26 abril 2009

O FENÔMENO DA REGRESSÃO DE MEMÓRIA

“Regressão de memória é o processo provocado ou espontâneo, por meio do qual, o espírito encarnado ou desencarnado fica em condições derelembrar o passado, da vida atual ou em existência santeriores, sejam elas recentes ou remotas”.
A definição acima é bem ampla, e está assentada nos preceitos básicos da doutrina espírita, sem, no entanto seruma criação desta, e nem oriundas de uma revelação
transcendental revestida de caráter místico ou dogmático.
Antes, é um fenômeno natural que pode ser pesquisado utilizando métodos e técnicas apropriadas, e que apesardos recentes estudos e pesquisas, sabemos de sua
utilização já em culturas antigas como no Egito e naGrécia.
A aplicação prática mais usual para esse tipo depesquisa, seria uma inclusão no modelo clínico atual no tratamento para as doenças da alma, traumas psicológicos
e até mesmo somáticos, que em muitos casos mostra-seuma técnica que facilita a solução de muitos problemas.
Além disso, vislumbro a perspectiva de podermos utilizar a regressão de memória como instrumento deauto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, e comoinstrumento para terapeutas possibilitando um melhor conhecimento do paciente de psicanálise. Sobre essaquestão, sugiro a leitura do livro Investigando Vidas Passadas, de Raymond
Moody Jr.Poderíamos também conjecturar que seria possíveluma espécie de arqueologia espiritual, onde poderíamos explorar determinados pontos obscuros da história, em
beneficio geral da humanidade. Como exemplo cito o livrode HCM - Hermínio C. Miranda, Eu sou Camille Desmoulins, onde ele mostra um magnífico caso de regressão, identificando um dos líderes da Revolução Francesa, o qual teremos um capítulo com a sua síntese.Da minha parte posso acrescentar um outro caso que
ainda estou pesquisando (até essa data), onde foi identificada a Rainha Nefertiti, Faraó do Egito na XVIII dinastia, co-regente com o Faraó Akhenaton.Há de se ressaltar que essa obra foi compilada, aliás,foi quase que totalmente transcrita dos livros de HermínioC. Miranda, e principalmente do livro A Memória e oTempo. O autor, apesar da sua modéstia, na minhaopinião, é um dos maiores pensadores encarnados em se
tratando desse assunto. Além de conclusões advindas dealgumas experimentações práticas que tenho realizado,muitas outras informações foram retiradas de diversos
outros autores. Um pouco de história“As tradições orais que chegaram até nós, à
falta de documentos mais confiáveis, foram degrande valor, mas, no curso dos séculos, tornaram-sedesfiguradas, como medalhões corroídos, cuja idade
os arqueólogos tentam decifrar... (Christian Paul,1972)”Equivale a dizer, que o conhecimento de importantesaspectos do espírito e das leis naturais, foi muito extenso eprofundo em remotas eras e que a história ‘oficial’ não tem
registros. No Egito antigo foi desenvolvida a tecnologia de
‘desdobramento’. Nesse estado que atualmente muitoschamam de ‘estado alterado de consciência’ – o serespiritual, parcialmente liberto, tinha condições de
utilizar-se de conhecimentos que na vida de vigília lhe seriam inacessíveis: De deslocar-se no tempo e no espaço,de entrar em contato com seres desencarnados, etc.
Posteriormente algumas dessas técnicas foram utilizadas na Grécia e em Roma, mas aí já com grandes deformações.E depois, uma grande repressão na Idade média sufocou
quase que totalmente essas tradições.
Após o término do período de tirania da Igreja Católica, houve uma retomada no desenvolvimento de outras áreas do conhecimento humano, entre outras áreas
o relacionada aos ‘mistérios’ da antiga magia. Um dos pioneiros foi Paracelso (1.493), o médico maldito, que reconhecia o aspecto espiritual do homem e questões como a reencarnação. Reencarnaria depois como Hahnemann
(1.755) com as mesmas idéias e criaria a homeopatia.
Antonie Mesmer (1.733), médico excêntrico, que descobriuo magnetismo-animal, ou seja o fluido-animal, que pode ser utilizado com fins de cura, e que hoje, é aplicado nos
centros espíritas sob o nome de passe com alguma variaçãona forma.Desde os meados do século XIX, diversos pesquisadores vêem contribuindo para elucidação desse “mistério”; nomes como Allan Kardec, Gabriel Delanne,Ernesto Bozzano, Albert de Rochas, etc. deram importante contribuições. E mais recentemente outros nomes tem contribuído com suas pesquisas e experiências,
como: Ian Stevenson, Denis Kelsey, Helen Wambach, Edith Fiore, Brian Weiss e muitos outros.Premissas básicas Conforme foi dito anteriormente, o fenômeno de
regressão de memória é um fenômeno natural e como tal obedece a leis e não a dogmas ou princípios religiosos. Espero que o leitor céptico que por ventura esteja nos
dando a honra de sua leitura, possa simplesmente aceitar os princípios que seguem abaixo como hipóteses de trabalho e ir em frente. Porém para aqueles que conhecem
a doutrina dos espíritos ou tem algum outro tipo de conhecimento espiritual, lembro que embutidos na estrutura do fenômeno estão os seguintes conceitos fundamentais:

· Existência do espírito, ser consciente e em evolução.
· Existência de um corpo sutil, denominado perispírito.
· Preexistência do espírito à sua vida na carne.
· Sobrevivência do espírito após à morte do corpo físico.
· A vida noutra dimensão no intervalo entre asvidas na carne.
· A reencarnação (em um novo corpo ).
· A responsabilidade pessoal, pelos atos praticados.

Trecho do livro O Fenômeno da Regressão de Memória de Maurício Mendonça

A REENCARNAÇÃO E A DATILOSCOPIA

Reportagem do Dr. Carlos Bernardo Loureiro

“Diz a Ciência: não há uma impressão digital igual a outra. Será? Quando um
fato desse é descoberto pode ser indicativo de um caso de reencarnação?”
Em 27 de maio de 1935, publicou a “Gazeta do Recife” uma reportagem
impressionante segundo a qual um espírita estudioso conseguiu obter duas impressões
digitais idênticas. Sabe-se que é princípio assente em dactiloscopia não existirem duasimpressões papilares idênticas, princípio que, neste caso, não foi derrogado, visto nãose tratar de impressões de duas pessoas vivas, mas de duas pessoas que viveram emépocas diferentes.O colecionador de impressões digitais é o Sr. João Apolinário dos Santos, técnico emdactiloscopia.
De cada pessoa levava o Sr. Apolinário a impressão do polegar direito,por ter desenho básico e,quandopossível,registrava as dez impressões, dada a
possibilidade de surgir alguém a quem faltasse um dedo.
Informa a “Gazeta de Recife” que, certo dia, João Apolinário, tendo visitado um amigo,o Sr. Manoel do Nascimento, pediu-lhe consentimento para realizar pesquisas
dactiloscópicas com seus filhos e netos. Entre as crianças, figurava o menino José
Odon, conhecido na família por Pipiu. O Sr. Apolinário começou a confrontar as
impressões das crianças com a de pessoas falecidas. Foi então que descobriu perfeita
igualdade entre os desenhos digitais do pequeno Pipiu e os de um velho amigo da
família da criança, Pedro Guedes de Oliveira, morto havia cerca de 10 anos, em idade
avançada. Aquela extraordinária constatação evidenciava, a olhos vistos, um processo
palingenésico, levando-se em conta as relações de sincera amizade entre o ‘de cujus’
e a família Nascimento. Satisfeito com sua importante descoberta, o Sr. Apolinário, nodia seguinte, foi até a residência do Sr. Manuel do Nascimento comunicar-lhe o que
ocorrera, deixando em poder da família duas fichas dactiloscópicas, para que todos
pudessem verificar sua igualdade absoluta.
A “Gazeta de Recife” levou o caso ao conhecimento do Instituto de Identificação de
Pernambuco, que designou o técnico em dactiloscopia Estanislau Pereira de Souza,
que emitiu, após acurados exames, o seguinte parecer:‘Não há dúvidas. Estou diante de um fato inédito. Há anos que examino fichas, nacrença de que uma igualdade jamais será verificada. São perfeitamente iguais os doisdesenhos, apesar dos tamanhos. Ambos caracterizam por um verticilo espiralóide, comos mesmos dedos, que também se distanciam por igual número de linhas papilares.
Aliás, segundo a ciência, 12 pontos bastariam para se atestar a igualdade de duas
impressões. No entanto, no caso vertente, todos os pontos são perfeitamente iguais.’
O jornal “Mundo Espírita”, que então se editava no Rio de Janeiro, referiu-se
largamente a esse mais do que sugestivo caso de reencarnação, em seu número 164,
de 17 de junho de 1935.

Parte do livro Investigação Científica da Reencarnação e Outros Fenômenos-Dr.Fiorini

25 abril 2009

A LUZ ESPIRITUAL E A PSICOSCOPIA

Já que a vista espiritual não se efetua por meio dos olhos do corpo, a percepção das coisas não ocorre por meio da luz ordinária. Efetivamente, a luz material é feita para o mundo material. Para o mundo espiritual, existe uma luz especial, cuja natureza é desconhecida, mas que é, sem dúvida, uma das propriedade do fluido etéreo destinada às percepções visuais da alma. Há, portanto, a luz material e a luz espiritual. A primeira tem focos circunscritos nos corpos luminosos; a segunda tem seu foco em toda parte. É a razão por que não existe obstáculo para a vista espiritual. Ela não é sustada nem pela distância, nem pela opacidade da matéria. Para ela não existe escuridão. O mundo espiritual é, pois, iluminado pela luz espiritual, que possui seus efeitos próprios, assim como o mundo material é iluminado pela luz solar. A alma envolvida por seu perispírito carrega consigo o seu princípio luminoso. Penetrando a matéria, em virtude de sua essência etérea, para sua vista não há corpos opacos.

No entanto - adverte Kardec -, a vista espiritual não tem, em todos os Espíritos, nem o mesmo alcance, nem a mesma penetração. Somente os Espíritos superiores a possuem. Nos Espíritos inferiores, ela é enfraquecida pela relativa grosseria do perispírito, que se interpõe como uma espécie de bruma. Manifesta-se em diferentes graus nos Espíritos encarnados mediante o fenômeno da segunda vista, ou dupla vista, quer no sonambulismo natural ou magnético, quer no estado de vigília. É com o auxílio dessa faculdade que certas pessoas vêem o interior do organismo (psicoscopia), e descrevem a causa das moléstias. Destaca-se, neste particular, a faculdade do sensitivo norte-americano Edgar Cayce, que realizou inúmeros e admiráveis diagnósticos de doenças cuja etiologia a ciência médica não conseguia estabelecer.

A psicoscopia (equivocadamente rotulada de “autoscopia externa”), é um dos fenômenos mais raros e inexplicáveis no campo das pesquisas psíquicas. Em “Obras Póstumas”, Alllan Kardec trata do especioso assunto, valendo-se das informações contidas na obra “Os Fenômenos Místicos da Vida Humana”, de autoria do pesquisador alemão Maximilien Perty, publicado nos idos de 1861, aí colhendo o seguinte exemplo:

Um proprietário rural foi visto por seu cocheiro, no curral, olhando o gado, no mesmo momento em que estava comungando na igreja. Contou o fato mais tarde a seu pastor, que lhe perguntou em que ele estava pensando no momento da comunhão. “Para dizer a verdade”, respondeu ele, “eu estava pensando no meu gado”. “Então está explicada a sua aparição”, replicou o eclesiástico.

Kardec, em seguida ao relato, esclarece que o sacerdote estava com a verdade, “porque, sendo o pensamento atributo essencial do Espírito, este deve achar-se no lugar onde se encontra o pensamento”. A questão é saber-se, no estado de vigília, o desprendimento do perispírito pode ser suficientemente grande para produzir uma aparição, do qual uma parte animaria o corpo fluídico e a outra, o corpo material. Nada haveria de impossível nisso, se considerarmos que, quando o pensamento se concentra em um ponto distante, o corpo age de modo maquinal, sob uma espécie de impulso. Só anima a vida material; a vida espiritual acompanha o Espírito. É, pois, possível que o homem em questão tivesse passado por grande distração naquele momento, e que seu gado o preocupasse mais que a sua comunhão.


* Bibliografia:

1) KARDEC, Allan – Codificação Espírita

2) LOUREIRO, Carlos Bernardo in Perispírito, Natureza, Funções e Propriedades, ed. Mnêmio Túlio, São Paulo-SP

3) LOUREIRO, Carlos Bernardo in Fenômenos Anímicos e Seus Mecanismos, ed. Mnêmio Túlio, São Paulo-SP

EXPLORADORES DO ESPIRITISMO

Matéria de capa da Revista Época nº 261 denuncia o enriquecimento da família Gasparetto, que, segundo aquela publicação da Editora Globo, “transformou o Espiritismo e a mediunidade num negócio milionário”.
A fama e a fortuna da família Gasparetto são decorrentes do prestígio do qual desfruta no movimento espírita brasileiro, constituído por pessoas crédulas, ingênuas e desconhecedoras, sobretudo do que é o Espiritismo.
As mirabolantes estórias contadas nas obras psicografadas por D. Zíbia encantam e deslumbram os incautos. É um verdadeiro festival de tolices sobre o “mundo espiritual”.
Os livros de D. Zíbia, assim como os livros psicografados no Brasil jamais foram submetidos a quaisquer exame sobre a autenticidade dos mesmos. Observem o que diz Allan Kardec na introdução do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
Controle universal do ensino dos espíritos: “O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos espíritos. Em conclusão: controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo”.
Essa observação de Kardec jamais foi cumprida no Brasil, o que vem concorrendo para o desvirtuamento dos princípios básicos do Espiritismo. Na verdade, os médiuns brasileiros dão “passagem” a qualquer espírito. Basta o médium ser famoso, e eis que a entidade comunicante ganha, da noite para o dia, notoriedade.
A propósito, por que os grandes mestres da pesquisa sobre os fenômenos espíritas nunca se comunicaram no Brasil? Onde estão Crooks, Bozzano, Chiaia, Gibier, Lodge, Conan Doyle, Flammarion e tantos outros?
Parece que o Espiritismo no Brasil é produto de 3º. Mundo, onde prevalecem o misticismo e a ignorância em detrimento do estudo sério e da coerência doutrinária.

Carlos Bernardo Loureiro

24 abril 2009

MEDIUNIDADE:benção ou castigo?

O que é Médium?
"159. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes ou psicógrafos."

(O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - Cap. XIV)

"Médium quer dizer medianeiro, intermediário. Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos."

(Mediunidade - J. Herculano Pires - Cap. I)

"O médium é exatamente aquele indivíduo que tem a possibilidade de propiciar a comunicação dos mortos com os vivos. Não se trata de alguém dotado de poderes milagrosos, não! Nem de alguém atuado pelo demônio! Tampouco alguém que sofra das faculdades mentais. Não, nada disto. Apenas tem a condição de permitir o intercâmbio entre a Humanidade desencarnada e a encarnada. Mediunidade, acima de tudo, é uma ferramenta de trabalho, para consolar os que sofrem, para esclarecer os que se debatem nas trevas, quer sejam encarnados ou desencarnados.
Na acepção mais ampla do termo, todos somos médiuns pois todos estamos sujeitos à influência dos Espíritos. Uns mais, outros menos. No entanto, há pessoas que apresentam esta faculdade em grau mais acentuado; nelas o fenômeno se faz mais patente, mais evidenciado. São aquelas pessoas que vêem os Espíritos, ouvem as suas vozes, dando-nos os seus recados e mensagens..."

(A Obsessão e seu Tratamento Espírita - Celso Martins - Pag. 39)

"Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidade, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas, que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia."

(Pérolas do Além - Chico Xavier - FEB - Pag. 155)

"Ser médium não quer dizer que a alma esteja agraciada por privilégios ou conquistas feitas. Muitas vezes, é possível encontrar pessoas altamente favorecidas com o dom da mediunidade, mas dominadas, subjugadas por entidades sombrias ou delinqüentes, com as quais se afinam de modo perfeito, servindo ao escândalo e à perturbação, em vez de cooperarem na extensão do bem. Por isso é que não basta a mediunidade para a concretização dos serviços que nos competem. Precisamos da Doutrina do Espiritismo, do Cristianismo puro, a fim de controlar a energia medianímica, de maneira a mobilizá-la em favor da sublimação espiritual na fé religiosa, tanto quanto disciplinamos a eletricidade, a benefício do conforto na Civilização."

(Pérolas do Além - Chico Xavier - FEB - Pag. 157)

O Que é Mediunidade

"Chama-se mediunidade o conjunto de faculdades que permitem ao ser humano comunicar-se com o mundo invisível."

(Pérolas do Além - Chico Xavier - FEB - Pag. 155)


Espíritos e Médiuns – Léon Denis Cap. III

382. Qual a verdadeira definição da mediunidade?

- "A mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre toda carne e prometida pelo Divino Mestre aos tempos do Consolador, atualmente em curso da Terra.
A missão mediúnica, se tem os seus percalços e as suas lutas dolorosas, é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos seus filhos misérrimos.
Sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo."

(O Consolador - Emmanuel - Pergunta 382)

"Para conhecer as coisas do mundo visível e descobrir os segredos da Natureza material, outorgou Deus ao homem a vista corpórea, os sentidos e instrumentos especiais. Com o telescópio, ele mergulha o olhar nas profundezas do espaço, e, com o microscópio, descobriu o mundo dos infinitamente pequenos. Para penetrar no mundo invisível, deu-lhe a mediunidade."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XXVIII, nº
"Mediunidade, pois, é meio de comunicação entre o mundo espiritual e o mundo físico.
Convivência e intercâmbio.
Desenvolvimento e aplicação das potencialidades divinas. "Vós sois Deuses, disse Jesus"."

(Mediunidade e Evolução - Martins Peralva - Cap. 2)

"Mediunidade, em termos gerais, é oportunidade para que o Espírito se reabilite de enganos do pretérito.
Poucos médiuns - muito pouco mesmo - são missionários.
A maioria, constituída de almas que faliram, estão tentando subir o monte da redenção, pelo trabalho mediúnico, sustentada na oração."

(Mediunidade e Evolução - Martins Peralva - Pag. 92)

"Mediunidade, em boa sinonímia, é, sobretudo, sintonia, afinidade."

(Emmanuel)

Todos Nós Somos Médiuns?

"A mediunidade não é exclusiva dos chamados "médiuns". Todas as criaturas a possuem, porquanto significa percepção espiritual, que deve ser incentivada em nós mesmos. Não bastará, entretanto, perceber. É imprescindível santificar essa faculdade, convertendo-a no ministério ativo do bem. A maioria dos candidatos ao desenvolvimento dessa natureza, contudo, não se dispõe aos serviços preliminares de limpeza do vaso receptivo. Dividem, inexoravelmente, a matéria e o espírito, localizando-os em campos opostos, quando nós, estudantes da verdade, ainda não conseguimos identificar rigorosamente as fronteiras entre uma e outro, integrados na certeza de que toda a organização universal se baseia em vibrações puras."

(Pérolas do Além - Chico Xavier - FEB - Pag. 149)

383. É justo considerarmos todos os homens como médiuns?

- "Todos os homens têm o seu grau de mediunidade, nas mais variadas posições evolutivas, e esse atributo do espírito representa, ainda, a alvorada de novas percepções para o homem do futuro, quando, pelo avanço da mentalidade do mundo, as criaturas humanas verão alargar-se a janela acanhada dos seus cinco sentidos."

(O Consolador - Emmanuel - Pergunta 383)

"33. Médiuns são pessoas aptas a sentir a influência dos Espíritos e a transmitir os pensamentos destes. Toda pessoa que, num grau qualquer, experimente a influência dos Espíritos é, por esse simples fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui privilégio exclusivo, donde se segue que poucos são os que não possuam um rudimento de tal faculdade. Pode-se, pois, dizer que toda gente, mais ou menos, é médium. Contudo, segundo o uso, esse qualificativo só se aplica àqueles em quem a faculdade mediúnica se manifesta por efeitos ostensivos, de certa intensidade."

(Obras Póstumas - Allan Kardec - FEB - Pag. 57)

"A maioria dos homens habituou-se a crer que médium só o é aquele que, em mesa específica de trabalhos mediúnicos, psicografia ou fala, ouve ou vê os Espíritos, alivia ou cura os enfermos.

O pensamento geral, erroneamente, difundido além-fronteiras do Espiritismo, é de que médium somente o é aquele que dá passividade aos desencarnados, oferecendo-lhes a organização medianímica para a transmissão da palavra falada ou escrita.
Em verdade, porém, médiuns somos todos nós que registramos, consciente ou inconscientemente, idéias e sugestões dos Espíritos, externando-as, muita vez, como se fossem nossas."

(Mediunidade e Evolução - Martins Peralva - Cap. 7)

2ª. Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, estão, não constitui privilégio dos homens de bem e por que se vêem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?

"Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens há privados delas. Poderias igualmente perguntar por que concede Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloqüência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade. Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem. Pensas que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ao contrário, multiplica-os no caminho que eles percorrem; põe-nos nas mãos deles. Cabe-lhes aproveitá-los. Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus permitiu que ele tivesse esse dom, para mais odiosa tornar aos seus próprios olhos a traição que praticou."

(O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - Cap. XX)

"Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade deverá ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.
Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa.
Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que o privaria Deus, que não quer a morte do pecador, do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XXIV)

23 abril 2009

Materialização e Ectoplasma


Materialização

“Materialização de "Noiva" por José Medrado. Trecho retirado do programa Visão Social, transmitido através da Band-Bahia, sábados, às 09h (durante o horário de verão)”



Ectoplasma

Para a ciência acadêmica, ectoplasma é a parte da célula que fica entre a membrana e o núcleo ou a porção periférica do citoplasma.

Para o cientista Charles Richet, é uma substância que se acredita ser a força nervosa e possui propriedades químicas semelhantes às do corpo físico, de onde provém. Apresenta-se sob um aspecto viscoso, esbranquiçado, quase transparente, com reflexos leitosos, bem como esvanescente sob a luz. É considerado a base dos efeito mediúnicos chamados físicos, pois é através dele que os espíritos podem atuar sobre a matéria.

Entretanto, para os espíritos, o ectoplasma é geralmente conhecido como um plasma de origem psíquica, que se exala principalmente do médium de efeitos físicos e um pouco dos outros. Trata-se de uma substância delicadíssima que se situa entre o perispírito e o corpo físico e, embora seja algo disforme, é dotada de forte vitalidade, servindo de alavanca para interligar os planos físico e espiritual. Historicamente, o ectoplasma tem sido identificado como algo produzido pelo ser humano, que, em determinadas condições, pode liberá-lo, produzindo vários fenômenos.

O ectoplasma é de difícil manipulação, pegajoso, não se moldando facilmente. Por isso, exige treinamentos e técnicas para que os espíritos possam se utilizar deste fluido. Não é o espírito que se materializa, mas é o ectoplasma que se adere à forma do perispírito dele. A substância sofre bastante a influência da luz do dia e da luz branca, o que causa interferências no fenômeno, tornando-se ideal a utilização de uma luz com tom avermelhado. A materialização pode acontecer sob o efeito da luz branca, mas é preciso haver muito ectoplasma. Também é difícil fazer fotos desse fenômeno com flash, uma vez que há interferência da luz nesse momento.

Nas materializações, não é utilizado diretamente o ectoplasma puro exalado pelo médium. É necessário combiná-lo com outros fluidos (espirituais, físicos), ou seja, utilizar nas materializações o ectoplasma elaborado. A presença de apenas uma pessoa incrédula no ambiente dificulta ou até impede a aderência do ectoplasma no perispírito do espírito.




Fotografia que mostra o médium Antônio Alves Feitosa, fornecedor do ectoplasma, com o espírito materializado atrás (Irmã Josepha). Do lado direito está Francisco Cândido Xavieir. Esta fotografia foi feita por Nedyr Mendes da Rocha no ano de 1965, em Uberaba, MG, usando uma máquina fotográfica marca Roleiflex e filme Kodacolor de 100 ASA. Como os trabalhos de materialização são feitos no escuro, esta foto foi feita com o auxílio de flash. É interessante notar como o ectoplasma que sai da boca do médium, como se fossem panos, ‘cai’ na direção do chão, mostrando estar sujeito à ação da gravidade. No trabalho de materialização em que esta fotografia foi feita, também participou a médium Otília Diogo. Ela se encontrava sentada dentro da cabine.

Matthieu Tubino
Um "Fluido Vital" Chamado Ectoplasma.
Publicações Lachâtre



Combinação de fluídos

A palavra ectoplasma dá uma idéia de se tratar de algo único, mas, na verdade, é um grande conjunto, formado pela combinação dos fluidos do espírito com o fluido animalizado do médium e os fluidos do ambiente. "Aí temos o material leve e plástico de que necessitamos para a materialização", explica o espírito Aulus no livro Nos Domínios da Mediunidade.

De uma maneira bastante rápida, podemos dividir o ectoplasma em três elementos essenciais: fluidos A, representando as forças superiores e sutis da esfera espiritual; fluidos B, definindo os recursos do médium e dos companheiros que o assistem; fluidos C, constituindo energias tomadas da natureza terrestre. Os fluidos A podem ser os mais puros e os fluidos C podem ser os mais dóceis, porém, os fluidos B, nascidos da atuação dos companheiros encarnados e notadamente do médium, são capazes de estragar os mais nobres projetos. Nos círculos em que os elementos A encontram uma colaboração segura dos fluidos B, a materialização de ordem elevada assume a sublimidade dos fenômenos.

Todos os estudos feitos sobre as materializações de espíritos e os chamados efeitos físicos demonstram que esses fenômenos ocorrem somente na presença de pessoas que podem fornecer ectoplasma. Isso leva à óbvia conclusão de que os espíritos não produzem ectoplasma, mas podem apenas manipulá-la. Inclusive, uma observação mais cuidadosa permite compreender que esta manipulação só pode ocorrer com a conivência consciente ou inconsciente dos encarnados que fornecem a substância.



Se não fosse assim, esses fenômenos ocorreriam com tamanha freqüência e intensidade no cotidiano da humanidade que os desencarnados passariam a participar diretamente do mundo dos encarnados. Deste modo, pode-se deduzir que o ectoplasma é um atributo do corpo físico, da matéria, uma vez que o corpo humano é material, embora controlado pelo espírito nele encarnado.

O que se pode admitir que aconteça é que os espíritos encarnados, em contato com a matéria durante a encarnação, manipulam-na de tal modo que produzam o que chamamos de ectoplasma. Essa produção se daria de modo automático e inconsciente, desde a concepção até o desencarne.

Os tipos de ectoplasma

Agora, se o ectoplasma está relacionado com a matéria que constitui o corpo humano, ele deve existir também nos minerais, nas plantas e nos animais em geral. Em termos de complexidade, esse ectoplasma não deve ser igual ao existente nos seres humanos.

Em princípio, o ectoplasma mineral é o mais simples. Nos vegetais, que se alimentam principalmente de materiais inorgânicos, ele se apresenta de modo relativamente mais complexo, em virtude de ter sido trabalhado por eles a partir do material inicial. Já nos animais, que se alimentam de produtos minerais, vegetais e mesmo outros animais, o ectoplasma deve adquirir uma maior complexidade.Assim, em função da espécie de vegetal ou animal, certamente haverá qualidades diferentes de ectoplasma. Essa dedução é fácil de ser feita, pois, ao que se sabe, o ectoplasma não-humano não é suficiente ou adequado para a realização de fenômenos físicos e de materialização, já que, se fosse, eles ocorreriam livremente pela manifestação de espíritos desencarnados. Haveria interferência direta destes no mundo dos encarnados, criando grande confusão.

No livro Espírito, Perispírito e Alma, Hernani Guimarães Andrade propõe a existência dos seguintes tipos de ectoplasma: ectomineroplasma, originário dos materiais minerais; ectofitoplasma, extraído dos vegetais; ectozooplasma, produzido pelos animais; ectohumanoplasma, gerado pelos humanos. Mas para efeito de simplificação de terminologia, no sentido de tornar o significado mais acessível às pessoas, podemos dizer apenas ectoplasma mineral, vegetal, animal e humano.

O ectoplasma é matéria?

Podemos definir matéria como tudo que é constituído pelos elementos químicos constantes da classificação periódica, além, é claro, dos próprios elementos e das partículas subatômicas. E também aquilo que possui massa e energia, estando sujeito à ação da gravidade, tem peso e ocupa um certo volume no espaço, além de interagir fisicamente com outras porções da matéria através das reações químicas.
Já o ectoplasma está sujeito à ação da gravidade e interage fisicamente com a matéria do corpo humano. Nas fotografias, vemos ele sair da boca de um médium como se fosse um pano. O fato da substância cair na direção do solo e do espírito materializado a partir dela estar junto ao chão são evidências de que este fluido está sujeito à ação gravitacional. Alguns autores que já estudaram o ectoplasma em trabalhos de materialização e de efeitos físicos verificaram a ação da gravidade através de balanças.Portanto, podemos concluir que o ectoplasma é matéria. Podemos? Este raciocínio nos conduz a uma conclusão bastante interessante, ou seja, parece haver alguma coisa que se comporta como se fosse uma matéria paralela à que a química descreve. Em outras palavras, é como se houvesse um outro conjunto de elementos químicos coexistindo com aqueles previamente conhecidos ou previstos pela química, como se fosse possível estabelecer pelo menos uma outra classificação periódica.

Apresentação e produção

O ectoplasma é um combinado de substâncias. Quando os espíritos desencarnados podem dispor dele em bastante quantidade, utilizam-no para a produção de fenômenos mediúnicos de efeitos físicos, combinando-o com outras substâncias extraídas do reservatório oculto da natureza.

Para a visão dos desencarnados, o ectoplasma se apresenta como uma massa de gelatina pegajosa, semilíquida e branquíssima que é exalada por todos os poros do médium, mas em maior proporção pelas narinas, pela boca, pelos ouvidos, pelas pontas dos dedos e até pelo tórax. À feição do magnetismo, ele é energia disseminada e presente em toda a natureza, a qual, pela lei evolutiva, é mais apurada no homem do que no mineral, no vegetal ou no animal.

Deduzindo-se que os espíritos encarnados, em contato com a matéria durante a encarnação, produzem o ectoplasma, podemos chegar a algumas conclusões. Se admitimos a existência desta substância nos minerais, nas plantas ou nos animais, podemos entender que um dos ingredientes que forma o ectoplasma é originário dos alimentos, enquanto outro provém do oxigênio que respiramos. Ainda há um outro ingrediente, produzido no interior das células de nosso corpo físico. O que ocorre é uma transformação desses ectoplasmas primários em ectoplasma humano.

Mas onde e quando ocorre o processo metabólico das reações químicas, físicas e biológicas entre os fluidos resultantes da alimentação, da respiração e da atividade celular que geram o ectoplasma? É difícil de se afirmar com certeza onde ele se forma no ser humano. A observação indica uma grande movimentação fluídica no abdome, na altura do umbigo, o que leva alguns pesquisadores a admitir que se forma ectoplasma no aparelho digestivo, através do metabolismo dos alimentos no corpo. Outro lugar em que é comum se perceber que existe uma grande quantidade dessa movimentação é no tórax, fazendo alguns estudiosos concluírem que a produção de ectoplasma ocorre através da respiração, pelo oxigênio.

Como a ciência acadêmica admite que esse fluido se forma no interior das células, muitos entendem que o ectoplasma se forma por todo o corpo no nível celular, embora em quantidades e qualidades diferentes.

O sangue pode carregá-la até os pulmões, onde se libera para ser eliminado, da mesma forma que o carbono resultante do metabolismo.Entretanto, para os espíritos, o ectoplasma é uma substância delicada que se produz entre o perispírito e o corpo físico, interligando o plano físico com o espiritual. Isso nos permite deduzir que os fluidos resultantes da alimentação, da respiração e da atividade celular são captados por meio dos chacras gástrico e esplênico, transformando-se em ectoplasma no interior do duplo etérico. Poderíamos chamar isso de "metabolismo do ectoplasma". Mas é bom lembrar: nas materializações ou nos fenômenos de efeitos físicos, não se usa diretamente o ectoplasma humano que exala do médium. É preciso combiná-la com outros dois tipos de fluidos (espirituais e da natureza) para obtermos o ectoplasma elaborado.

Fonte: IPPB

AUTO-AJUDA,AJUDA?

Autores há que vêm enriquecendo com livros sobre auto-ajuda. Não só no Brasil, mas em várias partes do mundo. Ao lado desses pseudos trabalhos destacam-se obras de aconselhamento relativas aos procedimentos para que a pessoa seja feliz. Muita gente vem se enganando e enganando a outrem sem quaisquer escrúpulos.
Pergunta-se: a auto-ajuda funciona? Certamente que não. O jornalista Steve Salerno enfatiza o seguinte: se a auto-ajuda resolvesse mesmo os males da alma, por que as vendas de antidepressivos explodiram ao mesmo tempo que as desses livros? Ademais, sobressaem-se os gurus – aqueles indivíduos que não conseguem resolver seus problemas e querem resolver os dos outros.
Afinal de contas, o que é auto-ajuda? O que é a busca da felicidade? O que é o amor? O que é a fraternidade? O que é a solidariedade? O que é a compreensão? Será que todos sabem o que significam essas expressões? Temos a certeza que não, infelizmente. Por exemplo, a busca da felicidade, onde ela está? E como ela pode ser realmente encontrada? É dentro da pessoa? É fora da pessoa? Ou é uma “dádiva divina”?
São essas bobagens que vêm infestando o próprio movimento espírita brasileiro. As próprias editoras espíritas não lançam mais livros de estudo, de pesquisa, mas os de auto-ajuda, porque vende milhões de reais e de exemplares. Ora, uma editora espírita, pressupostamente, não deveria ter lucro. Ou, então, ter um lucro que possa mantê-la. Mas querem faturar alto à custa do desespero daqueles que se aproximam do movimento espírita na esperança de resolverem os seus traumas, as suas depressões, até mesmo as suas psicoses que têm como motivo, não raramente, a OBSESSÃO. A propósito, as casas espíritas não fazem mais desobsessão. Afirmam os “espíritas” que tudo é da cabeça das pessoas. Isso quer dizer que essas criaturas não creem no Espírito, mas simplesmente na cabeça...
Indicamos, finalmente, uma profunda reflexão e aí as pessoas vão ter uma ideia de quanto a dor, o sofrimento, o desespero, a angústia, propiciam bilhões de dólares e bilhões de reais aos espertos, aos oportunistas, aos pseudo-espíritas. O negócio é faturar, mesmo que seja às expensas do sofrimento dos irmãos em Jesus.

O CASO OTÍLIA GONÇALVES

Poder-se-ia transcrever, aqui, fatos outros relativos aos trâmites da desencarnação, descritos pelos próprios Espíritos que o vivenciaram, incluídos, por Ernesto Bozzano no “A CRISE DA MORTE”. Entretanto, aconteceu, na cidade de Salvador, um caso, na década de 1950, que merece ser recontado. Trata-se do relato de autoria do Espírito OTÍLIA GONÇALVES, através do médium e tribuno Divaldo P. Franco, que deu origem ao livro “Mansão do Caminho” dirige-se à sua filha nestes termos:
“Minha filha, que a paz do senhor esteja convosco!”
“Desde o momento em que o anjo da morte me dirigiu seu pensamento, enviando-me uma lúgubre mensagem de “angina-pectoris”, um turbilhão indescritível tomou conta do meu Espírito.”
“A princípio, com as carnes sacudidas pelos estertores do coração que não mais podia cooperar com a vida física, inenarrável sofrimento tomou-me todas as fibras, do peito ao cérebro e deste aos pés, fazendo-me enlouquecer. Atormentada entre as idéias da ‘morte’ apavorante que eu temia e a ansiedade da ‘vida’ que escapava ao peso cruel do sangue que se negava a irrigar as artérias, veias e vasos, senti que ia tombar.”
“Reuni as forças que desapareciam céleres, abandonado-me impiedosamente, tentando resistir à violência da dor que me despedaçava toda, e mais não consegui senão emitir gritos desesperados, semilouca. Tinha a impressão de que vigorosa mão-de-ferro me estraçalhava o coração e, a par da agonia que não posso descrever, sentia que a vida fugia rápida, fazendo-me desmaiar, sem que, contudo, desaparecesse a dor superlativa que durante muito tempo iria conservar-me envolta em angústia sombria e inquietante.”
“Não poderei dizer o tempo em que demorei desfalecida. Guardo, ainda hoje, a impressão de que, em volta, um torvelinho me arrastava, dando-me a sensação de queda, em profundo abismo sem fim.”
“Subitamente, como se me chocasse de encontro ao solo, despertei agonizante, tateando em trevas, aos gritos de lamentável perturbação. O peito continuava a doer desesperadamente como se estivesse estilhaçado por violento projétil que o varasse, rompendo carne e ossos e deixando-o sangrar...”
“Oh! Jesus, o sofrimento daquela hora!...”
“O tempo passava sem que eu tivesse notícia, senão através da agonia que parecia não ter fim.”
“Como a dor não cessasse, simultaneamente impressões diferentes me acudiram ao cérebro turbilhonado, agigantando meu desespero. Frio glacial apoderou-se lentamente dos membros inferiores, ameaçando-me imobilizar-me...”
“Além do frio, dores generalizadas paralisaram-me os movimentos, enquanto o enregelamento me tornava rígida. O pavor rondava-me implacável...”
“Desejei levantar-me, andar, correr, suplicar auxílios; estava paralisada, atada a cadeias poderosas. A língua já não se articulava. O cérebro parecia-me devorado por labaredas crepitantes...”
“Não tinha idéia das horas.”
“Indagava mentalmente, no martírio, o que me acontecera. Onde estava o companheiro de tantos anos? Os irmãos de fé espirita, onde se encontravam eles que não me socorriam?”
“...senti-me sair de dentro do casulo carnal, que então pude ver. Encontrava-me deitada no esquife mortuário, e de pé, ao seu lado, simultaneamente.”
Por várias e dolorosas constatações, Otília verificou que estava “morta”, sendo acometida de profundo terror. Lembrou-se das explanações do mentor espiritual quando participava das reuniões mediúnicas. Descobriu, então, a sua ignorância em Doutrina Espírita.Procurou orar, sem conseguir, atormentada pela inconformação. Aconteceu, a essa altura, o que Bozzano chamou de “visão panorâmica”: a recordação de fatos vivenciados na encarnação que acabara de cumprir.
Ao chegar ao cemitério acompanhando o seu corpo, Otília foi recebida pelos Espíritos inferiores que infestam as necrópoles de todas as latitudes terrenas. Entretanto, a recém-desencarnada contava com a proteção dos Espíritos-vigilantes.
Ao acompanhar os despojos carnais à sepultura, entrou em pânico – “...encontrei-me ligada às vísceras mortas, estando viva. Gritei desesperadamente, em lamentável estado, e caí desmaiada.”
Ao recobrar a consciência o Espírito Otília Gonçalves entrou em profunda reflexão, procedendo a uma auto-análise franca, leal, corajosa. Recordou-se de Jesus. Sentiu-se a partir daí intimamente revigorada. E a prece “clara e pura” emergiu do fundo d’alma...
Afinal, após tantos e renovadores sofrimentos, surge o socorro, através do Espírito Liebe, a esclarecida e bondosa entidade que a orientava no “Evangelho no Lar”.
E, amparada pela irmã Liebe, Otília Gonçalves ganhou a liberdade, deixando para trás a “Casa dos Mortos”, onde, em pouco tempo, aprendeu a grande lição que o túmulo oferece!