenamente renovada em si mesma, abandona o veículo carnal a que se jungia; contudo, muitas vezes aprisionada ao casulo dos seus pensamentos dominantes, quando não trabalhou para renovar-se, nos recessos do espírito, passa a revela-se em novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos com que atender à própria alimentação, equivalentes às trompas fluidico-magnéticas de sucção, embora sem perder de modo algum o aparelho bucal que nos é característico, salientando-se, aliás, que semelhantes trompas ou antenas de matéria sutil estão patentes nas criaturas encarnadas, a se lhes expressarem na aura comum, como radículas alongadas de essência dinâmica, exteriorizando-lhes as radiações específicas, trompas ou antenas essas pelas quais assimilamos ou repelimos as emanações das coisas e dos seres que nos cercam, tanto quanto as irradiações de nós mesmos, uns para com os outros.
CONTINUAÇÃO DA EXISTÊNCIA - Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico.
Perceberemos, desse modo, que a existência da criatura, na reencarnação, substancializa-se não apenas na Terra, onde atende à plantação dos sentimentos, palavras, atitudes e ações com que se caracteriza, mas também no Mundo Espiritual, onde incorpora a si mesma a colheita da sementeira praticada no campo físico, pelo desdobramento do aprendizado com que entesoura as experiências necessárias à sublime ascensão a que se destina.
LEI DE CAUSA E EFEITO - Encetando, pois, a a sua iniciação no plano espiritual, de consciência desperta e responsável, o homem começa a penetrar na essência da lei de causa e efeito, encontrando em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimente das próprias ações.
Quando dilacerado e desditoso, grita a própria aflição, ao longo dos largos continentes do Espaço Cósmico, reunindo-se a outros culpados do mesmo jaez, com os quais permuta os quadros inquietantes da imaginação em desvario, tecendo, com o plasma sutil do pensamento contínuo e atormentado, as telas infernais em que as consequências de suas faltas se desenvolvem, mediante as profundas e estranhas fecundações de loucura e sofrimento que antecedem as reencarnações reparadoras; contudo, é também aí que começa, sobrepairando o inferno e o purgatório do remorso e da crueldade, da rebelião e da delinquência, o sublime apostolado dos seres que se colocam em harmonia com as Leis Divinas, almas elevadas e heróicas que, em se agrupando intimamente, tocas de compaixão pelos laços que deixaram no mundo físico, iniciam, com a inspiração das Potências Angélicas, o serviço de abnegação e renúncia, com que a glória e a divindade do amor edificam o império do Sumo Bem, no chamado Céu, de onde vertem mais ampla luz sobre a noite dos homens.
(Evolução em Dois Mundos, XII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
"Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder
a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da
desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico." - André Luiz
Apenas quando os acontecimentos da morte se realizam, é que a criatura humana desencarnada, plenamente renovada em si mesma, abandona o veículo carnal a que se jungia; contudo, muitas vezes aprisionada ao casulo dos seus pensamentos dominantes, quando não trabalhou para renovar-se, nos recessos do espírito, passa a revela-se em novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos com que atender à própria alimentação, equivalentes às trompas fluidico-magnéticas de sucção, embora sem perder de modo algum o aparelho bucal que nos é característico, salientando-se, aliás, que semelhantes trompas ou antenas de matéria sutil estão patentes nas criaturas encarnadas, a se lhes expressarem na aura comum, como radículas alongadas de essência dinâmica, exteriorizando-lhes as radiações específicas, trompas ou antenas essas pelas quais assimilamos ou repelimos as emanações das coisas e dos seres que nos cercam, tanto quanto as irradiações de nós mesmos, uns para com os outros.
CONTINUAÇÃO DA EXISTÊNCIA - Metamorfoseada, pois, não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico.
Perceberemos, desse modo, que a existência da criatura, na reencarnação, substancializa-se não apenas na Terra, onde atende à plantação dos sentimentos, palavras, atitudes e ações com que se caracteriza, mas também no Mundo Espiritual, onde incorpora a si mesma a colheita da sementeira praticada no campo físico, pelo desdobramento do aprendizado com que entesoura as experiências necessárias à sublime ascensão a que se destina.
LEI DE CAUSA E EFEITO - Encetando, pois, a a sua iniciação no plano espiritual, de consciência desperta e responsável, o homem começa a penetrar na essência da lei de causa e efeito, encontrando em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimente das próprias ações.
Quando dilacerado e desditoso, grita a própria aflição, ao longo dos largos continentes do Espaço Cósmico, reunindo-se a outros culpados do mesmo jaez, com os quais permuta os quadros inquietantes da imaginação em desvario, tecendo, com o plasma sutil do pensamento contínuo e atormentado, as telas infernais em que as consequências de suas faltas se desenvolvem, mediante as profundas e estranhas fecundações de loucura e sofrimento que antecedem as reencarnações reparadoras; contudo, é também aí que começa, sobrepairando o inferno e o purgatório do remorso e da crueldade, da rebelião e da delinquência, o sublime apostolado dos seres que se colocam em harmonia com as Leis Divinas, almas elevadas e heróicas que, em se agrupando intimamente, tocas de compaixão pelos laços que deixaram no mundo físico, iniciam, com a inspiração das Potências Angélicas, o serviço de abnegação e renúncia, com que a glória e a divindade do amor edificam o império do Sumo Bem, no chamado Céu, de onde vertem mais ampla luz sobre a noite dos homens.
(Evolução em Dois Mundos, XII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
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